Melhores HQs de 2007, Parte 2…. e a nova SET!

terça-feira, 26 agosto, 2008

Ok, não foi exatamente “no dia seguinte”, mas as cinco melhores HQs do ano passado estão aí embaixo – mais o preview sensacional da SET de setembro!

5. Y – THE LAST MAN #60

(Texto: Bryan K. Vaughn; Arte: Pia Guerra)

Tecnicamente, a última edição da obra-prima de Vaughn e Guerra foi publicada na última semana de janeiro, mas como eu ia falar do último arco da série, que diabos, me processem. Como é praxe nas séries da Vertigo, Y – The Last Man foi criada com começo, meio e fim, com a ação de sessenta edições narrada em cinco anos num mundo pós-apocalíptico (e não há como descrever de outra maneira), em que todo mamífero com cromossomo y do planeta – ou seja, todos os machos – morreram misteriosamente ao mesmo tempo. O único sobrevivente foi o “escapista” Yorick Brown (e seu macaco, Ampersand). Ao longo da série, Vaughn, auxiliado pelo lápis elegante de Pia Guerra, não só mostrou as conseqüências devastadoras de um mundo sem homens como também apontou as causas para o evento – que, esticando a imaginação, foi algo cientificamente plausível – e como o planeta sobreviveria no futuro. No meio tempo, feminismo, militarismo, clonagem, viagens de ácido, intrigas e conspirações deram o tom, culminando numa edição de encerramento melancólica, triste e sublime – e, se você nunca leu Y – The Last Man, aconselho saltar para o próximo texto, já que vou falar sobre algumas coisas que compõem a edição.

Ainda aqui? Ok.

Depois da morte da agente 355 ao fim da edição 59 – a quem Yorick, com o fim da sua busca global por sua namorada, descobre estar realmente apaixonado –, não parecia mais ter sentido seguir a história, já que todos os pingos estavam nos is. Vaughn deu um salto temporal, mostrando que a humanidade perdurou com a ciência da clonagem, e com o próprio Yorick Brown, agora além de seus 70 anos, vivendo recluso – ou melhor, em confinamento – depois de tentar o suicídio. Como em toda a série, Vaughn não apresenta uma solução apressada, e com flashbacks bem colocados explica como ficou a mente do último homem da Terra quando o mundo foi, tecnicamente, salvo. O último painel da série, representando a grande incógnita que nossas “certezas” insistem em apontar, foi um desfecho sublime para uma das grandes histórias da literatura moderna. Uma série que, como muitas outras com o selo Vertigo, deixará saudades.

4. PUNISHER: WIDOWMAKER

(Texto: Garth Ennis; Arte: Lan Medina)

Garth Ennis entende o Justiceiro. Ou melhor, passou a entender depois que o título migrou para o selo Max da Marvel. Se antes Ennis fez do gibi do anti-herói uma pérola do humor negro, a mudança o fez criar as melhores tramas protagonizadas por Frank Castle desde sua estréia em Amazing Spider-Man 219. Não as melhores de hoje, veja bem: NUNCA o Justiceiro teve tramas tão boas, em toda sua trajetória, do que nas mãos de Garth Ennis e no selo Max – que vê o fim de uma era quando o roteirista abandonou o título mês passado na edição 60. Neste tempo, talvez “Widowmaker”, publicada nas edições de 43 a 49, tenha sido a melhor história do Justiceiro em todos os tempos. Não por ter sido a mais violenta, ou a mais original, muito menos a mais surpreendente. Mas Ennis conseguiu mostrar porque só Frank Castle é capaz de fazer o que faz, e como suas ações trazem conseqüências como uma pedra que perturba a placidez de um lago. O estopim é a união de viúvas de mafiosos mortos pelo Justiceiro, que se juntam para tocar um plano de vingança. Mas a irmã de uma delas – dada como morta quando seu marido, um cadáver também despachado por Castle que se divertia espancando a mulher e assistindo a ela satisfazer sexualmente seus amigos, cansou e se livrou dela. Seu retorno marca o início de uma história que revela a influência que Castle nem imagina ter, e também sua absoluta frieza ante os acontecimentos. “Widowmaker” é genial por não fazer concessões, por mostrar de maneira cruamente realista o que é o trabalho de Castle – e de seus alvos – e também por mostrar a conclusão mais impactante de uma série de quadrinhos em muito, muito tempo.

3. THE GOON: CHINATOWN

(Texto e arte: Eric Powell)

Em sua série semi-mensal, a criação de Eric Powell vive numa cidade infestada de zumbis, bruxas, monstros, aliens e outras esquisitices, numa atmosfera remanescente tanto dos quadrinhos da EC Comics (acompanhar o traço de Powell é como ler um Tales from the Crypt digitalmente pintado) quanto da literatura pulp. O Goon (ou Casca-Grossa, como foi chamado no único arco publicado no Brasil) é um brutamontes que supostamente trabalha para um mafioso e tenta manter um semblante de ordem em seu pedaço. Se a série é uma coleção de pérolas do non sense, encapsuladas no universo tecido por Powell, a graphic novel Chinatown (and the Mystery of Mr. Wicker) é uma obra-prima, uma trama fechada e acessível para quem nunca leu The Goon na vida. E, acima de tudo, é uma história de amor. Com estrutura fragmentada em flashbacks, Powell investiga o passado do Goon e como seu envolvimento com uma femme fatale enquanto consolidava a aliança com outros grupos criminosos quase pôs fim em sua vida do lado errado da lei. Ao mesmo tempo, um novo e misterioso criminoso rapta seu parceiro, o diminuto Franky (a base mais sólida da vida do anti-herói e, não raro, salva sua pele literal e metaforicamente), então Goon tem de voltar aos erros do passado para tentar salvar seu futuro – tudo num registro melancólico incomum para uma série pautada na violência cartunesca e na exploração do absurdo. Chinatown é como se A Marca da Maldade fosse dirigido por Guillermo Del Toro e depois impresso como HQ. É violento, é inesperado, é seco e tem alma. É um excelente ponto de partida para quem nunca leu a série. E é grande literatura, que joga o natural e o sobrenatural numa mistura com muita personalidade – palavra que faz muita falta à massa encefálica coletiva produzindo quadrinhos hoje, e que Eric Powell tem de sobra.

2. THE LEAGUE OF EXTRAORDINARY GENTLEMEN: BLACK DOSSIER

(Texto: Alan Moore; Arte: Kevin O’Neill)

Mr. Moore e Mr. O´Neill fizeram de novo. A mais recente aventura da Liga Extraordinária (e última por uma major) encaixa-se com brilhantismo ao lado dos dois primeiros tomos, e vai além. Talvez descontente em ver parte de sua obra sendo traduzida para outras mídias (colocando pingos nos is, as intermináveis discussões de como o autor não quer nem saber da adaptação para cinema de Watchmen), Moore criou uma obra que realmente não faz sentido a não ser como uma história em quadrinhos. E não como conteúdo, mas como forma: ao longo de suas 200 páginas, Black Dossier vê sua narrativa de quadrinhos “tradicionais” transfigurada sempre que os protagonistas – Mina Murray e Alan Quatermain, com os quais Moore conseguir uma solução genial para uma série mais longeva – abre o tal “dossiê negro”, que conta a história de todas as Ligas até então. A partir daí, a trama é narrada de acordo com a época e a mídia em que originalmente se situava, seja uma peça, uma narrativa em prosa, mapas, cartas e até uma masturbatória tijuana bible, gibi de sacanagem ao estilo Carlos Zéfiro – em um extraordinário trabalho de Kevin O´Neill. Em cada um destes pedaços, o tipo de papel usado na impressão é modificado, bem como seu tamanho, o que dá a ilusão de que a trama realmente é expandida além de nossa percepção normal. E, acredite, cada um destes pedaços é essencial não só para compreender o que está acontecendo como também para nos preparar para a novíssima série LOEG: Century, desta vez publicada (em três tomos) pela Top Shelf. Ah, a trama: saltando era Vitoriana das histórias originais para 1958, Mina e Quatermain precisam recuperar o Black Dossier e desvencilhar-se de três agentes da Coroa – o jovem espião Jimmy (ou melhor, James Bond, acertando a caracterização original de Ian Fleming até as vírgulas), Emma Night (antes de se tornar Emma Peel, estrela da série Os Vingadores) e Hugo Drummond (ou Bulldog Drummond, criação de Herman McNeile, um ex-combatente da Primeira Guerra que se tornou detetive). O clímax da nova aventura da Liga joga as convenções pela janela e lembra as alucinações de Promethea, com um encontro cósmico retratado em 3D – mais uma vez, essencial para a trama, e não apenas um gimmick. Quando inventa de criticar Hollywood, outros artistas ou filmes derivados de sua obra, Alan Moore pode ser indigesto e inconveniente. Mas é inegável que, após ler algo tão denso, detalhista e inacreditável como Black Dossier, “gênio” é a única palavra aplicável a ele.

1. LANTERNA VERDE: SINESTRO CORPS WAR

(Texto: Geoff Johns, Dave Gibbons e Peter J. Tomasi; Arte: Ivan Reis, Ethan Van Sciver, Patrick Gleason)

Histórias em quadrinhos são uma mídia propícia para contar histórias de qualquer gênero – seja terror, romance, comédia, o que seja. Mas, por conta de ícones como Superman ou Homem-Aranha, tornou-se sinônimo de super-heróis. E é em histórias coloridas que estes encontraram seu nicho mais tradicional. E mais abundante. E é aí que mora o problema. Há sete décadas, desde que o Homem de Aço começou seu vôo, o formato das histórias de super-heróis seque o esquema das soap operas: apesar das adaptações de cada época, elas seguem uma cronologia mais ou menos estabelecida, o que torna difícil a autores contemporâneos criar não só tramas de impacto, que tenham alguma relevância e que possam refletir em seus personagens no futuro próximo, mas também que possam criar algo comercialmente viável para que os super-heróis – e suas editoras, claro – continuem no horizonte. E os fãs não deixem de receber a dose de seus personagens favoritos. A moda atual são, claro, as “grandes sagas”, os megacrossovers que monopolizam atenção e polarizam os criadores de uma editora em torno de um único evento. Às vezes ele funciona muito bem (como em Guerra Civil ou no atual Secret Invasion, da Marvel). Outra, é uma confusão de dar dó (se você não consegue enxergar lógica em Contagem Regressiva, espere até ver o absurdo que é Crise Final…).

E, às vezes, tudo dá certo.

Sinestro Corps War não foi vendida como uma minissérie “fundamental”, um evento de repercussões cósmicas nem teve dezenas de one-shots e séries paralelas. Na verdade, a trama foi contida nas séries Green Lantern e Green Lantern Corps – mais quatro especiais – e conseguiu, sem esforço, unir o melhor de todos os mundos para uma aventura de super-heróis em quadrinhos: uma trama enxuta que mistura ação, aventura, ficção científica e drama num épico que redefine o papel da tropa dos Lanternas Verdes, amarra a saga da ressurreição do maior deles, Hal Jordan e, o principal, prepara terreno para o futuro – a próxima grande história dos Lanternas é The Blackest Night, em 2009. Tudo isso visualizado por um grupo de artistas encabeçado pelo brasileiro Ivan Reis, que nasceu para desenhar super-heróis e tornar a história um blockbuster como os de Michael Bay. Não existe nada muito denso ou metafórico em Sinestro Corps War (que está para começar no Brasil com o nome “A Guerra do Anel”). Não é pretensioso como Hulk Contra o Mundo, em que a Marvel deixa uma ótima premissa se diluir em dezenas de histórias ruins – aqui o texto gravita em torno de Geoff Johns, com Dave Gibbons e o excelente Peter Tomasi como auxílio luxuoso. Mas é divertido, visualmente deslumbrante e empolgante como poucas boas histórias. E o que mais a gente pode pedir de um bom gibi de super-heróis?

EXTRA! EXTRA! QUEM VIGIA OS VIGILANTES?

A SET, é claro. Começando nossa cobertura de Watchmen em grande estilo, a edição de setembro da melhor revista de cinema do Brasil traz reportagem exclusiva com os bastidores da adaptação da obra-prima de Alan Moore e Dave Gibbons – celebrada com quatro capas para você colecionar. Fomos às filmagens de Watchmen no Canadá, conversamos com o diretor e o elenco do filme em San Diego e também no Brasil – tudo para você não perder nada da difícil tarefa do diretor Zack Snyder em traduzir em som e luzes a criação de Moore e Gibbons. Aproveitando a deixa, adiantamos segredos de grandes filmes que estréiam nos cinemas do Brasil e do mundo até o fim do ano e além, com um aperitivo de O Exterminador do Futuro: A Salvação (e um pedaço de nossa entrevista exclusiva com o diretor McG), Harry Potter e o Enigma do Príncipe (que fomos conferir as filmagens em Londres), O Lobisomem, Wolverine, GI Joe e muitos outros. Quer mais? Direto de Budapeste, a gestação de Hellboy II: O Exército Dourado; das ruas de São Paulo, as filmagens de Ensaio Sobre a Cegueira; e um bate-papo exclusivo com os diretores de Linha de Passe, Walter Salles e Daniela Thomas. Fique de olho nas bancas, agarre as quatro capas e boa leitura.

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errr… Melhores HQs de 2007, parte 1

terça-feira, 19 agosto, 2008

O que posso dizer? Obrigações se atropelaram, mudanças ocorreram e a rotina mordeu um naco generoso de meus neurônios pop – como conseqüência, a lista de melhores gibis de 2007, finalizada pós-Carnaval, ficou guardadinha, esperando seu lugar ao Sol. Como boa parte das histórias a seguir sequer foi publicada no Brasil, o Top Ten 2007 Kapow! de HQs (pomposo, não?), permanece atual. Ah, vale explicar alguns critérios: basicamente, não entram republicações no bolo e, com uma única (e explicável) exceção, todas as histórias a seguir viram a luz ano passado – também não dividi entre “nacionais” e “gringos” porque, afinal, uma boa história é uma boa história, e ao inferno com sua origem. É, desculpas, desculpas… Sem mais delongas, vamos ao listão – a primeira parte vai hoje; a segunda, amanhã.

10. ALL-STAR SUPERMAN #9

(Texto: Grant Morrisson; Arte: Frank Quitely)


Grant Morrisson faz tudo parecer muito simples. A cada mês, All-Star Superman desfila as melhores histórias do Homem de Aço em décadas sem que elas precisem de um mega-crossover para funcionar, sem edições especiais, sem tomos de capa dura. No confinamento de um gibi comum, Morrisson desvenda o que faz o Superman ser o maior de todos os heróis, com uma reverência à sua história que nunca resvala na estupidez e no revisionismo. A cada edição, o escritor esmiuça uma parte da personalidade do herói, e no processo o torna mais humano – o que é uma contradição, já que na série o Superman está morrendo por overdose de poder e encontra-se mais forte do que nunca. Aqui, ele confronta dois Kriptonianos que tentam reerguer a “glória de Krypton” na Terra” à força, até serem derrotados por sua própria mortalidade. Alguém tem dúvida que All-Star Superman estará nessa lista novamente ano que vem?

9. THE UMBRELLA ACADEMY

(Texto: Gerard Way; Arte: Gabriel Bá)


Não é que eu tinha um pé atrás com uma série assinada pelo vocalista da banda emo My Chemical Romance: eu tinha certeza de que não passava de egotrip do astro do rock. Mas aí li a primeira edição. E havia algo muito peculiar neste grupo/família de super-heróis – uma mistura mais psicodélica de Quarteto Fantástico com X-Men – que se reúne em circunstâncias bizarras. Encarei a segunda edição e já era tarde: Gerard Way deixou de ser “o sujeito do My Chemical Romance” para se tornar um dos escritores mais promissores a aterrisar nas HQs, misturando a sensibilidade grotesca de Grant Morrisson em Patrulha do Destino com a dinâmica de anti-heróis que Chris Claremont imprimiu nos X-Men em seus tempos áureos. A arte, então, é um capítulo à parte. O brasileiro Gabriel Bá (que eu sempre confundo com seu irmão, Fábio Moon, foi mal, Bá) aperfeiçoa em seu estilo ecos de Mike Mignola sem nunca perder a identidade que o destacou ainda no quadrinho independente brasileiro. Ele abraça o “gênero super-heróis” com voracidade, ainda que seja tão distoante do mainstream: é arte de fato.

8. ASTONISHING X-MEN #23

(Texto: John Whedon; Arte: John Cassaday)


Habitando um universo compacto dentro dos próprios meandros editoriais da Marvel, a série bancada por Whedon e Cassaday é a melhor tradução dos heroi mutantes desde que Grant Morrisson os reinventou com os trajes de couro negro. Mas, nas mãos do criador de Buffy, X-Men é uma equipe de super-heróis sem entrelinhas, e Whedon sabe exatamente como nos enamoramos dos mutantes em primeiro lugar. Nesta edição em particular, recentemente publicada no Brasil, ele engloba tudo que faz dos X-Men os melhores: o melodrama, a ação hipercinética, a personalidade bem definida de cada um e um “flashback” espetacular, que me fez voltar a duas, três edições atrás com um “ah, fala sério!” gigante estampado no rosto. “A mim, meus X-Men”, entoado por um Ciclope mostrando porque afinal é o líder da equipe, é de arrepiar – assim como a conclusão desta saga.

7. SHORTCOMINGS

(Texto e arte: Adrian Tomine)


Criador da espetacular série Optic Nerve, Adrian Tomine é um historiador do homem comum. Como poucos autores – em qualquer mídia – ele entende que o mundo contemporâneo vive mergulhado em sarcasmo, mesmice, correção política e outras doenças modernas que parecem travar nossa evolução como espécie. Caso em questão, o gerente de cinema Ben Tanaka, protagonista de sua primeira graphic novel. De origem nipônica, ele namora com Miko, uma descendente de japoneses (que vive para “reafirmar” sua herança) e sua melhor amiga é outra nissei, lésbica, que não dura muito em nenhum de seus relacionamentos. Quando Miko dá um break e vai morar em Nova York, Ben aproveita para fazer um balanço de sua vida – o que não significa nenhuma introspecção, ou o menor esforço para ele lidar com sua total inabilidade em se relacionar com pessoas, e sim sexo com mulheres diversas (e não-asiáticas, de preferência) e a demolição de cada bobagem erguida pela juventude “correta” contemporânea – “artistas” e “malditos” muito parecidos com os indies brasileiros. De traços econômicos, Tomine faz seu discurso sobre intolerância e preconceito disfarçado de dramédia romântica moderna. Mas sua intenção não é doutrinar ou tomar partido: é mostrar como as pequenas coisas mudam o rumo de nossa vida. E ser um cronista das pequenas coisas é o que faz dele – e de Shortcomings – grande.

6. A MORTE DO CAPITÃO AMÉRICA

(Texto: Ed Brubaker; Arte: Steve Epting)


Matar um personagem de relevância, na esmagadora maioria das vezes, é recurso de roteirista capenga ou desespero da editora por baixas vendas. Bom, Brubaker está longe de ser “capenga” e nem a Marvel ou o título do Capitão América estavam mal das pernas. Ainda assim, sobrou a terceira alternativa para tirar Steve Rogers de cena: contar uma boa história. Desde que Brubaker (e o incomparável Steve Epting) relançaram o título do Capitão há mais de dois anos, ele tornou-se menos um “super-herói” e mais uma trama de ação e espionagem, um James Bond com mascara. Veio a Guerra Civil, heróis tomaram lados e Steve Rogers foi preso – no epílogo, terminou assassinado justamente por Sharon Carter, sua amante, que tinha a mente controlada pelas maquinações do Caveira Vermelha. O mais impressionante é que, depois da morte de Rogers, o título manteve-se com o mesmo ritmo e o mesmo senso de urgência, com o plot politico de Brubaker desenvolvendo-se ao mesmo tempo em que aumentavam as apostas de quem seria o próximo a empunhar o escudo do herói. Um ano se passou. Steve Rogers continua morto. As conseqüências são sentidas com força no atual blockbuster Secret Invasion. E Capitão América continua sendo um dos títulos mais sólidos da Marvel.

Comi Con, Dia 5: Fim de festa e, claro, a capa da SET de Agosto…

segunda-feira, 28 julho, 2008

Hoje eu finalmente dormi! Alguns painéis de séries de TV, muitos eventos pra criançada, e eu deixei a parte profissional da Comic Con descansar. Hoje o negócio foi dar uma última mega volta pelo salão principal, a feira mesmo, aproveitar os descontos em gibis e em tralhas, deixar o bolso mais leve e fechar a lojinha. No saldo final, a Comic Con 2008 teve grandes surpresas (o teaser de Wolverine com a aparição-relâmpago de Hugh Jackman), recepções de coçar a cabeça (acho que nem os fanboys sabem o que fazer com Watchmen ainda) e aplausos entusiasmados (Terminator Salvation foi o “vencedor” da Con este ano). Nada, claro, que se compare com o hype gerado por Homem de Ferro ano passado. Nos próximos Kapow!, e também nas futuras edições de SET, vou falar com mais detalhes sobre alguns painéis, entrevistas e, principalmente, os gibis que levo na mala para o Brasil.

Ah, e a turma da Empire também se despede da Comic Con 2008.

James, Sam e Chris, da Empire, posam para Kapow!. Que tristeza...

James, Sam e Chris, da Empire, posam para Kapow!. Que tristeza...

Isso, alegria alegria!

Isso, alegria alegria!

(mas devolve minha máscara de Joker goon, Hewitt!!!)

(mas devolve minha máscara de Joker goon, Hewitt!!!)

Eu também. Para encerrar a “transmissão” e sem olhar para trás, a capa da edição de agosto de SET. Na verdade, uma capa que demorou para sair, mas que a gente fechou com um orgulho absurdo! José Mojica Marins é o cara, e você vai ler a cobertura mais completa de Encarnação do Demônio nas páginas de SET. Nas bancas em alguns dias. Até a volta!

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José Mojica Marins, o Zé do Caixão, em agosto na capa de SET

Comic Con, dia 4: Taran-tan-tanTAN! Taran-tan-tanTAN!

domingo, 27 julho, 2008

Finalmente!

Convention Center de San Diego entupido de gente, reações mais entusiasmadas aos painéis e parece que a coisa esquentou. Mas, francamente, eu não esperava que a reação da platéia de quase 7 mil nerds ao painel de Terminator Salvation fosse tão positiva. Principalmente quando o sujeito no leme do filme é McG, diretor de As Panteras (e sua continuação), sujeito odiado sabe-se lá por que pela nerdarada. Mas é fato: McG sabe comandar uma multidão, e o público dançou direitinho sua música. Mas não foi sem motivo. O material que ele exibiu do quarto O Exterminador do Futuro foi sensacional, com um vislubre do mundo pós-apocalíptico sugerido na primeira trilogia. O ano é 2018, uma década antes da guerra que a gente viu em T1 e T2. A Skynet, depois do Dia do Julgamento, está aperfeiçoando suas máquinas de matar, os humanos sobreviventes organizam, aos poucos, a resistência, e John Connor (Christian Bale, que não apareceu mas ouviu os urros da platéia quando McG lhe deixou um recado no celular) cada vez se torna mais certo de seu papel. Ah, e se você leu o “final” sugerido num “roteiro vazado”, McG garante que faz parte da campanha de “desinformação” do estúdio. Ah, e talvez o governador volte à série… mas não neste filme, já que os Exterminadores de Salvation serão T-600, que tinham “pele de borracha” sobre o exoesqueleto, como Kyle Reese (Michael Biehn) informou no filme original de James Cameron. A melhor reação foi quando um fã asiático que se apresentou como Tim fez uma pergunta com o sotaque austríaco de Arnold Schwarzenegger e foi convidado por McG ao palco, ao lado de dois outros fãs, uma vestida como Sarah Connor em T2 e outro como o T-1000, com buracos de bala e uma polaroid de John Conner (ou Edward Furlong), com a qual ele perguntou “Vocês viram este garoto?”. Um barato! Depois do painel, ainda participei de uma coletiva com diretor e elenco e, no fim da tarde, bati um papo com McG – em breve você confere tudo isso em SET.

Outro papo bacana foi com Frank Miller e com sua produtora de The Spirit, Deborah Del Prete. Miller explicou melhor o processo de criação do filme e de como vai equilibrar sua carreira a partir de agora – para resumir, ele se diz um artista que agora tem diferentes mídias à disposição para seu trabalho, e inclusive acabou de bolar uma HQ que seria perfeita para ser lançada para celulares. Como The Spirit é da Lions Gate, foi impossível não comentar a boataria de que a diretora de Punisher: War Zone (do mesmo estúdio), Lexi Alexander, fora defenestrada pelos executivos. E é fato, Del Prete diz que ela foi afastada e o filme pode não ter mais sua visão. Se foi ou não uma escolha acertada, ainda é para lá de cedo para dizer. Mas é um saco ver um estúdio colocando as mãos nas decisões de seus artistas. Curiosamente, a mesma Lions Gate foi detonada por Clive Barker antes da exibição de The Midnight Meat Train.

E deixo aqui os parabéns de Kapow! pra turma de brasileiros que deixa a Comic Con com um prestigiado Eisner Award na mala. Gabriel Bá, que ganhou ao lado de Gerard Way o prêmio de melhor minissérie pela sensacional The Umbrella Academy; e o prêmio de melhor antologia foi para 5, de Bá com seu irmão, Fabio Moon, mais Rafael Grampá, Becky Cloonan e Vasilis Lolos.

Para encerrar o sabadão, fui ao cinema ver Hellboy II. Uma belezinha de filme! Mas, como eu disse, O Cavaleiro das Trevas fez o favor de estragar 2008 para mim…

Até amanhã, com o encerramento da festa (e a capa da SET de agosto, por que eu sou legal).

O painel de Terminator Salvation

O painel de Terminator Salvation

McG (e Sam Worthington, que interpreta o misterioso Marcus) falam com a rapaziada

McG (e Sam Worthington, que interpreta o misterioso Marcus) falam com a rapaziada

McG e... Tim, o Schwarza do Oriente!

McG e... Tim, o Schwarza do Oriente!

O T-1000 e Sarah Connor... riiiiiight...

O T-1000 e Sarah Connor... riiiiiight...

Ok, eu não sei o que diabos era isso.

Ok, eu não sei o que diabos era isso.

Sam, Anton eachin (que é o jovem Kyle Reese em Terminator Salvation) e Moon Bloodgood, que mira neste que vos escreve...

Sam, Anton Yelchin (que é o jovem Kyle Reese em Terminator Salvation) e Moon Bloodgood, que mira neste que vos escreve...

... e dispara!

... e dispara!

McG em momento Hamlet

McG em momento Hamlet

As ruas de San Diego, tomadas por lunáticos criminosos...

As ruas de San Diego, tomadas por lunáticos criminosos...

Será que os EUA estão preparados para um presidente Jedi?

Será que os EUA estão preparados para um presidente Jedi?

Joshua Jackson apresenta Fringe (que um dia eu confiro em DVD...)

Joshua Jackson apresenta Fringe (que um dia eu confiro em DVD...)

Indy! Lego!

Indy! Lego!

Homem-Aranha e o foco indigente de Roberto Sadovski...

Homem-Aranha e o foco indigente de Roberto Sadovski...

Episódio 1

Watchmen Props: Episódio 1

A Missão

Watchmen Props 2: A Missão

o Confronto Final

Watchmen Props: o Confronto Final

Eu avisei o moço que ele já podia respirar...

Eu avisei o moço que ele já podia respirar...

Arrebenta ele, Chewie!

Arrebenta ele, Chewie!

err... eu não acho que eram fantasias...

err... eu não acho que eram fantasias...

Yo... Joe?

Yo... Joe?

Tá legal, ao vivo ficou menos tosco...

Tá legal, ao vivo ficou menos tosco...

Eu adoro meu trabalho!!!

Eu adoro meu trabalho!!!

Jonathan Frakes, em sorriso e pança.

Jonathan Frakes, em sorriso e pança.

Eu mencionei que conversei com Rhona Mitra sobre o terceiro Underworld? Ah, tá...

Eu mencionei que conversei com Rhona Mitra sobre o terceiro Underworld? Ah, tá...

Eu mencionei que conversei com Bill Nighy sobre o terceiro Underworld? Ah, tá...

Eu mencionei que conversei com Bill Nighy sobre o terceiro Underworld? Ah, tá...

Eu não tinha sentido vergolha alheia até esse momento...

Eu não tinha sentido vergolha alheia até esse momento...

Quase todas as lojas, restaurantes, bares, o diabo, cercando o Convention Center tinham esse adesivo. Bacana, não?

Quase todas as lojas, restaurantes, bares, o diabo, cercando o Convention Center tinham esse adesivo. Bacana, não?

Frank Miller sabe o Mal que se esconde no coração dos homens...

Frank Miller sabe o Mal que se esconde no coração dos homens...

Comic Con, Dia 3: Watchmen e a… eletricidade

sábado, 26 julho, 2008

Ok, vou direto ao ponto: a Comic Con 2008 está morna. Pronto, falei. Está morna, sem pique, sem… eletricidade! Ano passado sempre existia uma certa empolgação no ar, uma mistura de feirão com show de rock. Pois bem, os shows estão mais para Coldplay do que para Rage Against The Machine. Veja o caso de Watchmen. Hall H lotadaço, platéia enfileirada desde as 7 da manhã. A imprensa, então, espremida num vão embaixo da tela, sem espaço sequer para ver o que era exibido (menos este que vos escreve, que usou os bons contatos para ficar num lugar mais bacana – como já dizia o Faith no More, “being good gets you stuff”). Eis que surge o elenco principal do filme, seguido do diretor Zack Snyder. Novas imagens do filme exibidas (dentro do contexto, ainda mais espantosas do que no trailer, com o Dr. Manhattan explodindo vietcongues em um pipoco de sangue, misturada a cenas mais serenas de cada personagem, inclusive um sorriso assustador do Comediante para a Espectral – uma “cantada” que, quem leu a série, sabe bem como termina).

Daí veio o problema: aplausos contido, entusiasmados até. O mesmo clima se repetiu no painel do filme de Frank Miller, The Spirit (as cenas que o diretor selecionou mostram que a tecnologia para bolar maluquices digitais não pára nunca de evoluir). Mas nada que fizesse o chão reverberar como Homem de Ferro ano passado. Ou Homem-Aranha 3 no anterior. A verdade é que a Con foi mesmo tomada, domesticada pela máquina de marketing dos grandes estúdios. É um lugar de grandes anúncios (RoboCop por Aronowski, Red Sonja com Rose McGowan) e de poucas novidades. Um paradoxo, que reflete na atmosfera incrivelmente morosa do salão principal – lotado como nunca, diga-se. Deve ser um saco para quem faz a cobertura online, o hard news do evento, já que de “news” a Comic Con pouco traz além do marketing mastigado. Para a SET é outro papo, já que, sem a preocupação de jogar tudo para você, caro leitor, na velocidade da luz, encontramos espaço para entrevistas mais longas (e exclusivas) que damos aos poucos, em matérias mais completas.

Com a Comic Con chegando ao fim em dois dias, eu ainda espero que o sábado reserve boas surpresas (Terminator Salvation é o grande filme de hoje). Mas já estou resignado. Ano que vem, com mais coisas da Marvel – uma turma ótima que domina a platéia como poucos -, quem sabe a Con não recupere o gás?

Antes de mais uma batelada de fotos, fechei a noite com dois filmes. Step Brothers, com Will Ferrell e John C. Reilly, estreou hoje por aqui e é uma bomba. Já na madrugada, foi com Jeff Buhler, roteirista de The Midnight Meat Train, conferir a adaptação da história curta de Clive Barker que li há bons quinze anos. Forte, muito forte…

Com a imagem de Vinnie Jones estraçalhando crânios em mente, despeço-me!

E o pessoal espera por Watchmen...

E o pessoal espera por Watchmen...

E êi-los!

E êi-los!

Jackie Haley Earle (Rorschach) e Jeffrey Dean Morgan (o Comediante)

Jackie Earle Haley (Rorschach) e Jeffrey Dean Morgan (o Comediante)

Male xxxxxx (Laurie xxxxxxx, a Espectral II), Patrick Wilson (o Coruja) e Carla Gugino (Sally Júpiter, a Espectral I)

Malin Akerman (Laurie Juspeczyk, a Espectral II), Patrick Wilson (o Coruja) e Carla Gugino (Sally Júpiter, a Espectral I)

O venerável Zack Snyder

O venerável Zack Snyder

Mathew Goode (Ozymandias) e Billy Crudup (Dr. Manhattan)

Mathew Goode (Ozymandias) e Billy Crudup (Dr. Manhattan)

Frank Miller, a produtora xxxxxxxxxxxxxx e Sam Jackson no painel de The Spirit

Frank Miller, a produtora Deborah Del Prete e Sam Jackson no painel de The Spirit

A... errr... Liga da Justiça...

A... errr... Liga da Justiça...

Maquete de Halloweentown, de O Estranho Mundo de Jack, que custa a miséria de 25 mil dólares...

Maquete de Halloweentown, de O Estranho Mundo de Jack, que custa a miséria de 25 mil dólares...

Sim, é o Capitão América. O original, da série Truth (não leu? culpa da Panini...)

Sim, é o Capitão América. O original, da série Truth (não leu? culpa da Panini...)

Que detalhista esse.... modelo do Jabba, não?

Que detalhista esse.... modelo do Jabba, não?

É, muito interessante mesmo...

É, muito interessante mesmo...

Tão bacana que eu passaria o resto da Con fotografando... é, o Jabba...

Tão bacana que eu passaria o resto da Con fotografando... é, o Jabba...

Chucky, tamanho natural, precinho irreal...

Chucky, tamanho natural, precinho irreal...

A DC colocou em seu booth alguns pôsteres com novas imagens de Watchmen. Como esse ai...

A DC colocou em seu booth alguns pôsteres com novas imagens de Watchmen. Como esse aí...

... ou este. E desculpem o cabeção do cabeção.

... ou este. E desculpem o cabeção do cabeção.

Lou Ferrigno. Mas de longe, para ele não cobrar pela foto...

Lou Ferrigno. Mas de longe, para ele não cobrar pela foto...

E com esse pedaço delicado de marketing da __________, vendendo o filme ____________, encerro por hoje. See ya!

E com esse pedaço delicado de marketing da __________, vendendo o filme ____________, encerro por hoje. See ya!

Comic Con, Dia 2: Os Vampiros-Emo e todo o resto…

sexta-feira, 25 julho, 2008

O Hall H da Comic Con é o já famoso lugar de nascimento, entre outras coisas, do hype positivíssimo de Homem de Ferro. Mas precisa ser bem usado. Exemplo em questão: quando você pretende mostrar material de um de seus principais filmes – como, sei lá, Wolverine… – é de bom tom não fazer da coisa uma surpresa. Principalmente quando sua apresentação é a primeira do dia e não vai repercutir em entrevistas com a imprensa… Sei lá, estou pensando alto.

A verdade é que a quinta-feira foi atípica. Ou melhor, condizente com os novos tempos da Con. Mais cheia, mais bervosa, mais movimentada – e atrasadas feito o diabo. Para você ter uma idéia do quanto, entrevistas marcadas para as 4 da tarde começaram às 5 e meia, sendo reduzidas a um bate-papo rápido em forma de mini-coletiva. Ainda que, do outro lado, Guy Ritchie e Gerard Butler, veterano da Comic Con, seguraram bem a onda com um bem vindo bom humor na maratona de RocknRolla. A apresentação para os seis mil malucos no Hall H, por sinal, foi tiração de sarro geral.

Para os que gostam de neo-fenômenos, conversei com o elenco de Twilight, o livro/filme de vampiros para a geração emo, e nunca vi um elenco tão assustado com a reação de fãs antes – era como um bando de misses antes do desfile. Mas é bacana perceber esse tipo de entusiasmo sem estar contaminado com incontáveis entrevistas, autógrafos, etc. A diretora de Twilight, Catherine Hardwicke, passou parte da entrevista com papo de comadre sobre o Rio, que ela adorou em sua visita ao Brasil (quando a entrevistei pela primeira vez) no lançamento de Aos Treze. Ela é uma riponga simpática, fascinada de maneira saudável (ao contrário de, digamos, Larry Clark) com o universo adolescente – tema de Aos Treze, Os Reis de Dogtown e, por que não, Jesus – A História da Natividade. Ou seja, por mais diferente que Twilight possa parecer em sua biografia, são águas familiares.

Aproveitei para dar uma bela caminhada (e torrar algumas doletas) pelo salão principal da Con, e nenhuma palavra é mais mágica do que “desconto”!

Acabado (mais uma vez), e com as costas esmigalhadas, despeço-me com mais uma batelada de fotos. Comentário nerd: nunca achei que, antes de empacotar, eu veria tão de perto a nave do Coruja de Watchmen. Está aí embaixo.

Ah, eu esqueci de falar ontem: a noite foi encerrada numa sessão de Trovão Tropical, a comédia adulta, sarcástica e sacana de Ben Stiller. Saí cmo o maxilar doendo de tanto rir!

Dormir, amanhã a apresentação de Watchmen é cedinho…

A diretora Catherine Hardwicke e xxxxxxxxxxxx, autora da série de livros Twilight

A diretora Catherine Hardwicke e Stephenie Meyer, autora da série de livros Twilight

Essa turma estava procurando o diretor de casting do teiceiro Batman (volume 2...).

Essa turma estava procurando o diretor de casting do teiceiro Batman (volume 2...).

Por que chamar os Caça-Fantasmas...

Por que chamar os Caça-Fantasmas...

... quando é bem melhor chamar "as" Caça-Fantasmas?

... quando é bem melhor chamar "as" Caça-Fantasmas?

Owl Ship de Watchmen, parte um...

Owl Ship de Watchmen, parte um...

Owl Ship de Watchmen (você já adivinhou), parte dois...

Owl Ship de Watchmen (você já adivinhou), parte dois...

Bond não foi para a Con. Só seu carro.

Bond não foi para a Con. Só seu carro.

A-ha! Este ai não é um fã, e sim um sujeito contratado pela DC para promover o game DC Universe.

A-ha! Este aí não é um fã, e sim um sujeito contratado pela DC para promover o game DC Universe.

O Sombra no booth da Lions Gate? Não, o Spirit...

O Sombra no booth da Lions Gate? Não, o Spirit...

Justiceiro postiço no booth da Lions Gate.

Justiceiro postiço no booth da Lions Gate.

Eu adoro meu trabalho!

Eu adoro meu trabalho!

Eu adoro meu trabalho!!

Eu adoro meu trabalho!!

Várias horas se passaram, e eu ainda estou rindo...

Várias horas se passaram, e eu ainda estou rindo...

Wolverine. O poster-teaser do filme. Mas você já sabia.

Wolverine. O poster-teaser do filme. Mas você já sabia.

O Homem de Ferro aproveita a fama recém-adquirida. Ao fundo, um sujeito verde.

O Homem de Ferro aproveita a fama recém-adquirida. Ao fundo, um sujeito verde.

Ok, ok, este sujeito verde!

Ok, ok, este sujeito verde!

Eu quero um!

Eu quero um!

E, pelo terceiro ano seguido, Stormtrooper Elvis!

E, pelo terceiro ano seguido, Stormtrooper Elvis!

O desenhista Fabio Yabu viu essa foto e me perguntou se era feita de cadáveres de verdade. Yabu! Yabu!!

O desenhista Fabio Yabu viu essa foto e me perguntou se era feita de cadáveres de verdade. Yabu! Yabu!!

Robert Culp e...

Robert Culp e...

... William Katt, mortos-vivos de O Super-Herói Americano, que estará de volta em uma série de quadrinhos.

... William Katt, mortos-vivos de O Super-Herói Americano, que estará de volta em uma série de quadrinhos.

O teaser de Goon - O Filme...

O teaser de Goon - O Filme...

... e o detalhe importantissimo.

... e o detalhe importantíssimo.

Pode ser efeito de O Cavaleiro das Trevas, mas oq ue mais se via eram membros da batfamilia na Con.

Pode ser efeito de O Cavaleiro das Trevas, mas oq ue mais se via eram membros da batfamília na Con.

A turma de RocknRolla.

A turma de RocknRolla.

Vai! Tenta não rir!

Vai! Tenta não rir!

Eu adoro meu trabalho!!!

Eu adoro meu trabalho!!!

Essa engenhoca é um veiculo de GI Joe, o filme.

Essa engenhoca é um veículo de GI Joe, o filme.

Uma espécie em extinção (a máquina, já que nerds são eternos).

Uma espécie em extinção (a máquina, já que nerds são eternos).

Eu adoro meu trabalho!!!!

Eu adoro meu trabalho!!!!

Uma pitada de contexto...

Uma pitada de contexto...

... and that's a wrap, folks. Amanhã tem mais (eu espero... rs..).

... and that's a wrap, folks. Amanhã tem mais (eu espero... rs..).

Comic Con, Dia 1: One Man Army!

quinta-feira, 24 julho, 2008

Quase uma da manhã em San Diego – ou seja, quase 5 da madruga para meu corpo combalido pela ponte SP/Houston/SD, jet lag e um almoço difícil de descrever no bar que se orgukha de ser “a vergonha de San Diego”. Mas a “opening night” da Comic Con – três horinhas em que alguns milhares de mortais caminharam pelo salão principal da mais importante feira de quadrinhos (para sem bem simplista, claro) do mundo – foi um aperitivo do que está por vir nos dias a seguir. Sim, a nave do Coruja, de Watchmen, está exposta. Assim como coisas bacanas de filmes como The Spirit (que parece onipresente na Con deste ano), Goon (sim, uma produção de David Fincher), Quantum of Solace e muitos etcéteras. A partir de amanhã compartilho pouco da cobertura com vocês, mas sem a agonia de mostrar tudo (o que, francamente, seria impossível) e apontando onde e quando vocês terão detalhes dos… detalhes. Basicamente, na SET. Mas, como sempre (é meu terceiro ano de Comic Con), será uma jornada divertida, com fotos, vídeos, bizarrices e participações especiais. As fotos aí embaixo são apenas um aperitivo. Enjoy!

Gente pra dedéu esperando para pegar a confirmação da festa (menos eu, que não enfrentei fila para a credencial de imprensa).

Gente pra dedéu esperando para pegar a confirmação da festa (menos eu, que não enfrentei fila para a credencial de imprensa).

Quase 6 da tarde, e a muvuca já se acotovelava em uma das dezenas de entradas para o piso principal da Con.

Quase 6 da tarde, e a muvuca já se acotovelava em uma das dezenas de entradas para o piso principal da Con.

Quem vigia os... ah, você vai descobrir...

Quem vigia os... ah, você vai descobrir...

Nào, o Han Solo em carbonita não está à venda!

Não, o Han Solo em carbonita não está à venda!

xxxxxxxx, da Top Shelf, compartilha algumas memórias inesperadas com o Rei do Rock (E.V., gênio!).

Chris Staros, da editora Top Shelf, compartilha algumas memórias inesperadas com o Rei do Rock (E.P., gênio!).

O booth da DC, cheio de gente atrás de brindes (como em todos os outros...).

O booth da DC, cheio de gente atrás de brindes (como em todos os outros...).

Eu quero o Coruja...

Eu quero o Coruja...

... a Espectral, Rorschach...

... a Espectral, Rorschach...

... os Minutemen dos anos 40...

... os Minutemen dos anos 40...

... e estes dois tamanho-familia, o Comediante e, de novo, Rorschach.

... e estes dois tamanho-família, o Comediante e, de novo, Rorschach.

No booth da Marvel, o Monge de Ferro. Sem convidado...

No booth da Marvel, o Monge de Ferro. Sem convidado...

... e com convidado!

... e com convidado!

Holy shit, Batman!

quarta-feira, 9 julho, 2008
The Dark Knight poster 1

The Dark Knight poster 1

2008 acaba de ficar mais triste.

Não, minto. 2008 nos cinemas tornou-se menos interessante. Sério. Batman – O Cavaleiro das Trevas é, sim, tudo aquilo que a gente andou lendo por aí nas últimas semanas. Peraí, correção de novo: é mais. É um filme que merece as hipérboles que andou colecionando, as comparações com O Poderoso Chefão II, Fogo Contra Fogo, À Beira do Abismo. Merece também adjetivos como “maravilhoso, espetacular, perfeito”. É uma expectativa quase impossível para qualquer filme seguir e/ou superar, mas o novo torpedo de Christopher Nolan acerta. Em todos os alvos.

E o principal motivo para tanto foi justamente não ser um “filme de super-heróis”.

Batman

Batman

Então, caríssimos, não é em Kapow! que você vai ler que O Cavaleiro das Trevas é “o melhor filme de super-heróis da história” ou “a melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos”, simplesmente por ele não estar nessa categoria. Na falta de um “gênero” mais abrangente, o filme é um drama policial, pontuado por mortes, violência, investigação criminal, corrupção, drogas e vigilantismo – embalado numa estética moderna e nunca menos que espetacular (é notório o salto da qualidade da fotografia de Wally Pfister), que deixaria Howard Hawks ou John Huston orgulhosos. É o filme que Martin Scorsese não teria problemas em colocar ao lado de pérolas como Táxi Driver, é o amadurecimento do filme policial moderno, que teve seu pontapé inicial pop com Fogo Contra Fogo, de Michael Mann. E é, em seu cerne, a jornada de um homem incorruptível que cede ante a loucura de uma cidade.

Seu nome é Harvey Dent.

Aaron Eckhart é Harvey Dent

Aaron Eckhart é Harvey Dent

Desde que Batman – O Cavaleiro das Trevas deixou de ser apenas uma idéia, Christopher Nolan deixou claro que o filme não só seguiria o gancho do final de Batman Begins, com o tenente Gordon entregando uma carta de baralho do Coringa para o Batman, como também ele não tinha o menor interesse em explorar a gênese do Palhaço do Crime. “Anarquia” é a palavra-síntese do personagem interpretado por Heath Ledger (encontrado morto em 22 de janeiro), que encontra uma Gotham City com seu submundo apavorado com a presença do Batman e propõe, sem muito rodeio, matar o herói. Ao mesmo tempo, Bruce Wayne (Christian Bale) começa a questionar seu papel como símbolo da esperança numa cidade apodrecida e passa a enxergar esse papel em Dent (Aaron Eckhart), recém-eleito promotor público e força incorruptível na caçada aos mafiosos de Gotham, que aos poucos percebem que seu tempo é coisa do passado. É a jornada de Harvey, sua cruzada moral e o modo como o Batman e o Coringa o empurram ou para a luz ou para a escuridão que se desenvolve a trama do filme. Mas não fica por aí – isso na verdade é resvalar na superfície!

Heath Ledger é o Coringa

Heath Ledger é o Coringa

Batman – O Cavaleiro das Trevas traz tantas tramas paralelas que é preciso atenção redobrada para perceber quais engrenagens estão em movimento. Sem falar que é um filme em que todos os personagens recebem atenção especial do roteiro (escrito por Chris Nolan e seu irmão, Johnathan, a partir de uma idéia do diretor e de David S. Goyer, que trabalhou no texto de Batman Begins). Jim Gordon ganha um arco que desenvolve sua relação com a família e seu papel no intrincado jogo arquitetado por Batman. Lucius Fox (Morgan Freeman) vê-se, a certa altura, ante um dilema moral que pode comprometer seu futuro ao lado de Bruce Wayne. Rachael Dawes (Maggie Gyllenhaal, no lugar que fora de Katie Holmes em Begins) coloca-se entre os dois homens que representam a esperança da cidade. Os mafiosos de Gotham ganham face, especialmente a de Salvatore Maroni (Eric Roberts), que tenta reorganizar o crime com a ausência de Carmine Falcone (que Tom Wilkinson interpretou em Begins). É em torno da prisão dos criminosos que gira parte de trama de O Cavaleiro das Trevas, que leva o Cruzado de Capa até Hong Kong em busca de um empresário peça-chave para colocar os bandidos atrás das grades – sua abdução é uma das seqüências mais empolgantes do novo filme, que também mostra maior apuro de Nolan no comando de cenas de ação. O Batman, desta vez, mostra como dar conta de dezenas de criminosos de uma vez só quase em um plano único, como em sua primeira cena, uma ponta-relâmpago do Espantalho (Cillian Murphy), que também revela a necessidade de um novo traje para o herói.

Este é, por sinal, um dos aspectos mais fascinantes deste mundo criado por Nolan para o Batman no cinema: tudo tem um motivo para existir, cada mudança é uma conseqüência orgânica da trama. Como o fantástico Batpod, que surge em uma das cenas que deve arrancar mais aplausos da platéia. Ou o mergulho nas trevas de Harvey Dent, que é absorvido por sua cruzada contra o crime e torna-se um dos personagens mais ambíguos e fascinantes do universo do Morcego, o Duas Caras. Sua desgraça nunca é gratuita, e é empurrada por ações caóticas de um homem que testa não só os limites de Dent ou do Batman, mas também da cidade inteira. Ambivalência moral e os limites da sanidade num candidato a blockbuster do verão ianque é só uma das evidências de que, com O Cavaleiro das Trevas, Nolan mirou em criar um filme que transcende gêneros.

Gary Oldman é James Gordon

Gary Oldman é James Gordon

E que traz um ator no auge de sua habilidade, o que dimensiona ainda mais sua tragédia. Os fãs de Jack Nicholson podem começar a chorar, já que Heath Ledger criou o Coringa perfeito em qualquer mídia. Ele não é um palhaço, não é um sujeito que chama a atenção com gritos e caretas e risadas. Nas mãos de Ledger, o Coringa é um masoquista que pouco se preocupa com seu passado (ele inventa pelo menos duas versões durante o filme), um louco que provavelmente despertou de sua letargia quando Gotham foi tomada pelo Batman – e ele enxergou, finalmente, alguém digno de sua atenção. Os planos do Coringa vão além de dinheiro, além do sadismo sem propósito, além da ultraviolência que marca suas aparições. Como ele se define, é um cachorro que corre atrás do carro, mas não faz idéia o que fazer se o alcançar. Em sua loucura, porém, ele levanta um espelho que mostra quem nós somos e quem podemos nos tornar – e para onde a balança pende quando desespero e medo da morte entram na mistura. Ledger fez dele o anarquisra perfeito, e sua imprevisibilidade dá o tom e carrega o filme. Ao contrário de outros (ótimos) blockbusters como Homem de Ferro ou Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, jornadas que trafegam em terreno familiar, o desfecho de Batman – O Cavaleiro das Trevas é uma incógnita a partir do primeiro segundo. Mas é um caminho que revela arquitetos da arte de fazer cinema travestido de entertainers. Estejam eles atrás das câmeras, sob o manto do Morcego ou em algum lugar inatingível, talvez observando seu legado e seu talento materializados num sorriso aberto com uma navalha.

O Cavaleiro das Trevas na SET de julho!

sexta-feira, 27 junho, 2008

Ok, ok, junho foi um mês devagar em atualizações em Kapow!. Mas, entre aeroportos e dois continentes, foi difícil manter as idéias no lugar. Já comentei que passei um dia no set de GI Joe em Praga, outro no set de The Wolf Man em Londres, descansei dois dias em São Paulo e parti para Los Angeles para o lançamento de O Procurado – o Ricardo Matsumoto também caiu na estrada para conferir as filmagens de O Elo Perdido, enquanto André Gordirro colocou um par de óculos polarizados em Nova York para assistir a Viagem ao Centro da Terra em 3D. Para você ver que cinema acontece no mundo todo, e não só em “Hollywood”… Mas garanto que trocaria qualquer uma delas para estar na pele do Salem, que encontra-se em LA para o lançamento de Batman – O Cavaleiro das Trevas (é, ele vai conferir no melhor cinema iMax da Califórnia…). O melhor filme de 2008 até agora? Leia o que SET achou na edição de julho, que chega às bancas semana que vem (e com um tiquinho de atraso) com uma reportagem completa sobre o novo filme do Homem-Morcego, em que Christopher Nolan transforma o Coringa em agente do caos eleva o “filme de super-heróis” a outro patamar. Matéria completa, com entrevistas com Nolan, Christian Bale, Aaron Eckhart e cia., mais a crítica do filme, perfil do Coringa e outras surpresas.

Como julho não é feita só de Batman, SET também traz matéria sobre Hancock, e como o novo filme com Will Smith passou de aventura subversiva a um filme bacana mas sem seu edge – pode esperar sem medo uma versão do diretor com a famigerada “cena do trailer”. No mesmo dia de Hancock, também chega aos cinemas Kung Fu Panda, que SET acompanha com matéria completa sobre o “anti-Shrek” da DreamWorks. A revolução do cinema 3D é representada justamente por Viagem ao Centro da Terra, que conferimos em Nova York (viajar, viajar…) em reportagem exclusiva, investigando uma das alternativas para salvar da pirataria a experiência de ver um filme na sala escura e numa telona. Para completar, entrevista exclusiva com o criador da série Arquivo X – e diretor do novo longa, Eu Quero Acreditar -, Chris Carter (que está louco para surfar no Rio de Janeiro e em breve aporta num país aqui ao lado…).

SET de julho está quase nas bancas. Para quem gosta de cinema, por quem gosta de cinema.

Christian Bale como Batman em O Cavaleiro das Trevas

Incrível, é o Hulk!

quinta-feira, 12 junho, 2008

Semana passada, entre Praga (no set de GI Joe) e de volta a Londres (dando um pulo nas filmagens de The Wolfman), peguei uma sessão de O Incrível Hulk. Ainda bem que a agonia do “eu vi primeiro, eu vi primeiro!!!” ainda não me contaminou. Nada como dar um tempo para digerir o filme com cuidado, prestando atenção em detalhes e, na hora de compartilhar a experiência com vocês, a coisa não sair destrambelhada. Vamos ao verdão. O filme de Louis Leterrier é, afinal, bom? A resposta, com certo alívio, é sim. Seguindo o caminho aberto por Homem de Ferro no começo da temporada, o segundo filme da Marvel é uma aventura acelerada, bem resolvida e contida em pouco menos de duas horas, mas com uma enxurrada de referências que deixa os fãs salivando para 2010, quando o estúdio libera mais dois filmes. Ainda assim, O Incrível Hulk não é uma aventura tão satisfatória e completa como Homem de Ferro. Para resumir o problema, o filme não é cool o bastante.

Como eu mesmo já comentei na reportagem de capa da edição de junho de SET, O Incrível Hulk é um restart da série, e em nada se relaciona com o filme que Ang Lee dirigiu em 2003 – diga-se, um filme nunca menos que espetacular. Mas aparentemente os fãs queriam o bom e velho “Hulk esmaga!”, e não o épico introspectivo e cerebral de Lee, com direito a um clímax psicodélico que Frank Brunner não conseguiu tecer nem nas tramas mais alucinadas do Dr. Estranho. Além disso, com O Incrível Hulk a Marvel buscou um filme que se encaixasse na concepção de seu “universo cinematográfico”, mais coeso e interrelacionado, em que personagens de filmes diferentes habitassem o mesmo mundo. Assim, o filme de Louis Leterrier chega coalhado de referências ao mundo Marvel dos gibis – ainda mais que Homem de Ferro. Além de óbvias referências às Indústrias Stark, são mencionados a SHIELD (e seu diretor, Nick Fury), Jack McGee e Jim Wilson (personagem da série de TV e dos gibis, respectivamente) e, de forma onipresente, o Capitão América. Muito mais do que possa se imaginar…

O filme começa com um rápido flashback da origem do verdão – mais uma vez longe dos gibis, agora próxima à da série de TV – e logo nos coloca na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Bruce Banner (Edward Norton) está escondido, trabalhando numa fábrica de refrigerante, e procurando não só controlar a fera que habita seu corpo, mas também um modo de eliminá-la de vez. Ele é descoberto pelo exército e logo o General Ross (William Hurt) arma uma tropa para trazê-lo de volta. Até então, o caos trazido pelo Hulk é discreto, fica restrito às sombras – mas sua presença incomoda o soldado Emil Blonsky, que logo torna-se obcecado em capturar a fera. Ou, como fica lentamente claro, em conseguir seu poder. Para tanto, ele submete-se a uma experiência conduzida por trás das cortinas pelo General Ross, que coloca as mãos no Soro do Supersoldado, desenvolvido na Segunda Guerra Mundial, para aplicá-lo em Blonsky. Assim, o soro que criou o Capitão América é usado, e o Hulk, agora acuado no campus de uma universidade, quando Banner reaproximou-se de Betty Ross (Liv Tyler), enfrenta Blonsky versão Supersoldado. Com o fracasso, é questão de tempo até Emil ter seu sangue contaminado por radiação gama, e o resultado é a criação do Abominável e um impressionante quebra-pau nas ruas de Nova York.

O bacana em O Incrível Hulk é que todas essas seqüências são amarradas com velocidade, mas a mudança de atitude de Banner em relação a seu alter-ego nunca parece apressada ou sem motivação. Aos poucos ele percebe que seu destino pode, sim, estar ligado à criatura de maneira positiva, mesmo que ainda incontrolável. Ao contrário do Hulk mostrado no filme de Ang Lee, desta vez o monstro verde parece desenvolver mais inteligência a cada transformação, como uma criança que aprende com os erros e raciocina soluções, ainda que num nível muito primário. É claro que os fãs vão adorar quando ele finalmente berrar seu “Hulk esmaga!” tradicional! Além disso, claro, os fãs vão adorar o modo como O Incrível Hulk encaixa-se no mundo sugerido em Homem de Ferro e o expande. Um exemplo de que esse é definitivamente um mundo hiper-realista são as armas sônicas que o exército utiliza contra o verdão – mais gibi, impossível. Embora a participação de Leonard Samson (Ty Burrell) seja tímida, o cientista Samuel Sterns (Tim Blake Nelson) tem papel decisivo na trama, mostra óbvia fascinação pelas implicações biológicas abertas pelo Hulk e despede-se de cena com uma introdução nada sutil a seu alter-ego, o Líder (talvez num próximo filme…).

Uma cena que ficou de fora, no entanto, foi um prólogo no Ártico, em que Banner possivelmente encontraria o corpo congelado do Capitão América – cena confirmada para este que vos escreve por Leterrier e pelo produtor Kevin Feige. Um rápido telefonema e Feige me conta que eles decidiram não incluir a cena por destoar do resto do filme, por ser uma cena mais pesada – mas ela não só estará disponível online em breve como será disponibilizada no DVD do filme. Mais uma cortina de fumaça? Para garantir, é bom ficar até o fim dos créditos mais uma vez… (Ah, essa não é informação “exclusiva” porque isso é o conceito mais estúpido do planeta…).

O que nos traz de volta ao fator “O Incrível Hulk é bacana, mas não é cool”. Existem coisas que são intangíveis, reações que terminam sendo particulares com a bagagem e a expectativa de cada pessoa na sala escura. Homem de Ferro trazia uma energia dinâmica, representada pelo imprevisível Tony Star de Robert Downey Jr (que aparece em O Incrível Hulk com mais ecos do que pode ser tornar Vingadores em celulóide). O filme de Jon Favreau é elétrico, é uma experiência narrativa e também sensorial. Sob esse prisma, não existe absolutamente nada de errado em O Incrível Hulk. Apesar de algumas soluções apressadas no roteiro – e a geografia por vezes implausível -, o filme é dirigido com firmeza, mesmo em suas porções mais dramáticas. Não deixa a desejar como filme de ação – em especial o clímax, que mostra o encontro de duas criaturas de poder inimaginável. O elenco funciona à perfeição, especialmente Ed Norton. É bem humorado na medida certa e traz mimos para os fãs repetirem a dose.

Mas, inexplicavelmente, não agarra pelo estômago, não é eufórico e não traz impressões duradouras como, mais uma vez, Homem de Ferro. Pode ser que o cuidado extremo, causado pela lembrança ainda firme do Hulk de Ang Lee, tenha arrancado um pouco da espontaneidade do filme. Talvez o personagem se preste mais à introspecção que o colorido vingador dourado. Homem de Ferro é definitivamente cool. O Incrível Hulk é um filme jóia. Se isso é pouco, o veredito está em suas mãos.