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Cloverfield? Yeah! Rambo? Nhé…

quarta-feira, 23 janeiro, 2008

Nas últimas semanas, enquanto fechava a lojinha na Sexy e terminava a edição de fevereiro de SET, assisti a dois filmes que eu estava deveras curioso para ver qual era. Entre um texto e outro (e broncas da Márcia, editora de arte, por entregar tudo atrasado…), escapuli para ver Cloverfield – Monstro e Rambo IV. O veredito? Vamos a ele…

CLOVERFIELD – MONSTRO

Cloverfield

Cloverfied é um filme de monstro. Bom, a essa altura nem precisava dizer, já que o título nacional meio que deixa isso escancarado… Mas o fato é que, a exemplo de O Hospedeiro, que saiu por aqui ano passado, é um filme de monstro sensacional! O motivo? Não é exatamente um “filme de monstro”. É um filme sobre gente comum, como eu e você, que se vêem numa situação impossível e absurda. No caso, é a história de Rob Hawkins, de partida para o Japão, que ganha uma festa-surpresa. Registrando tudo está seu melhor amigo, Hud. Birita, cigarro, uma cantada aqui, uma confissão ali, tudo muito mundano. Até que uma explosão marca o início do ataque: alguma coisa já arrancou a cabeça da Estátua da Liberdade, entrou em Manhattan e está deixando um rastro de corpos e escombros.

Lady Liberty perde a cabeça…

O bacana de Cloverfield não é inovar. Todos os truques que o diretor Matt Reeves usa são manjados. Mas a diferença é que ele os usa como ferramenta narrativa. A câmera que registra toda a ação do filme, a que Hud carrega, é um registro da fuga – logo no começo a gente sabe que faz parte do material recolhido pelo exército no que restou de NY. Justamente por isso, a gente só vê o que eles vêem. Não acompanhamos a ação militar. Nem a ação da criatura demolindo a cidade. O filme é o que Rob e seus amigos vivenciam – a tensão, o medo e o horror quando eles se deparam com uma besta saída de pesadelos que, nem em nossas fantasias mais insanas, imaginaríamos saindo do mar para destruir a cidade em que vivemos.

Perdendo a cabeça!

Tecnicamente, Cloverfield é um primor. A edição, que mantém a ação dentro da câmera digital sem nunca parecer enfadonha, é genial. Não existe trilha sonora, o que aumenta cada som que a gente ouve vindo da escuridão e dos becos vazios de NY. A opção por não escancarar a criatura também faz com que cada vez que ela aparece tenha grande impacto. Não é importante ver o monstro, e sim saber que ele está lá. Na verdade, o mais assustador de Cloverfield é justamente o que acontece em nossa imaginação que junta os pedacinhos de informação mostrados em menos de uma hora e meia de filme. Para os fãs de filmes de monstro – e, diabos, do bom cinema – 2008 começa bem.

Último adeus?

RAMBO IV

Rambo IV

Rambo IV comete um crime que deixa as qualidades do filme na poeira: transforma John Rambo em coadjuvante. Talvez a volta do herói-ícone dos anos 80 não tenha tanto peso quanto o retorno de Rocky Balboa há exatamente um ano. Mas Stallone usou os pontos que conseguiu com os fãs para trazê-lo de volta. O que ele precisava, no entanto, era de um roteiro digno de Rambo, oras! O que ganhamos, no entanto, é uma história curta até demais que bebe goles generosos do segundo (a ambientação na selva) e do terceiro (a missão de resgate) filme da série. Ao que parece, depois de resgatar o coronel Trautman no emblemático Rambo III (enquanto… errr… treinava Bin Laden), nosso herói virou pescador na Tailândia. A expressão de Stallone como Rambo é a de um homem que olha para trás e quer cada vez mais distância do passado.

Aqui dói?

É quando um grupo de missionários lhe pede para transportá-los até a Birmânia, que amarga uma guerra civil violenta, para que eles façam seu “trabalho humanitário”. Depois de relutar – com um incisivo “Fuck the world” -, Rambo aceita o trampo. Como é óbvio, o grupo é sequestrado por guerrilheiros que não parecem ter outra motivação a não ser imitar os vietcongs de Rambo II – A Missão, e Sly vai resgatá-los. Ou quase – e é aí que o caldo desanda.

rambo.jpg

É óbvio que Stallone, agora com62 anos, não tem mais a energia para encarar um personagem tão físico. E Rambo não tem aquela ternura de Rocky: ele é uma máquina de matar, ponto. É este, por sinal, o único conflito apresentado em Rambo IV, os últimos demônios que o veterano tem de encarar antes de sua última missão. É quando, também, o filme ganha vida, já que vemos ecos das aventuras anteriores e lembramos de quem ele é. Mas para por aí. Para compensar a falta de vigor do herói, Stallone colocou um grupo de mercenários na história, e cabe a eles fazer o trabalho pesado. Talvez até por receio de perder o holofote, Sly também os torna personagens sem o menor carisma, sem a menor empolgação. O que resta é um longo clímax em que a violência impera – se você é fã de gore, amigo, prepare-se para uma viagem pornograficamente divertida. Membros são decepados, cabeças explodem, troncos são dilacerados – um sujeito na mira de Rambo vira carne moída. Os efeitos são excelentes, e provavelmente é para eles que todo o orçamento do filme foi dirigido. Curto, que nem dá tempo de a gente achar o filme ruim de verdade, Rambo IV é um epílogo triste, ainda que inofensivo, para o herói que deu origem a um verdadeiro gênero: o exército-de-um-homem-só.

O Homem trabalhando…

Sly, e que tal um Rambo Begins, escrito e dirigido por você, contando o treinamento e as batalhas de Rambo durante a Guerra do Vietnã, com um ator jovem abraçando o personagem? É só uma idéia…

Ele só queria pescar…

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Dragon Ball Zzzzzzz

quinta-feira, 20 dezembro, 2007

 Goku de Dragon Ball

Eu não entendo. Já faz um tempinho que Hollywood tenta levar um anime para o cinema, mas eu realmente não vejo um motivo. É outra sensibilidade, é um estilo que simplesmente não traduz. Mas os produtores, na certa vendo a receita absurda de mangás nos EUA, não desistem. Tudo isso leva a Dragon Ball – basicamente um épico sobre uma rapaziada de cabeça engraçada que passam episódio atrás de episódio quebrando o pau. Para os fãs, é isso e tá beleza. Mas, convenhamos, traduzir isso para cinema requer mais estofo. Aparentemente, é o que o diretor James Wong (Premonição) está tentando fazer com seu Dragon Ball live-action. Dar uma história. Contar uma origem. Ir do ponto A ao ponto B.

“Filho de Tom Cruise em Guerra dos Mundos” é Goku ianque no cinema

Aí, claro, começam os problemas. Os fãs não admitem que o elenco não seja oriental (ele não é, Goku, o herói da coisa, é o filho de Tom Cruise em Guerra dos Mundos). Os fãs também não admitem que uma linha da “saga” seja modificada (já foi, a palavra é “reinvenção”). Então para quem Wong está fazendo seu filme? Meu chute seria para o mesmo pessoal que gosta de High School Musical. É uma aventura para tweens – mesmo que muitos fãs já façam a barba regularmente. Mas, sério, olhe para a imagem de Goku lá no alto e me diga se havia outra solução. É, eu acho que não.