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Afinal, qual é a de Fim dos Tempos?

quinta-feira, 12 junho, 2008

Amanhã estréia o novo filme de M. Night Shyamalan, Fim dos Tempos. Eu estava em um avião a caminho de casa, mas o editor-chefe de SET, Rodrigo Salem, assistiu ao filme em São Paulo. O que ele achou? Bom, descubra nas linhas a seguir.

FIM DOS TEMPOS
(The Happening, EUA/Índia, 2008 ) De M. Night Shyamalan Com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Ashlyn Sanchez. 91 min. http://www.thehappeningmovie.com Fox. Suspense
NOTA: 6

Num determinado episódio de South Park, os militares pedem a ajuda para três cineastas de Hollywood (Mel Gibson, Michael Bay e M. Night Shyamalan) para bolarem um plano para impedir que terroristas assassinem todas as criaturas de fantasia imaginadas pela humanidade. Em vez de elaborar tramas para acabar com os vilões, Shyamalan fica soltando diversas reviroltas sem nexo. A caricatura (errônea) de um diretor truqueiro, mais preocupado em bolar finais inesperados para enganar os trouxas parece ter convencido a própria vítima. Se A Dama na Água foi uma ousada mudança de ambiente, Fim dos Tempos teria tudo para um dos cineastas mais originais da atualidade provar que suas histórias sempre possuem uma carga de subtexto e técnica além das surpresas no fim.

O problema é que Fim dos Tempos é a obra de um sujeito atingido pela insegurança ocasionada por toda a confusão envolvendo a saída da Disney, o fracasso na Warner e as críticas à Dama na Água. O que poderia ser um passo além numa filmografia invejável vira um pastiche de todos os elementos que Shyamalan usou nos longas anteriores – para efeito de comparação, imagine Brian DePalma depois de Fogueira das Vaidades, filmando o indulgente Síndrome de Cain. Temos o herói médio de Sinais, agora na figura do professor de ciências de Mark Wahlberg. Há o homem em busca da felicidade da família de Corpo Fechado. De A Vila, a paranóia invisível e o isolamento. As (boas) imagens fortes (é o primeiro filme dele desaconselhável para menores de 17 anos) são amplificadas de O Sexto Sentido. E até temos o roteiro linear de A Dama na Água. Tudo isso resulta num suspense bem acabado, porém óbvio e sem…err.. suspense. As metáforas sobre a praga ecológica que consome o leste dos Estados Unidos (levando as pessoas a cometerem suicídio) conseguem ser mais risíveis que as de Guerra dos Mundos, de Spielberg, e os atores parecem todos meio desnorteados, principalmente Zooey Deschanel, mais pirada que sua personagem no lisérgico Weeds. Não chega a ser o fim do mundo, mas Shyamalan precisa recuperar a confiança urgentemente em The Last Airbender, do contrário não teremos nem finais surpresa ou surpresa alguma vinda de suas obras.

Rodrigo Salem

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