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De olho em Watchmen

quarta-feira, 25 fevereiro, 2009

Agora que a correria do Oscar ficou para trás (alguém consegue se lembrar de alguma cerimônia mais chata, óbvia e sonolenta?) e o Carnaval é uma lembrança (ainda me espanto com os gritalhões reclamando que a Globo não transmitiu a cerimônia, sendo que foi a decisão mais inteligente da emissora em anos), começamos a olhar para o futuro. Com capricho. Watchmen é, claro, a capa da edição de março de SET. E como é tradição, você vai encontrar a cobertura mais completa da adaptação da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, com estrevistas com o elenco, nossa visita ao set do filme, o começo de sua jornada há duas décadas, as tentativas anteriores de adaptar a obra, Watchmen na visão de Paul Greengrass – tudo e mais ainda numa matéria caprichada como a gente gosta de fazer. Ah, e também o veredicto: SET assistiu ao filme antes da folia momesca, mas vou segurar meus comentários em Kapow! para a semana de estréia (a crítica da SET é deste que vos escreve). Uma dica: se você leu Watchmen, esqueça a série. Se você nunca leu, a hora de começar é depois de ver o filme. De qualquer forma, não é Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Este mês SET também traz uma entrevista exclusiva com Joaquin Phoenix, que estréia seu último filme, Two Lovers, para se dedicar à carreira de rapper. É, rapper. Ele agora é JP. Pirado no programa do David Letterman, Phoenix conversou com SET sem mascar chiclete e menos alucinado – mas a conclusão sobre essa guinada eu deixo em suas mãos, caro leitor.

Também conferimos o remake de O Menino da Porteira, assinado pelo mesmo diretor do filme de 1977, agora com Daniel no lugar de Sérgio Reis. Ei, antes de você reclamar, eu só tenho quatro palavrinhas: 2 Filhos de Francisco. Embora eu ache que não seja o caso…

Semana que vem parto para Los Angeles, começando nossa cobertura dos filmões do verão ianque com T4 e Star Trek. Em seguida, coloco aqui minha lista dos 10 melhores filmes de 2008 (10 mesmo, e não 11 como foi ano passado). Logo depois, melhores gibis e melhores CDs.

Enjoy!

Os Watchmen enfeitam a capa de SET

Os Watchmen enfeitam a capa de SET

Flagg!, Aranha, capa, etc…

quarta-feira, 24 setembro, 2008

Quase um mês sem Kapow!, mas por uma boa causa: em breve, SET estará experimentando grandes mudanças… GRANDES mudanças! Revista, site – tudo está prestes a ganhar um terno novo. “Três botões é meio anos 90, sr. Wayne”, diria Lucius Fox. Nossa resposta seria a mesma do velho Bruce.

Mas isso é o futuro.

Por enquanto vou dar uma geral no presente.

COMEDIANTE CHAMA

com uma arma assim, você diria não a um pedido do sujeito?

Jeffre Dean Morgan como o Comediante: com uma arma assim, você diria não a um pedido do sujeito?

Quando divulguei as capas da edição de setembro aqui em Kapow!, não esperava uma reação tão absurda dos fãs! Algum de vocês mandou as quatro capas com os personagens de Watchmen para o Superhero Hype, e a coisa espalhou como fogo em palha. Logo, todos os sites e blogs bacanas de cinema do mundo – e os mais legais do Brasil também – estavam divulgando a SET de setembro (devo um almoço a vocês, rapazes). E um dos “watchmen” também estava de olho: Jeffrey Dean Morgan, o Comediante, viu a SET na internet, entrou em contato com a redação e pediu alguns exemplares. Pedido feito, pedido resolvido. Tá no correio! Por falar em nova capa… bom, amanhã embarco pra Los Angeles, sexta coloco a de outubro no ar. Pra variar, matéria exclusivo de SET (e, não, a gente não “descobriu” que 2009 tem Superman novo… hehehehe…)

O PESO DE FLAGG!

American Flagg! pesou na mala, mas não vejo nenhuma editora no Brasil se prontificando a lançar...

American Flagg! pesou na mala, mas não vejo nenhuma editora no Brasil se prontificando a lançar...

Comprei o mega encadernado da série American Flagg!, de Howard Chaykin, em San Diego durante a Comic Con. Mas, como tempo não é grátis, só consegui ler quando estava na Califórnia semana passada (SET cobriu com exclusividade o que rola na Disney pós-John Lasseter, em breve você lê na revista). Claro, American Flagg! já havia sido lançado (porcamente) no Brasil – duas vezes e incompleta. A série inteira, ou melhor, as doze primeiras edições, representa o melhor das mentes criativas dos anos 80, não devendo nadinha a clássicos seminais. Na série traçada por Chaykin, ambientada em 2032, os EUA estão em frangalhos como potência (a sede do governo é em Marte), e o que restou é administrado por grandes corporações – na verdade, um colosso chamado Plex, dividido em shopping centers pelo país. É no Plex de Chicago que conhecemos Reuben Flagg, ex-ator (substituído por uma animação digital, o futuro é isso aí) transformado em agente da lei – ou ranger – que enfrenta violência, corrupção e o poder da mídia, não necessariamente nessa ordem. Com arte primorosa e sexy feito o diabo, American Flagg! trouxe um retrato exagerado (mas nem por isso menos realista) do mundo de hoje, criado por Chaykin há mais de vinte anos. A arte imita a vida, etc. Se algum produtor esperto abrir os olhos, American Flagg! é filme pronto!

ARANHA DE PRIMEIRA

Não é uma bobagem para seguir a trama de Homem-Aranha 3 - é uma história sensacional do Cabeça de Teia!

Não é uma bobagem para seguir a trama de Homem-Aranha 3 - é uma história sensacional do Cabeça de Teia!

Ok, “Um Dia a Mais”, que está saindo no Brasil sem muito alarde pela Panini, foi uma solução ridícula para um não-problema – num passe de mágica (magia negra, claro, já que foi pelas mãos de Mefisto), o Homem-Aranha deixou de ser casado, Tia May deixou de estar às portas da morte, o mundo deixou de saber que Peter Parker é o herói, Harry Osborne deixou de adubar algum cemitério… e todo o resto ficou mais ou menos como sempre. Amazing Spider-Man, único título (e semanal) do Cabeça de Teia passou a se ajustar a essa nova realidade, e aos poucos a solução porca parou de azedar a boca, já que as histórias com o novo status quo estavam, bizarramente, muito boas. Claro, parecia também que toda a evolução que o Aranha experimentou em duas décadas tinha virado pó, já que a série, sob a bandeira Brand New Day, tinha um feeling setentista. O que é bom (é a melhor época do herói) e péssimo (se eu quero aquele feeling, releio os clássicos, oras) ao mesmo tempo. Mas parecia um sopro de criatividade, ainda que irregular.

Nada como ter paciência, não?

Há pouco mais de um mês, já abandonando a bandeira Brand New Day, Amazing Spider-Man começou uma nova saga, “New Ways to Die”. É a volta de Eddie Brock – agora como um bizarro Anti-Venom! É Dan Slott escrevendo como gente grande! É Normal Osborne (e seus Thunderbolts) de volta à vida do Aranha! E, principalmente, é o melhor desenhista do Teioso em todos os tempos – John Romita Jr., claro – assumindo o lápis. Aparentemente somente durante essa saga, mas a gente pode sonhar, não? De repente, ler Homem-Aranha se tornou um prazer novamente, com um equilíbrio absurdo de humor, ação, drama e ganchos matadores no fim de cada parte. Em mais ou menos um ano chega no Brasil. Acredite, vale a pena mil vezes!

O Anti-Venom pode parecer um conceito estúpido... mas quem se importa? É desenhado por John Romita Jr.!

O Anti-Venom pode parecer um conceito estúpido... mas quem se importa? É desenhado por John Romita Jr.!

SET, REVISTA SET…

Volte sexta para ver a capa da SET de outubro em toda sua glória!

Volte sexta para ver a capa da SET de outubro... mas não é tão difícil assim adivinhar quem está nela, certo?

Sexta-feira, logo depois de bater papo com Ridley Scott, Russell Crowe e Leonardo DiCaprio, dou um pulo em Kapow! para mostrar a nova capa. Caríssimo, você que espalhou a edição de setembro pela net, um doce se fizer de novo. Ah, e se eu ver alguma celebridade andando pelas ruas de Los Angeles, pode deixar que eu não sou caipira e não vou contar a vocês. Fala sério, né.

Melhores HQs de 2007, Parte 2…. e a nova SET!

terça-feira, 26 agosto, 2008

Ok, não foi exatamente “no dia seguinte”, mas as cinco melhores HQs do ano passado estão aí embaixo – mais o preview sensacional da SET de setembro!

5. Y – THE LAST MAN #60

(Texto: Bryan K. Vaughn; Arte: Pia Guerra)

Tecnicamente, a última edição da obra-prima de Vaughn e Guerra foi publicada na última semana de janeiro, mas como eu ia falar do último arco da série, que diabos, me processem. Como é praxe nas séries da Vertigo, Y – The Last Man foi criada com começo, meio e fim, com a ação de sessenta edições narrada em cinco anos num mundo pós-apocalíptico (e não há como descrever de outra maneira), em que todo mamífero com cromossomo y do planeta – ou seja, todos os machos – morreram misteriosamente ao mesmo tempo. O único sobrevivente foi o “escapista” Yorick Brown (e seu macaco, Ampersand). Ao longo da série, Vaughn, auxiliado pelo lápis elegante de Pia Guerra, não só mostrou as conseqüências devastadoras de um mundo sem homens como também apontou as causas para o evento – que, esticando a imaginação, foi algo cientificamente plausível – e como o planeta sobreviveria no futuro. No meio tempo, feminismo, militarismo, clonagem, viagens de ácido, intrigas e conspirações deram o tom, culminando numa edição de encerramento melancólica, triste e sublime – e, se você nunca leu Y – The Last Man, aconselho saltar para o próximo texto, já que vou falar sobre algumas coisas que compõem a edição.

Ainda aqui? Ok.

Depois da morte da agente 355 ao fim da edição 59 – a quem Yorick, com o fim da sua busca global por sua namorada, descobre estar realmente apaixonado –, não parecia mais ter sentido seguir a história, já que todos os pingos estavam nos is. Vaughn deu um salto temporal, mostrando que a humanidade perdurou com a ciência da clonagem, e com o próprio Yorick Brown, agora além de seus 70 anos, vivendo recluso – ou melhor, em confinamento – depois de tentar o suicídio. Como em toda a série, Vaughn não apresenta uma solução apressada, e com flashbacks bem colocados explica como ficou a mente do último homem da Terra quando o mundo foi, tecnicamente, salvo. O último painel da série, representando a grande incógnita que nossas “certezas” insistem em apontar, foi um desfecho sublime para uma das grandes histórias da literatura moderna. Uma série que, como muitas outras com o selo Vertigo, deixará saudades.

4. PUNISHER: WIDOWMAKER

(Texto: Garth Ennis; Arte: Lan Medina)

Garth Ennis entende o Justiceiro. Ou melhor, passou a entender depois que o título migrou para o selo Max da Marvel. Se antes Ennis fez do gibi do anti-herói uma pérola do humor negro, a mudança o fez criar as melhores tramas protagonizadas por Frank Castle desde sua estréia em Amazing Spider-Man 219. Não as melhores de hoje, veja bem: NUNCA o Justiceiro teve tramas tão boas, em toda sua trajetória, do que nas mãos de Garth Ennis e no selo Max – que vê o fim de uma era quando o roteirista abandonou o título mês passado na edição 60. Neste tempo, talvez “Widowmaker”, publicada nas edições de 43 a 49, tenha sido a melhor história do Justiceiro em todos os tempos. Não por ter sido a mais violenta, ou a mais original, muito menos a mais surpreendente. Mas Ennis conseguiu mostrar porque só Frank Castle é capaz de fazer o que faz, e como suas ações trazem conseqüências como uma pedra que perturba a placidez de um lago. O estopim é a união de viúvas de mafiosos mortos pelo Justiceiro, que se juntam para tocar um plano de vingança. Mas a irmã de uma delas – dada como morta quando seu marido, um cadáver também despachado por Castle que se divertia espancando a mulher e assistindo a ela satisfazer sexualmente seus amigos, cansou e se livrou dela. Seu retorno marca o início de uma história que revela a influência que Castle nem imagina ter, e também sua absoluta frieza ante os acontecimentos. “Widowmaker” é genial por não fazer concessões, por mostrar de maneira cruamente realista o que é o trabalho de Castle – e de seus alvos – e também por mostrar a conclusão mais impactante de uma série de quadrinhos em muito, muito tempo.

3. THE GOON: CHINATOWN

(Texto e arte: Eric Powell)

Em sua série semi-mensal, a criação de Eric Powell vive numa cidade infestada de zumbis, bruxas, monstros, aliens e outras esquisitices, numa atmosfera remanescente tanto dos quadrinhos da EC Comics (acompanhar o traço de Powell é como ler um Tales from the Crypt digitalmente pintado) quanto da literatura pulp. O Goon (ou Casca-Grossa, como foi chamado no único arco publicado no Brasil) é um brutamontes que supostamente trabalha para um mafioso e tenta manter um semblante de ordem em seu pedaço. Se a série é uma coleção de pérolas do non sense, encapsuladas no universo tecido por Powell, a graphic novel Chinatown (and the Mystery of Mr. Wicker) é uma obra-prima, uma trama fechada e acessível para quem nunca leu The Goon na vida. E, acima de tudo, é uma história de amor. Com estrutura fragmentada em flashbacks, Powell investiga o passado do Goon e como seu envolvimento com uma femme fatale enquanto consolidava a aliança com outros grupos criminosos quase pôs fim em sua vida do lado errado da lei. Ao mesmo tempo, um novo e misterioso criminoso rapta seu parceiro, o diminuto Franky (a base mais sólida da vida do anti-herói e, não raro, salva sua pele literal e metaforicamente), então Goon tem de voltar aos erros do passado para tentar salvar seu futuro – tudo num registro melancólico incomum para uma série pautada na violência cartunesca e na exploração do absurdo. Chinatown é como se A Marca da Maldade fosse dirigido por Guillermo Del Toro e depois impresso como HQ. É violento, é inesperado, é seco e tem alma. É um excelente ponto de partida para quem nunca leu a série. E é grande literatura, que joga o natural e o sobrenatural numa mistura com muita personalidade – palavra que faz muita falta à massa encefálica coletiva produzindo quadrinhos hoje, e que Eric Powell tem de sobra.

2. THE LEAGUE OF EXTRAORDINARY GENTLEMEN: BLACK DOSSIER

(Texto: Alan Moore; Arte: Kevin O’Neill)

Mr. Moore e Mr. O´Neill fizeram de novo. A mais recente aventura da Liga Extraordinária (e última por uma major) encaixa-se com brilhantismo ao lado dos dois primeiros tomos, e vai além. Talvez descontente em ver parte de sua obra sendo traduzida para outras mídias (colocando pingos nos is, as intermináveis discussões de como o autor não quer nem saber da adaptação para cinema de Watchmen), Moore criou uma obra que realmente não faz sentido a não ser como uma história em quadrinhos. E não como conteúdo, mas como forma: ao longo de suas 200 páginas, Black Dossier vê sua narrativa de quadrinhos “tradicionais” transfigurada sempre que os protagonistas – Mina Murray e Alan Quatermain, com os quais Moore conseguir uma solução genial para uma série mais longeva – abre o tal “dossiê negro”, que conta a história de todas as Ligas até então. A partir daí, a trama é narrada de acordo com a época e a mídia em que originalmente se situava, seja uma peça, uma narrativa em prosa, mapas, cartas e até uma masturbatória tijuana bible, gibi de sacanagem ao estilo Carlos Zéfiro – em um extraordinário trabalho de Kevin O´Neill. Em cada um destes pedaços, o tipo de papel usado na impressão é modificado, bem como seu tamanho, o que dá a ilusão de que a trama realmente é expandida além de nossa percepção normal. E, acredite, cada um destes pedaços é essencial não só para compreender o que está acontecendo como também para nos preparar para a novíssima série LOEG: Century, desta vez publicada (em três tomos) pela Top Shelf. Ah, a trama: saltando era Vitoriana das histórias originais para 1958, Mina e Quatermain precisam recuperar o Black Dossier e desvencilhar-se de três agentes da Coroa – o jovem espião Jimmy (ou melhor, James Bond, acertando a caracterização original de Ian Fleming até as vírgulas), Emma Night (antes de se tornar Emma Peel, estrela da série Os Vingadores) e Hugo Drummond (ou Bulldog Drummond, criação de Herman McNeile, um ex-combatente da Primeira Guerra que se tornou detetive). O clímax da nova aventura da Liga joga as convenções pela janela e lembra as alucinações de Promethea, com um encontro cósmico retratado em 3D – mais uma vez, essencial para a trama, e não apenas um gimmick. Quando inventa de criticar Hollywood, outros artistas ou filmes derivados de sua obra, Alan Moore pode ser indigesto e inconveniente. Mas é inegável que, após ler algo tão denso, detalhista e inacreditável como Black Dossier, “gênio” é a única palavra aplicável a ele.

1. LANTERNA VERDE: SINESTRO CORPS WAR

(Texto: Geoff Johns, Dave Gibbons e Peter J. Tomasi; Arte: Ivan Reis, Ethan Van Sciver, Patrick Gleason)

Histórias em quadrinhos são uma mídia propícia para contar histórias de qualquer gênero – seja terror, romance, comédia, o que seja. Mas, por conta de ícones como Superman ou Homem-Aranha, tornou-se sinônimo de super-heróis. E é em histórias coloridas que estes encontraram seu nicho mais tradicional. E mais abundante. E é aí que mora o problema. Há sete décadas, desde que o Homem de Aço começou seu vôo, o formato das histórias de super-heróis seque o esquema das soap operas: apesar das adaptações de cada época, elas seguem uma cronologia mais ou menos estabelecida, o que torna difícil a autores contemporâneos criar não só tramas de impacto, que tenham alguma relevância e que possam refletir em seus personagens no futuro próximo, mas também que possam criar algo comercialmente viável para que os super-heróis – e suas editoras, claro – continuem no horizonte. E os fãs não deixem de receber a dose de seus personagens favoritos. A moda atual são, claro, as “grandes sagas”, os megacrossovers que monopolizam atenção e polarizam os criadores de uma editora em torno de um único evento. Às vezes ele funciona muito bem (como em Guerra Civil ou no atual Secret Invasion, da Marvel). Outra, é uma confusão de dar dó (se você não consegue enxergar lógica em Contagem Regressiva, espere até ver o absurdo que é Crise Final…).

E, às vezes, tudo dá certo.

Sinestro Corps War não foi vendida como uma minissérie “fundamental”, um evento de repercussões cósmicas nem teve dezenas de one-shots e séries paralelas. Na verdade, a trama foi contida nas séries Green Lantern e Green Lantern Corps – mais quatro especiais – e conseguiu, sem esforço, unir o melhor de todos os mundos para uma aventura de super-heróis em quadrinhos: uma trama enxuta que mistura ação, aventura, ficção científica e drama num épico que redefine o papel da tropa dos Lanternas Verdes, amarra a saga da ressurreição do maior deles, Hal Jordan e, o principal, prepara terreno para o futuro – a próxima grande história dos Lanternas é The Blackest Night, em 2009. Tudo isso visualizado por um grupo de artistas encabeçado pelo brasileiro Ivan Reis, que nasceu para desenhar super-heróis e tornar a história um blockbuster como os de Michael Bay. Não existe nada muito denso ou metafórico em Sinestro Corps War (que está para começar no Brasil com o nome “A Guerra do Anel”). Não é pretensioso como Hulk Contra o Mundo, em que a Marvel deixa uma ótima premissa se diluir em dezenas de histórias ruins – aqui o texto gravita em torno de Geoff Johns, com Dave Gibbons e o excelente Peter Tomasi como auxílio luxuoso. Mas é divertido, visualmente deslumbrante e empolgante como poucas boas histórias. E o que mais a gente pode pedir de um bom gibi de super-heróis?

EXTRA! EXTRA! QUEM VIGIA OS VIGILANTES?

A SET, é claro. Começando nossa cobertura de Watchmen em grande estilo, a edição de setembro da melhor revista de cinema do Brasil traz reportagem exclusiva com os bastidores da adaptação da obra-prima de Alan Moore e Dave Gibbons – celebrada com quatro capas para você colecionar. Fomos às filmagens de Watchmen no Canadá, conversamos com o diretor e o elenco do filme em San Diego e também no Brasil – tudo para você não perder nada da difícil tarefa do diretor Zack Snyder em traduzir em som e luzes a criação de Moore e Gibbons. Aproveitando a deixa, adiantamos segredos de grandes filmes que estréiam nos cinemas do Brasil e do mundo até o fim do ano e além, com um aperitivo de O Exterminador do Futuro: A Salvação (e um pedaço de nossa entrevista exclusiva com o diretor McG), Harry Potter e o Enigma do Príncipe (que fomos conferir as filmagens em Londres), O Lobisomem, Wolverine, GI Joe e muitos outros. Quer mais? Direto de Budapeste, a gestação de Hellboy II: O Exército Dourado; das ruas de São Paulo, as filmagens de Ensaio Sobre a Cegueira; e um bate-papo exclusivo com os diretores de Linha de Passe, Walter Salles e Daniela Thomas. Fique de olho nas bancas, agarre as quatro capas e boa leitura.

Comic Con, Dia 3: Watchmen e a… eletricidade

sábado, 26 julho, 2008

Ok, vou direto ao ponto: a Comic Con 2008 está morna. Pronto, falei. Está morna, sem pique, sem… eletricidade! Ano passado sempre existia uma certa empolgação no ar, uma mistura de feirão com show de rock. Pois bem, os shows estão mais para Coldplay do que para Rage Against The Machine. Veja o caso de Watchmen. Hall H lotadaço, platéia enfileirada desde as 7 da manhã. A imprensa, então, espremida num vão embaixo da tela, sem espaço sequer para ver o que era exibido (menos este que vos escreve, que usou os bons contatos para ficar num lugar mais bacana – como já dizia o Faith no More, “being good gets you stuff”). Eis que surge o elenco principal do filme, seguido do diretor Zack Snyder. Novas imagens do filme exibidas (dentro do contexto, ainda mais espantosas do que no trailer, com o Dr. Manhattan explodindo vietcongues em um pipoco de sangue, misturada a cenas mais serenas de cada personagem, inclusive um sorriso assustador do Comediante para a Espectral – uma “cantada” que, quem leu a série, sabe bem como termina).

Daí veio o problema: aplausos contido, entusiasmados até. O mesmo clima se repetiu no painel do filme de Frank Miller, The Spirit (as cenas que o diretor selecionou mostram que a tecnologia para bolar maluquices digitais não pára nunca de evoluir). Mas nada que fizesse o chão reverberar como Homem de Ferro ano passado. Ou Homem-Aranha 3 no anterior. A verdade é que a Con foi mesmo tomada, domesticada pela máquina de marketing dos grandes estúdios. É um lugar de grandes anúncios (RoboCop por Aronowski, Red Sonja com Rose McGowan) e de poucas novidades. Um paradoxo, que reflete na atmosfera incrivelmente morosa do salão principal – lotado como nunca, diga-se. Deve ser um saco para quem faz a cobertura online, o hard news do evento, já que de “news” a Comic Con pouco traz além do marketing mastigado. Para a SET é outro papo, já que, sem a preocupação de jogar tudo para você, caro leitor, na velocidade da luz, encontramos espaço para entrevistas mais longas (e exclusivas) que damos aos poucos, em matérias mais completas.

Com a Comic Con chegando ao fim em dois dias, eu ainda espero que o sábado reserve boas surpresas (Terminator Salvation é o grande filme de hoje). Mas já estou resignado. Ano que vem, com mais coisas da Marvel – uma turma ótima que domina a platéia como poucos -, quem sabe a Con não recupere o gás?

Antes de mais uma batelada de fotos, fechei a noite com dois filmes. Step Brothers, com Will Ferrell e John C. Reilly, estreou hoje por aqui e é uma bomba. Já na madrugada, foi com Jeff Buhler, roteirista de The Midnight Meat Train, conferir a adaptação da história curta de Clive Barker que li há bons quinze anos. Forte, muito forte…

Com a imagem de Vinnie Jones estraçalhando crânios em mente, despeço-me!

E o pessoal espera por Watchmen...

E o pessoal espera por Watchmen...

E êi-los!

E êi-los!

Jackie Haley Earle (Rorschach) e Jeffrey Dean Morgan (o Comediante)

Jackie Earle Haley (Rorschach) e Jeffrey Dean Morgan (o Comediante)

Male xxxxxx (Laurie xxxxxxx, a Espectral II), Patrick Wilson (o Coruja) e Carla Gugino (Sally Júpiter, a Espectral I)

Malin Akerman (Laurie Juspeczyk, a Espectral II), Patrick Wilson (o Coruja) e Carla Gugino (Sally Júpiter, a Espectral I)

O venerável Zack Snyder

O venerável Zack Snyder

Mathew Goode (Ozymandias) e Billy Crudup (Dr. Manhattan)

Mathew Goode (Ozymandias) e Billy Crudup (Dr. Manhattan)

Frank Miller, a produtora xxxxxxxxxxxxxx e Sam Jackson no painel de The Spirit

Frank Miller, a produtora Deborah Del Prete e Sam Jackson no painel de The Spirit

A... errr... Liga da Justiça...

A... errr... Liga da Justiça...

Maquete de Halloweentown, de O Estranho Mundo de Jack, que custa a miséria de 25 mil dólares...

Maquete de Halloweentown, de O Estranho Mundo de Jack, que custa a miséria de 25 mil dólares...

Sim, é o Capitão América. O original, da série Truth (não leu? culpa da Panini...)

Sim, é o Capitão América. O original, da série Truth (não leu? culpa da Panini...)

Que detalhista esse.... modelo do Jabba, não?

Que detalhista esse.... modelo do Jabba, não?

É, muito interessante mesmo...

É, muito interessante mesmo...

Tão bacana que eu passaria o resto da Con fotografando... é, o Jabba...

Tão bacana que eu passaria o resto da Con fotografando... é, o Jabba...

Chucky, tamanho natural, precinho irreal...

Chucky, tamanho natural, precinho irreal...

A DC colocou em seu booth alguns pôsteres com novas imagens de Watchmen. Como esse ai...

A DC colocou em seu booth alguns pôsteres com novas imagens de Watchmen. Como esse aí...

... ou este. E desculpem o cabeção do cabeção.

... ou este. E desculpem o cabeção do cabeção.

Lou Ferrigno. Mas de longe, para ele não cobrar pela foto...

Lou Ferrigno. Mas de longe, para ele não cobrar pela foto...

E com esse pedaço delicado de marketing da __________, vendendo o filme ____________, encerro por hoje. See ya!

E com esse pedaço delicado de marketing da __________, vendendo o filme ____________, encerro por hoje. See ya!

Watchmen pra brincar…

quarta-feira, 16 abril, 2008

Alguns anos atrás, quando Watchmen comemorou quinze anos desde sua publicação, a DC planejou não só o relançamento da saga em formato de luxo, como também uma série de brinquedos (ou action figures, pra usar o termo mais cool) para os fãs recriarem as aventuras no chão da sala…. ou algo parecido. Todos estavam felizes e contentes até o tio Alan Moore embarcar em mais uma viagem lisérgica e, usando seu poder de veto, limou a série totalmente – ainda lembro dos protótipos bacanas que a ToyFare mostrou há alguns anos. Mas eis que a justiça tarda mas não falha, e o lançamento de Watchmen nos cinemas ano que vem virá, claro, acompanhado de uma série de brinquedos. A Entertainment Weekly deu o furo, com os protótipos do Coruja e de Rorshchach como aparecem no filme de Zack Snyder, e Kapow! orgulhosamente o copia – já esperando a hora de brincar com a Espectral no tapete da sala… E agora, tio Moore?

Quer ver os Watchmen?

quinta-feira, 6 março, 2008

Com um ano para a estréia de Watchmen, o diretor Zack Snyder decidiu dar um mimo aos fãs e liberou a fachada de cinco dos personagens da saga super-heroística adaptaga da série de Alan Moore e Dave Gibbons. O visual, uma adaptação para lá de fiel de personagens em 2D, teve o efeito esperado: muito blablablá dos fãs, que agora têm um ano inteiro para chorar por Snyder ter “destruído” o gibi. Para quem não tem tanta frescura, fica a expectativa de um filme bacana adaptado de uma obra igualmente bacana. Ah, as imagens, que você confere aí embaixo, foram postadas em www.watchmenmovie.com.

Coruja    Rorschach    Espectral    Ozymandias    Comediante