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Os Melhores de 2007 – Parte 2

terça-feira, 11 março, 2008

A lista de 10 melhores filmes do ano tem uma matemática esquisita: no fim das contas, são onze filmes que fizeram de meu 2007 cinematográfico uma experiência e tanto. Explico: dez grandes filmes ajudaram a lembrar por que diabos eu tenho uma paixão avassaladora por cinema, pela experiência de entrar na sala escura e ser transportado. Mas houve um filme que transcendeu essa experiência, e me lembrou de como pessoas podem se unir para criar arte, para produzir peças eternas, que ficam na história. A “obra prima do ano” é este filme, que se ergue acima de todos os outros. Divirtam-se com a lista, enquanto eu tento terminar a de melhores HQs do ano antes de 2009…

 

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5. ZODÍACO

De David Fincher. Com Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr.

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David Fincher não busca soluções fáceis. Zodíaco, que relata, em detalhes absurdos, a caça da polícia de São Francisco por um assassino em série – e a obsessão de um cartunista de jornal em descobrir sua identidade – não pode ser facilmente rotulado. Morbidamente atraído pelo tema, Fincher construiu um filme de detalhes, esmiuçando a investigação policial que se estendeu por décadas e apresentando quem seria, em sua visão, e também na de Robert Graysmith (Gyllenhaal), que escreveu o livro no qual o filme foi baseado, o assassino que mobilizou a mídia e os temores californianos no começo dos anos 70. Seria exagero chamar o estilo do diretor de “documental”, mas é o que Zodíaco mais se aproxima com sua narrativa em camadas, que triunfa em passar o terror de um país inteiro em uma era sem Internet, sem mídia massificada e sem programas em que assassinos em fuga são acompanhados pelo noticiário ao vivo.


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4. CONDUTA DE RISCO

De Tony Gilroy. Com George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack.

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Existe uma cena de Conduta de Risco que encapsula todo o drama vivido pelo personagem central, Michael Clayton, advogado interpretado por George Clooney. Não é seu desespero ao perceber que, por mais que tentasse, sua lábia não era capaz de dobrar seu velho amigo, Arthur Edens (Wilkinson), advogado-tubarão que, numa crise nervosa/de consciência, muda de lado e decide trabalhar em prol das pessoas afetadas pelo produto de um conglomerado químico/agrícola. Também não é seu confronto com Tilda Swinton, uma das diretoras da tal empresa, que escolhe o caminho mais “fácil” para enterrar os erros de seu empregador (“Parece que eu estou negociando?” é a frase com mais cojones de todo o ano). Na verdade, Conduta de Risco, a direção de Tony Gilroy (roteirista os três Bourne) e a brilhante atuação de Clooney ressoam na última cena, quando Michael Clayton, dever cumprido, entra num táxi, entrega 50 dólares ao motorista e diz, “Apenas dirija”. É quando tudo que ele passou nos últimos dias começa a registrar em seu cérebro. As perdas. Os compromissos. As conseqüências. Ele deixa o ar sair, deixa a pressão escapar. E, finalmente, nós também.

 

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3. ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

De Joel e Ethan Coen. Com Josh Brolin, Javier Barden, Tommy Lee Jones.

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Juro que fico espantado quando reclamam do final de Onde os Fracos Não Têm Vez, obra-prima dos irmãos Coen (está fácil em seus top 3). “É incompreensível”, bradam alguns. “Não faz o menor sentido”, disparam outros. Pura bobagem. Na adaptação do romance de Cormac McCarthy, que eles deram um verniz de western pós-moderno, Joel e Ethan Coen fizeram um incisivo estudo sobre o Mal. Não como entidade palpável, mas como mudança geracional, como elemento catalisador de uma “troca de guarda”, quando o mundo perdeu a inocência durante a Guerra Fria, e os tons de cinza invadiram o preto e o branco. É o que comenta o xerife interpretado por Tommy Lee Jones, quando diz que não entende mais os crimes e os criminosos, que atos de crueldade passaram a ser regra. O Mal não tem explicação. Assim como Anton Chigurh, o assassino interpretado por Javier Barden, também não. Na trama de Onde os Fracos Não Têm Vez, que mostra Llewelyn Moss (Brolin), um caubói apoderando-se de uma maleta com milhões no meio da carnificina de alguma transação de drogas que deu muito errado, ele é o catalisador da ambição de Moss e, em algum lugar no meio do caminho, o espelho de algo muito pior, que gente decente não pode e não deve compreender. É o espelho do futuro, o futuro em que nós vivemos.

 

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2. O ULTIMATO BOURNE

De Paul Greengrass. Com Matt Damon, Julia Stiles, Joan Allen, David Strathairn.

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Existe uma certa urgência nos olhos de Jason Bourne – apresentada em A Identidade, ressaltada em A Supremacia e, finalmente, aliviada por um círculo completo neste O Ultimato. É a urgência de viver sem saber quem você é. O que para muitos é encucação existencial, para Jason Bourne (talvez o papel mais emblemático da carreira de Matt Damon) é fato. Para fazer dele o assassino perfeito, sua mente teve de ser dilacerada, com uma persona fria e impiedosa no lugar. Mas drogas e condicionamentonão mudam a alma humana, e por três filmes acompanhamos Jason Bourne lutar para readquirir, se não sua identidade, mas ao menos um lugar no mundo. Enquanto isso, a série iniciada por Doug Liman e aperfeiçoada por Paul Greengrass redesenhou o conceito de filmes de espionagem e ação para o novo milênio – Cassino Royale mostra até onde foi essa influência. O Ultimato Bourne também é, de longe, o mais satisfatório da trilogia, com o desenvolvimento perfeito de personagens emoldurado por cenas de ação absurdamente bem engendradas. Não tenho dúvidas que Watchmen, a adaptação de Zack Snyder (300) da série de HQs mais festejada da história, será um filme espetacular quando chegar aos cinemas em um ano. Mas, nas mãos de Paul Greengrass, seu diretor original, seria uma verdadeira obra-prima.

 

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1. O GÂNGSTER

De Ridley Scott. Com Denzel Washington, Russell Crowe, Josh Brolin, Chiwetel Ejiofor.

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O que faz de um filme uma experiência inesquecível? Uma narrativa bem amarrada? Atores brilhantes? Roteiro de tirar o fôlego, aliado à direção afiada como navalha? Na verdade, nem sempre todos estes elementos precisam estar em perfeito equilíbrio. O Gângster, relato da vida do traficante Frank Lucas, o homem que popularizou a heroína na América, e de sua apreensão pelo incorruptível (ainda que demasiado humano) policial Richie Roberts, não é o filme perfeito. A opção por duas linhas narrativas distintas, por exemplo, ofusca o brilho do conjunto. Personagens de peso e relevância na história, como o rival de Lucas, Nicky Barnes, o “Sr. Intocável”, foi reduzido a um coadjuvante sem peso. As próprias acusações da polícia de Nova York contra os produtores de O Gângster, acusando-os de tratar como biografia fatos que nunca aconteceram (a Universal depois disse que o filme é uma obra de ficção inspirada em acontecimentos reais), tirou a força do longa de Ridley Scott – talvez por causa disso, ausente do último Oscar. Mas O Gângster é, na falta de palavra mais precisa, cinema visceral, poderoso e embriagante da melhor safra. É um embate de poder em uma época que os Estados Unidos se recuperavam do baque da Guerra do Vietnã, para descobrir que os próprios americanos traduziam seu “sonho” aproveitando a fragilidade da nação. É grandioso nas interpretações de Washington e Crowe, que quando finalmente se encontram resulta numa daquelas cenas dignas de emoldurar – as ruas vazias, a câmera por cima dos ombros de Denzel, Russell sozinho na rua, finalmente com a sensação de dever cumprido. Ridley Scott não precisa de prêmios (embora ele queira, como me disse nas entrevistas de divulgação de O Gângster). Ele pode até vir ano que vem na esteira do novo Body of Lies (mais uma vez com Russell Crowe). Mas não precisamos ir além de O Gângster para encontrar o cinema que mexe com nosso estômago, com nossa sensibilidade e com nossa emoção.

 

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Obra-Prima do Ano

SANGUE NEGRO

De Paul Thomas Anderson. Com Daniel Day-Lewis.

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Certos filmes fogem de categorias. De listas, de regras, de convenções. São obras tão poderosas que não podem… não devem!… ser perfiladas ao lado de seus pares, pelo simples motivo de “seus pares” comporem a elite do cinema. Filmes como O Poderoso Chefão, Cidadão Kane, Chinatown – filmes que superam a experiência cinematográfica, que se tornam algo mais. Que se tornam uma obra-prima. Não existe fórmula, não existe como prever – filmes assim aparecem do nada e mudam nosso conceito do que é um bom filme e do que é algo que transcende. Desde Clube da Luta que eu não experimentava a sensação de testemunhar algo tão poderoso. Paul Thomas Anderson, porém, dava sinais de que era capaz de criar tal obra.

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Boogie Nights trazia uma energia juvenil que eletrizou todo o elenco. Magnólia repousava numa sensibilidade e numa maturidade formidáveis a um diretor tão jovem. Embriagado de Amor… bom, todo mundo tem direito a um escorregão – um bom filme que não arranha a relevância de seus trabalhos anteriores. Mas Sangue Negro é perfeito. Do começo ao fim, perfeito. Desde os primeiros 15 minutos, silenciosos, quando aprendemos que Daniel Plainview é um homem que não coloca nada acima de sua ambição – nem sua própria segurança. Aos poucos descobrimos que homens como ele criaram a América como ela é, em cima de suor, de sangue, de sacrifícios, de objetivos traçados por mãos calejadas e um olhar que é pura determinação.

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Cada passo de Plainview rumo ao que ele considera seu objetivo – ser rico o suficiente para não ter de lidar com outros seres humanos, nunca mais – o distancia da humanidade. O faz ser o homem que muitos ambicionam, poucos têm coragem de terminar a jornada. Sua ambição só encontra paralelo em seu ódio por Eli Sunday, pastor nato, igualmente ambicioso, que faz de seu próprio objetivo a conversão de Daniel. São duas obsessões – a financeira e a religiosa – caminhando paralelamente, mostrando com exatidão de que forma os Estados Unidos se tornaram “grandes”. Anderson emoldura o embate em cinema puro, feito de imagens, de sons, de diálogos e de cenas que dilaceram a alma em uma trama de dinheiro, família, ambição e petróleo.

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E tem em Daniel Day-Lewis o melhor aliado para contar essa história tão trágica, tão grotesca e tão humana. Nunca enxergamos Day-Lewis em cena. É sempre Daniel Plainview, de fala empolada quando discursa para os moradores de uma cidade no meio do nada na Califórnia, montados sem saber em rios de petróleo sob a superfície; de fúria avassaladora quando, em lágrimas surgidas com sangue, descobre que talvez seu único e final elo com a humanidade seja, também, uma farsa; e de zombaria, satisfação e insanidade no clímax tão polêmico e tão perfeito – “Eu bebo seu milk shake! Bebo todinho!”. Sangue Negro merece ser chamado de obra prima. Neste ano – nessa década – é o único, por enquanto, que merece.

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Os Melhores de 2007 – Parte 1

sexta-feira, 22 fevereiro, 2008

Demorou, mas aqui está o listão. Ou melhor, o começo dele. Foi difícil separar uma lista dos dez melhores filmes de 2007 e também dos 10 melhores gibis do ano passado, mas agora tá na mão. Para não ficar um calhamaço sem fim de texto, dividi os melhores em quatro partes: primeiro cinco filmes, depois os outros cinco, e do mesmo modo com os gibis. Minha prioridade foi colocar o que de melhor foi produzido em 2007 – e não o que foi lançado no Brasil em 2007. Assim eu acho que a lista fica mais justa, e mais enxuta. Então, sem maiores delongas – e em ordem decrescente – os melhores do ano que passou.

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10. THE MIST

De Frank Darabont. Com Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden.

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Adaptar os livros de Stephen King requer cojones. Frank Darabont ganhou suas credenciais para o trampo quando fez a obra-prima Um Sonho de Liberdade e, depois, À Espera de Um Milagre – ambos adaptados da obra de King. Mas ambos (assim como Conta Comigo, de Rob Reiner) não são exemplos do que tornou o autor famoso: seus contos de terror mais hardcore, levados ao cinema dezenas de vezes e só foram memoráveis em O Iluminado e Carrie – A Estranha. O motivo? Eles foram além das palavras. Stanley Kubrick e Brian De Palma enxergaram que o terror, na concepção de Stephen King, não é uma coleção de sustos fáceis ou de criaturas abomináveis. Somos nós. Frank Darabont escancara esse terror à perfeição em The Mist e, assim como Kubrick e De Palma, vai além. Na história da cidade tomada por uma neblina misteriosa (seria sobrenatural? Algum fenômeno atmosférico?), Darabont segue o texto de King à risca, aprisionando um grupo heterogêneo num supermercado enquanto algo espreita do lado de fora, na neblina. Mas é com habilidade que ele revela que, não importa o que esteja na névoa, o perigo reside em quem está preso, e em como o medo torna o ser humano irracional. Dosando com precisão momentos de terror explícito com aquilo que a gente imagina ser verdade, Darabont prova que é um dos grandes cineastas contemporâneos. Sem falar que o final de The Mist nasce clássico, em um retrato do desespero que poucas – pouquíssimas! – vezes o cinema teve coragem de retratar. É uma experiência única. E requer cojones.

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9. RATATOUILLE

De Brad Bird.

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E já se vão doze anos desde que a Pixar reinventou a animação com Toy Story. Mas o motivo não é a descoberta de uma ferramenta fabulosa na tecnologia digital, e sim redescobrir o prazer de apresentar uma boa história. Em oito filmes, o estúdio comandado por John Lasseter apresentou histórias saborosas, emolduradas por personagens memoráveis que fugiam de moldes morais rasos, para apresentar uma complexidade que não só era assimilada pelos pequenos, mas compreendida e aproveitada por adultos. Sua maior “realização”, no entanto, foi dar liberdade a Brad Bird. Na Warner ele fez o fantástico O Gigante de Ferro, e sua primeira empreitada com a Pixar foi o filmaço de ação Os Incríveis. Ratatouille, no entanto, surge não só como sua obra prima, mas também como o filme mais perfeito já realizado pela Pixar. Na história do rato que quer ser chef em Paris, Bird imprimiu uma humanidade ausente na esmagadora maioria das produções que entopem os cinemas – humanidade que nos permite sonhar, que mostra que podemos ser tão gigantes quanto nossas aspirações nos libertam. Remy, o rato, é o sujeito que sonha grande, e que não deixa um contratempo besta – ora, ele é um rato – ficar no caminho de seu sonho. Isso diz um monte não para a petizada que lotou os cinemas porque Ratatouille é lindo, mas para todo mundo com arcada dentária completa que, um dia, sonhou como ele.

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8. GRINDHOUSE

De Quentin Tarantino (À Prova de Morte) e Robert Rodriguez (Planeta Terror). Com Kurt Russell, Josh Brolin, Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Bruce Willis, Rosario Dawson.

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Fora dos EUA, Grindhouse foi lançado como dois filmes, uma decisão comercial acertada. Mas uma decisão artística estúpida! A obra de Tarantino e Rodriguez não foi feita para ser mutilada, e sim aproveitada como uma experiência cinematográfica única, de mais de três horas de duração, intercalada por trailers sebosos de filmes que mal podemos esperar para assistir. Se a idéia era simular a sensação de aturar sessões contínuas de filmes vagabundos em pardieiros de quinta, Grindhouse é um vencedor. Minha sessão foi em um multiplex em Los Angeles, à meia-noite, com meia dúzia de incautos – e não poderia ser mais perfeita! Para mim, uma sessão “grindhouse” autêntica materializou-se repetidas vezes na adolescência, vendo podreiras em VHS com os amigos – indo mais longe, em matinês no extinto Cine Horizonte, de Maringá, que exibia sessões duplas de Conan, O Bárbaro com Mad Max 2 e filmes de kung fu (que eu testemunhei aos 9 anos). Planeta Terror e À Prova de Morte são perfeitos exemplares de cinema pop contemporâneo quando exibidos separadamente. Juntos, porém, são prova da formação de uma geração de cinéfilos à margem (e à prova) de intelectualismos idiotas e de análises que não procuram nada além de justificar o injustificável. Cinema como Grindhouse é uma experiência visceral e sem desculpas. Como o bom cinema deve ser.

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7. TROPA DE ELITE

De José Padilha. Com Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira.

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É caveira! Poucos filmes foram tão falados como Tropa de Elite. Menos ainda tiveram um público tão astronômico – seja do modo legal, no cinema; seja no modo preferido da rapaziada, como uma cópia pirata. Discutir se Tropa teria ou não mais público sem a polêmica que fez a alegria dos camelôs de todo o país é teorizar os Tostines. Mas o fato é que o filme de José Padilha é nervoso, como poucos tem coragem de ser no panorama ainda tão insípido do cinema nacional. Tropa foi visto, revisto e, além disso, foi assimilado. Seus diálogos viraram jargão pop; seus personagens, integrados à cultura nacional contemporânea; e o Capitão Nascimento, criado em uma interpretação brilhante de Wagner Moura, tornou-se uma das pouquíssimas criações cinematográficas brasileiras em todos os tempos a ter sobre vida. Sem falar que Tropa de Elite é um filme espetacular, que demonstra uma clara preocupação em, acima de tudo, ser cinema – e não tese furada, delírio autoral ou outra bobagem que domina o cinema feito por aqui. Tão genial, criou um debate sobre o que ele “é” ou “pretende ser” numa classe intelectual boboca que é incapaz de ver um filme de ação sem insistir em empurrar significados nas entrelinhas. O filme de Padilha, cru, violento e realista sem precisar ser documental, não precisa disso.

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6. SUPERBAD – É HOJE

De Greg Mottola. Com Michal Cera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, Seth Rogen.

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Judd Apatow tornou-se a bola da vez no cinema ianque em 2007. Ele e sua trupe revigoraram a comédia com a força de um furacão. E a fórmula não poderia ser mais simples: faça rir, seja grosseiro e vulgar, mas não perca a ternura. Foi assim na improvável história de amor Ligeiramente Grávidos. E é assim no genial Superbad. A comédia de Greg Mottola segue a mesma tradição de Porky’s em colocar adolescentes na rota das descobertas sexuais. O “plano” do trio Seth, Evan e Fogell (McLovin!!!) é simples: levar birita para a festa na casa de uma gata e, assim, transar com seu objeto do desejo. A jornada, no entanto, é tão recheada de personagens “de verdade”, de insegurança, humor, lealdade, amizade, cumplicidade e camaradagem que o trio nem precisava se esforçar tanto. O roteiro, bolado quando Seth Rogen e seu chapa Evan Goldberg tinham 16 anos, não tem nada de original e inovador – e talvez por isso seja tão fácil se identificar com cada personagem, com cada situação. Afinal, todo mundo já fez besteira quando adolescente. Poucos, no entanto, conseguem transformar as besteiras em ouro. Ponto para Apatow e Cia. E pra gente, claro.

Fique ligado em Kapow! nos próximos dias para os cinco melhores filmes de 2007 – e os dez melhores gibis do ano!