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O novo dia do Aranha

segunda-feira, 11 fevereiro, 2008

Ontem eu terminei de ler “One More Day”, a saga que redefiniu o status do seu amigão da vizinhança. Aproveitei e li também “Brand New Day”, primeiro arco de histórias dentro de seu novo status quo.

Em uma palavra? Nhé.

omd teaser

Joe Quesada, editor-chefe da Marvel, queria de qualquer jeito que o Homem-Aranha não fosse mais um homem casado. Ah, ele também não queria que ele fosse divorciado, viúvo, nada que o fizesse parecer “velho”. Pois duas décadas de histórias foram anuladas com magia. É, magia. Para salvar a vida da tia May, baleada no final da Guerra Civil que chacoalhou o universo Marvel, Peter fez de tudo. No final, apelou: aceitou um pacto com Mefisto e trocou seu amor por Mary Jane – mais as lembranças do casamento, da vida a dois, de tudo – pela sobrevivência de May Parker. Num piscar de olhos, Peter voltou a morar com a tia no Queens, ainda é um duro, voltou a ter lançadores de teia mecânicos, e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe sua identidade. Mas todo o resto no universo Marvel aconteceu. As partes com a participação do Aranha? Sabe-se lá. O negócio é ignorar.

omd capa

Eu adoro quando a vida dos heróis ganha novo fôlego. Reinvenção faz parte do continuum das histórias em quadrinhos. Agora, o que não dá para aguentar é uma trama contada porcamente. Existiam milhares de maneiras de resolver o casamento do Aranha e a questão de sua identidade secreta sem Quesada e cia. ter de apelar para um “é mágica, não precisa explicar”. O que ele conseguiu, afinal, foi uma involução. Fico pensando se não seria mais digno deixar May Parker morrer, MJ desaparecer por não aguentar conviver com essa loucura e Peter, para variar, ficar se sentindo culpado com isso tudo. Mas, desta vez, Joe Q. pisou na bola, choramingou e conseguiu o que queria. Seus desenhos em “One More Day”, se é que serve como consolação, estão espetaculares, lembrando o grande Michael Golden, que me faz lamentar ver Quesada numa posição administrativa.

omd peter mj mefisto

O que nos leva a “Brand New Day”, primeiro arco do “novo” Aranha, com texto de Dan Slott e arte de Steve McNiven. A impressão é estar lendo um gibi do Aranha da virada dos anos 70 para os anos 80, antes da Image Comics, antes da ascenção dos heróis sombrios como Justiceiro e Wolverine. É uma trama leve, que introduz um novo vilão ( o Sr. Negativo) e apresenta parte dos novos coadjuvantes na vida de Peter Parker – alguns, como o “ressuscitado” Harry Osborne (não pergunte como…), não tão novos assim. A história parece remeter a uma época em que o Aranha vivia à parte dos “grandes eventos” da Marvel. Embora ele seja um herói não-registrado, o que lembra que existiu uma Guerra Civil e que este universo ainda é coerente em sua cronologia. Mas não dá para ler “Brand New Day” sem lembrar do que foi necessário para chegar a essa história.

bnd mcniven

Que, por sinal, deve durar até alguém na Marvel ter a brilhante idéia de apagar o apagão!