Archive for the ‘quadrinhos’ Category

De olho em Watchmen

quarta-feira, 25 fevereiro, 2009

Agora que a correria do Oscar ficou para trás (alguém consegue se lembrar de alguma cerimônia mais chata, óbvia e sonolenta?) e o Carnaval é uma lembrança (ainda me espanto com os gritalhões reclamando que a Globo não transmitiu a cerimônia, sendo que foi a decisão mais inteligente da emissora em anos), começamos a olhar para o futuro. Com capricho. Watchmen é, claro, a capa da edição de março de SET. E como é tradição, você vai encontrar a cobertura mais completa da adaptação da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, com estrevistas com o elenco, nossa visita ao set do filme, o começo de sua jornada há duas décadas, as tentativas anteriores de adaptar a obra, Watchmen na visão de Paul Greengrass – tudo e mais ainda numa matéria caprichada como a gente gosta de fazer. Ah, e também o veredicto: SET assistiu ao filme antes da folia momesca, mas vou segurar meus comentários em Kapow! para a semana de estréia (a crítica da SET é deste que vos escreve). Uma dica: se você leu Watchmen, esqueça a série. Se você nunca leu, a hora de começar é depois de ver o filme. De qualquer forma, não é Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Este mês SET também traz uma entrevista exclusiva com Joaquin Phoenix, que estréia seu último filme, Two Lovers, para se dedicar à carreira de rapper. É, rapper. Ele agora é JP. Pirado no programa do David Letterman, Phoenix conversou com SET sem mascar chiclete e menos alucinado – mas a conclusão sobre essa guinada eu deixo em suas mãos, caro leitor.

Também conferimos o remake de O Menino da Porteira, assinado pelo mesmo diretor do filme de 1977, agora com Daniel no lugar de Sérgio Reis. Ei, antes de você reclamar, eu só tenho quatro palavrinhas: 2 Filhos de Francisco. Embora eu ache que não seja o caso…

Semana que vem parto para Los Angeles, começando nossa cobertura dos filmões do verão ianque com T4 e Star Trek. Em seguida, coloco aqui minha lista dos 10 melhores filmes de 2008 (10 mesmo, e não 11 como foi ano passado). Logo depois, melhores gibis e melhores CDs.

Enjoy!

Os Watchmen enfeitam a capa de SET

Os Watchmen enfeitam a capa de SET

Flagg!, Aranha, capa, etc…

quarta-feira, 24 setembro, 2008

Quase um mês sem Kapow!, mas por uma boa causa: em breve, SET estará experimentando grandes mudanças… GRANDES mudanças! Revista, site – tudo está prestes a ganhar um terno novo. “Três botões é meio anos 90, sr. Wayne”, diria Lucius Fox. Nossa resposta seria a mesma do velho Bruce.

Mas isso é o futuro.

Por enquanto vou dar uma geral no presente.

COMEDIANTE CHAMA

com uma arma assim, você diria não a um pedido do sujeito?

Jeffre Dean Morgan como o Comediante: com uma arma assim, você diria não a um pedido do sujeito?

Quando divulguei as capas da edição de setembro aqui em Kapow!, não esperava uma reação tão absurda dos fãs! Algum de vocês mandou as quatro capas com os personagens de Watchmen para o Superhero Hype, e a coisa espalhou como fogo em palha. Logo, todos os sites e blogs bacanas de cinema do mundo – e os mais legais do Brasil também – estavam divulgando a SET de setembro (devo um almoço a vocês, rapazes). E um dos “watchmen” também estava de olho: Jeffrey Dean Morgan, o Comediante, viu a SET na internet, entrou em contato com a redação e pediu alguns exemplares. Pedido feito, pedido resolvido. Tá no correio! Por falar em nova capa… bom, amanhã embarco pra Los Angeles, sexta coloco a de outubro no ar. Pra variar, matéria exclusivo de SET (e, não, a gente não “descobriu” que 2009 tem Superman novo… hehehehe…)

O PESO DE FLAGG!

American Flagg! pesou na mala, mas não vejo nenhuma editora no Brasil se prontificando a lançar...

American Flagg! pesou na mala, mas não vejo nenhuma editora no Brasil se prontificando a lançar...

Comprei o mega encadernado da série American Flagg!, de Howard Chaykin, em San Diego durante a Comic Con. Mas, como tempo não é grátis, só consegui ler quando estava na Califórnia semana passada (SET cobriu com exclusividade o que rola na Disney pós-John Lasseter, em breve você lê na revista). Claro, American Flagg! já havia sido lançado (porcamente) no Brasil – duas vezes e incompleta. A série inteira, ou melhor, as doze primeiras edições, representa o melhor das mentes criativas dos anos 80, não devendo nadinha a clássicos seminais. Na série traçada por Chaykin, ambientada em 2032, os EUA estão em frangalhos como potência (a sede do governo é em Marte), e o que restou é administrado por grandes corporações – na verdade, um colosso chamado Plex, dividido em shopping centers pelo país. É no Plex de Chicago que conhecemos Reuben Flagg, ex-ator (substituído por uma animação digital, o futuro é isso aí) transformado em agente da lei – ou ranger – que enfrenta violência, corrupção e o poder da mídia, não necessariamente nessa ordem. Com arte primorosa e sexy feito o diabo, American Flagg! trouxe um retrato exagerado (mas nem por isso menos realista) do mundo de hoje, criado por Chaykin há mais de vinte anos. A arte imita a vida, etc. Se algum produtor esperto abrir os olhos, American Flagg! é filme pronto!

ARANHA DE PRIMEIRA

Não é uma bobagem para seguir a trama de Homem-Aranha 3 - é uma história sensacional do Cabeça de Teia!

Não é uma bobagem para seguir a trama de Homem-Aranha 3 - é uma história sensacional do Cabeça de Teia!

Ok, “Um Dia a Mais”, que está saindo no Brasil sem muito alarde pela Panini, foi uma solução ridícula para um não-problema – num passe de mágica (magia negra, claro, já que foi pelas mãos de Mefisto), o Homem-Aranha deixou de ser casado, Tia May deixou de estar às portas da morte, o mundo deixou de saber que Peter Parker é o herói, Harry Osborne deixou de adubar algum cemitério… e todo o resto ficou mais ou menos como sempre. Amazing Spider-Man, único título (e semanal) do Cabeça de Teia passou a se ajustar a essa nova realidade, e aos poucos a solução porca parou de azedar a boca, já que as histórias com o novo status quo estavam, bizarramente, muito boas. Claro, parecia também que toda a evolução que o Aranha experimentou em duas décadas tinha virado pó, já que a série, sob a bandeira Brand New Day, tinha um feeling setentista. O que é bom (é a melhor época do herói) e péssimo (se eu quero aquele feeling, releio os clássicos, oras) ao mesmo tempo. Mas parecia um sopro de criatividade, ainda que irregular.

Nada como ter paciência, não?

Há pouco mais de um mês, já abandonando a bandeira Brand New Day, Amazing Spider-Man começou uma nova saga, “New Ways to Die”. É a volta de Eddie Brock – agora como um bizarro Anti-Venom! É Dan Slott escrevendo como gente grande! É Normal Osborne (e seus Thunderbolts) de volta à vida do Aranha! E, principalmente, é o melhor desenhista do Teioso em todos os tempos – John Romita Jr., claro – assumindo o lápis. Aparentemente somente durante essa saga, mas a gente pode sonhar, não? De repente, ler Homem-Aranha se tornou um prazer novamente, com um equilíbrio absurdo de humor, ação, drama e ganchos matadores no fim de cada parte. Em mais ou menos um ano chega no Brasil. Acredite, vale a pena mil vezes!

O Anti-Venom pode parecer um conceito estúpido... mas quem se importa? É desenhado por John Romita Jr.!

O Anti-Venom pode parecer um conceito estúpido... mas quem se importa? É desenhado por John Romita Jr.!

SET, REVISTA SET…

Volte sexta para ver a capa da SET de outubro em toda sua glória!

Volte sexta para ver a capa da SET de outubro... mas não é tão difícil assim adivinhar quem está nela, certo?

Sexta-feira, logo depois de bater papo com Ridley Scott, Russell Crowe e Leonardo DiCaprio, dou um pulo em Kapow! para mostrar a nova capa. Caríssimo, você que espalhou a edição de setembro pela net, um doce se fizer de novo. Ah, e se eu ver alguma celebridade andando pelas ruas de Los Angeles, pode deixar que eu não sou caipira e não vou contar a vocês. Fala sério, né.

Melhores HQs de 2007, Parte 2…. e a nova SET!

terça-feira, 26 agosto, 2008

Ok, não foi exatamente “no dia seguinte”, mas as cinco melhores HQs do ano passado estão aí embaixo – mais o preview sensacional da SET de setembro!

5. Y – THE LAST MAN #60

(Texto: Bryan K. Vaughn; Arte: Pia Guerra)

Tecnicamente, a última edição da obra-prima de Vaughn e Guerra foi publicada na última semana de janeiro, mas como eu ia falar do último arco da série, que diabos, me processem. Como é praxe nas séries da Vertigo, Y – The Last Man foi criada com começo, meio e fim, com a ação de sessenta edições narrada em cinco anos num mundo pós-apocalíptico (e não há como descrever de outra maneira), em que todo mamífero com cromossomo y do planeta – ou seja, todos os machos – morreram misteriosamente ao mesmo tempo. O único sobrevivente foi o “escapista” Yorick Brown (e seu macaco, Ampersand). Ao longo da série, Vaughn, auxiliado pelo lápis elegante de Pia Guerra, não só mostrou as conseqüências devastadoras de um mundo sem homens como também apontou as causas para o evento – que, esticando a imaginação, foi algo cientificamente plausível – e como o planeta sobreviveria no futuro. No meio tempo, feminismo, militarismo, clonagem, viagens de ácido, intrigas e conspirações deram o tom, culminando numa edição de encerramento melancólica, triste e sublime – e, se você nunca leu Y – The Last Man, aconselho saltar para o próximo texto, já que vou falar sobre algumas coisas que compõem a edição.

Ainda aqui? Ok.

Depois da morte da agente 355 ao fim da edição 59 – a quem Yorick, com o fim da sua busca global por sua namorada, descobre estar realmente apaixonado –, não parecia mais ter sentido seguir a história, já que todos os pingos estavam nos is. Vaughn deu um salto temporal, mostrando que a humanidade perdurou com a ciência da clonagem, e com o próprio Yorick Brown, agora além de seus 70 anos, vivendo recluso – ou melhor, em confinamento – depois de tentar o suicídio. Como em toda a série, Vaughn não apresenta uma solução apressada, e com flashbacks bem colocados explica como ficou a mente do último homem da Terra quando o mundo foi, tecnicamente, salvo. O último painel da série, representando a grande incógnita que nossas “certezas” insistem em apontar, foi um desfecho sublime para uma das grandes histórias da literatura moderna. Uma série que, como muitas outras com o selo Vertigo, deixará saudades.

4. PUNISHER: WIDOWMAKER

(Texto: Garth Ennis; Arte: Lan Medina)

Garth Ennis entende o Justiceiro. Ou melhor, passou a entender depois que o título migrou para o selo Max da Marvel. Se antes Ennis fez do gibi do anti-herói uma pérola do humor negro, a mudança o fez criar as melhores tramas protagonizadas por Frank Castle desde sua estréia em Amazing Spider-Man 219. Não as melhores de hoje, veja bem: NUNCA o Justiceiro teve tramas tão boas, em toda sua trajetória, do que nas mãos de Garth Ennis e no selo Max – que vê o fim de uma era quando o roteirista abandonou o título mês passado na edição 60. Neste tempo, talvez “Widowmaker”, publicada nas edições de 43 a 49, tenha sido a melhor história do Justiceiro em todos os tempos. Não por ter sido a mais violenta, ou a mais original, muito menos a mais surpreendente. Mas Ennis conseguiu mostrar porque só Frank Castle é capaz de fazer o que faz, e como suas ações trazem conseqüências como uma pedra que perturba a placidez de um lago. O estopim é a união de viúvas de mafiosos mortos pelo Justiceiro, que se juntam para tocar um plano de vingança. Mas a irmã de uma delas – dada como morta quando seu marido, um cadáver também despachado por Castle que se divertia espancando a mulher e assistindo a ela satisfazer sexualmente seus amigos, cansou e se livrou dela. Seu retorno marca o início de uma história que revela a influência que Castle nem imagina ter, e também sua absoluta frieza ante os acontecimentos. “Widowmaker” é genial por não fazer concessões, por mostrar de maneira cruamente realista o que é o trabalho de Castle – e de seus alvos – e também por mostrar a conclusão mais impactante de uma série de quadrinhos em muito, muito tempo.

3. THE GOON: CHINATOWN

(Texto e arte: Eric Powell)

Em sua série semi-mensal, a criação de Eric Powell vive numa cidade infestada de zumbis, bruxas, monstros, aliens e outras esquisitices, numa atmosfera remanescente tanto dos quadrinhos da EC Comics (acompanhar o traço de Powell é como ler um Tales from the Crypt digitalmente pintado) quanto da literatura pulp. O Goon (ou Casca-Grossa, como foi chamado no único arco publicado no Brasil) é um brutamontes que supostamente trabalha para um mafioso e tenta manter um semblante de ordem em seu pedaço. Se a série é uma coleção de pérolas do non sense, encapsuladas no universo tecido por Powell, a graphic novel Chinatown (and the Mystery of Mr. Wicker) é uma obra-prima, uma trama fechada e acessível para quem nunca leu The Goon na vida. E, acima de tudo, é uma história de amor. Com estrutura fragmentada em flashbacks, Powell investiga o passado do Goon e como seu envolvimento com uma femme fatale enquanto consolidava a aliança com outros grupos criminosos quase pôs fim em sua vida do lado errado da lei. Ao mesmo tempo, um novo e misterioso criminoso rapta seu parceiro, o diminuto Franky (a base mais sólida da vida do anti-herói e, não raro, salva sua pele literal e metaforicamente), então Goon tem de voltar aos erros do passado para tentar salvar seu futuro – tudo num registro melancólico incomum para uma série pautada na violência cartunesca e na exploração do absurdo. Chinatown é como se A Marca da Maldade fosse dirigido por Guillermo Del Toro e depois impresso como HQ. É violento, é inesperado, é seco e tem alma. É um excelente ponto de partida para quem nunca leu a série. E é grande literatura, que joga o natural e o sobrenatural numa mistura com muita personalidade – palavra que faz muita falta à massa encefálica coletiva produzindo quadrinhos hoje, e que Eric Powell tem de sobra.

2. THE LEAGUE OF EXTRAORDINARY GENTLEMEN: BLACK DOSSIER

(Texto: Alan Moore; Arte: Kevin O’Neill)

Mr. Moore e Mr. O´Neill fizeram de novo. A mais recente aventura da Liga Extraordinária (e última por uma major) encaixa-se com brilhantismo ao lado dos dois primeiros tomos, e vai além. Talvez descontente em ver parte de sua obra sendo traduzida para outras mídias (colocando pingos nos is, as intermináveis discussões de como o autor não quer nem saber da adaptação para cinema de Watchmen), Moore criou uma obra que realmente não faz sentido a não ser como uma história em quadrinhos. E não como conteúdo, mas como forma: ao longo de suas 200 páginas, Black Dossier vê sua narrativa de quadrinhos “tradicionais” transfigurada sempre que os protagonistas – Mina Murray e Alan Quatermain, com os quais Moore conseguir uma solução genial para uma série mais longeva – abre o tal “dossiê negro”, que conta a história de todas as Ligas até então. A partir daí, a trama é narrada de acordo com a época e a mídia em que originalmente se situava, seja uma peça, uma narrativa em prosa, mapas, cartas e até uma masturbatória tijuana bible, gibi de sacanagem ao estilo Carlos Zéfiro – em um extraordinário trabalho de Kevin O´Neill. Em cada um destes pedaços, o tipo de papel usado na impressão é modificado, bem como seu tamanho, o que dá a ilusão de que a trama realmente é expandida além de nossa percepção normal. E, acredite, cada um destes pedaços é essencial não só para compreender o que está acontecendo como também para nos preparar para a novíssima série LOEG: Century, desta vez publicada (em três tomos) pela Top Shelf. Ah, a trama: saltando era Vitoriana das histórias originais para 1958, Mina e Quatermain precisam recuperar o Black Dossier e desvencilhar-se de três agentes da Coroa – o jovem espião Jimmy (ou melhor, James Bond, acertando a caracterização original de Ian Fleming até as vírgulas), Emma Night (antes de se tornar Emma Peel, estrela da série Os Vingadores) e Hugo Drummond (ou Bulldog Drummond, criação de Herman McNeile, um ex-combatente da Primeira Guerra que se tornou detetive). O clímax da nova aventura da Liga joga as convenções pela janela e lembra as alucinações de Promethea, com um encontro cósmico retratado em 3D – mais uma vez, essencial para a trama, e não apenas um gimmick. Quando inventa de criticar Hollywood, outros artistas ou filmes derivados de sua obra, Alan Moore pode ser indigesto e inconveniente. Mas é inegável que, após ler algo tão denso, detalhista e inacreditável como Black Dossier, “gênio” é a única palavra aplicável a ele.

1. LANTERNA VERDE: SINESTRO CORPS WAR

(Texto: Geoff Johns, Dave Gibbons e Peter J. Tomasi; Arte: Ivan Reis, Ethan Van Sciver, Patrick Gleason)

Histórias em quadrinhos são uma mídia propícia para contar histórias de qualquer gênero – seja terror, romance, comédia, o que seja. Mas, por conta de ícones como Superman ou Homem-Aranha, tornou-se sinônimo de super-heróis. E é em histórias coloridas que estes encontraram seu nicho mais tradicional. E mais abundante. E é aí que mora o problema. Há sete décadas, desde que o Homem de Aço começou seu vôo, o formato das histórias de super-heróis seque o esquema das soap operas: apesar das adaptações de cada época, elas seguem uma cronologia mais ou menos estabelecida, o que torna difícil a autores contemporâneos criar não só tramas de impacto, que tenham alguma relevância e que possam refletir em seus personagens no futuro próximo, mas também que possam criar algo comercialmente viável para que os super-heróis – e suas editoras, claro – continuem no horizonte. E os fãs não deixem de receber a dose de seus personagens favoritos. A moda atual são, claro, as “grandes sagas”, os megacrossovers que monopolizam atenção e polarizam os criadores de uma editora em torno de um único evento. Às vezes ele funciona muito bem (como em Guerra Civil ou no atual Secret Invasion, da Marvel). Outra, é uma confusão de dar dó (se você não consegue enxergar lógica em Contagem Regressiva, espere até ver o absurdo que é Crise Final…).

E, às vezes, tudo dá certo.

Sinestro Corps War não foi vendida como uma minissérie “fundamental”, um evento de repercussões cósmicas nem teve dezenas de one-shots e séries paralelas. Na verdade, a trama foi contida nas séries Green Lantern e Green Lantern Corps – mais quatro especiais – e conseguiu, sem esforço, unir o melhor de todos os mundos para uma aventura de super-heróis em quadrinhos: uma trama enxuta que mistura ação, aventura, ficção científica e drama num épico que redefine o papel da tropa dos Lanternas Verdes, amarra a saga da ressurreição do maior deles, Hal Jordan e, o principal, prepara terreno para o futuro – a próxima grande história dos Lanternas é The Blackest Night, em 2009. Tudo isso visualizado por um grupo de artistas encabeçado pelo brasileiro Ivan Reis, que nasceu para desenhar super-heróis e tornar a história um blockbuster como os de Michael Bay. Não existe nada muito denso ou metafórico em Sinestro Corps War (que está para começar no Brasil com o nome “A Guerra do Anel”). Não é pretensioso como Hulk Contra o Mundo, em que a Marvel deixa uma ótima premissa se diluir em dezenas de histórias ruins – aqui o texto gravita em torno de Geoff Johns, com Dave Gibbons e o excelente Peter Tomasi como auxílio luxuoso. Mas é divertido, visualmente deslumbrante e empolgante como poucas boas histórias. E o que mais a gente pode pedir de um bom gibi de super-heróis?

EXTRA! EXTRA! QUEM VIGIA OS VIGILANTES?

A SET, é claro. Começando nossa cobertura de Watchmen em grande estilo, a edição de setembro da melhor revista de cinema do Brasil traz reportagem exclusiva com os bastidores da adaptação da obra-prima de Alan Moore e Dave Gibbons – celebrada com quatro capas para você colecionar. Fomos às filmagens de Watchmen no Canadá, conversamos com o diretor e o elenco do filme em San Diego e também no Brasil – tudo para você não perder nada da difícil tarefa do diretor Zack Snyder em traduzir em som e luzes a criação de Moore e Gibbons. Aproveitando a deixa, adiantamos segredos de grandes filmes que estréiam nos cinemas do Brasil e do mundo até o fim do ano e além, com um aperitivo de O Exterminador do Futuro: A Salvação (e um pedaço de nossa entrevista exclusiva com o diretor McG), Harry Potter e o Enigma do Príncipe (que fomos conferir as filmagens em Londres), O Lobisomem, Wolverine, GI Joe e muitos outros. Quer mais? Direto de Budapeste, a gestação de Hellboy II: O Exército Dourado; das ruas de São Paulo, as filmagens de Ensaio Sobre a Cegueira; e um bate-papo exclusivo com os diretores de Linha de Passe, Walter Salles e Daniela Thomas. Fique de olho nas bancas, agarre as quatro capas e boa leitura.

errr… Melhores HQs de 2007, parte 1

terça-feira, 19 agosto, 2008

O que posso dizer? Obrigações se atropelaram, mudanças ocorreram e a rotina mordeu um naco generoso de meus neurônios pop – como conseqüência, a lista de melhores gibis de 2007, finalizada pós-Carnaval, ficou guardadinha, esperando seu lugar ao Sol. Como boa parte das histórias a seguir sequer foi publicada no Brasil, o Top Ten 2007 Kapow! de HQs (pomposo, não?), permanece atual. Ah, vale explicar alguns critérios: basicamente, não entram republicações no bolo e, com uma única (e explicável) exceção, todas as histórias a seguir viram a luz ano passado – também não dividi entre “nacionais” e “gringos” porque, afinal, uma boa história é uma boa história, e ao inferno com sua origem. É, desculpas, desculpas… Sem mais delongas, vamos ao listão – a primeira parte vai hoje; a segunda, amanhã.

10. ALL-STAR SUPERMAN #9

(Texto: Grant Morrisson; Arte: Frank Quitely)


Grant Morrisson faz tudo parecer muito simples. A cada mês, All-Star Superman desfila as melhores histórias do Homem de Aço em décadas sem que elas precisem de um mega-crossover para funcionar, sem edições especiais, sem tomos de capa dura. No confinamento de um gibi comum, Morrisson desvenda o que faz o Superman ser o maior de todos os heróis, com uma reverência à sua história que nunca resvala na estupidez e no revisionismo. A cada edição, o escritor esmiuça uma parte da personalidade do herói, e no processo o torna mais humano – o que é uma contradição, já que na série o Superman está morrendo por overdose de poder e encontra-se mais forte do que nunca. Aqui, ele confronta dois Kriptonianos que tentam reerguer a “glória de Krypton” na Terra” à força, até serem derrotados por sua própria mortalidade. Alguém tem dúvida que All-Star Superman estará nessa lista novamente ano que vem?

9. THE UMBRELLA ACADEMY

(Texto: Gerard Way; Arte: Gabriel Bá)


Não é que eu tinha um pé atrás com uma série assinada pelo vocalista da banda emo My Chemical Romance: eu tinha certeza de que não passava de egotrip do astro do rock. Mas aí li a primeira edição. E havia algo muito peculiar neste grupo/família de super-heróis – uma mistura mais psicodélica de Quarteto Fantástico com X-Men – que se reúne em circunstâncias bizarras. Encarei a segunda edição e já era tarde: Gerard Way deixou de ser “o sujeito do My Chemical Romance” para se tornar um dos escritores mais promissores a aterrisar nas HQs, misturando a sensibilidade grotesca de Grant Morrisson em Patrulha do Destino com a dinâmica de anti-heróis que Chris Claremont imprimiu nos X-Men em seus tempos áureos. A arte, então, é um capítulo à parte. O brasileiro Gabriel Bá (que eu sempre confundo com seu irmão, Fábio Moon, foi mal, Bá) aperfeiçoa em seu estilo ecos de Mike Mignola sem nunca perder a identidade que o destacou ainda no quadrinho independente brasileiro. Ele abraça o “gênero super-heróis” com voracidade, ainda que seja tão distoante do mainstream: é arte de fato.

8. ASTONISHING X-MEN #23

(Texto: John Whedon; Arte: John Cassaday)


Habitando um universo compacto dentro dos próprios meandros editoriais da Marvel, a série bancada por Whedon e Cassaday é a melhor tradução dos heroi mutantes desde que Grant Morrisson os reinventou com os trajes de couro negro. Mas, nas mãos do criador de Buffy, X-Men é uma equipe de super-heróis sem entrelinhas, e Whedon sabe exatamente como nos enamoramos dos mutantes em primeiro lugar. Nesta edição em particular, recentemente publicada no Brasil, ele engloba tudo que faz dos X-Men os melhores: o melodrama, a ação hipercinética, a personalidade bem definida de cada um e um “flashback” espetacular, que me fez voltar a duas, três edições atrás com um “ah, fala sério!” gigante estampado no rosto. “A mim, meus X-Men”, entoado por um Ciclope mostrando porque afinal é o líder da equipe, é de arrepiar – assim como a conclusão desta saga.

7. SHORTCOMINGS

(Texto e arte: Adrian Tomine)


Criador da espetacular série Optic Nerve, Adrian Tomine é um historiador do homem comum. Como poucos autores – em qualquer mídia – ele entende que o mundo contemporâneo vive mergulhado em sarcasmo, mesmice, correção política e outras doenças modernas que parecem travar nossa evolução como espécie. Caso em questão, o gerente de cinema Ben Tanaka, protagonista de sua primeira graphic novel. De origem nipônica, ele namora com Miko, uma descendente de japoneses (que vive para “reafirmar” sua herança) e sua melhor amiga é outra nissei, lésbica, que não dura muito em nenhum de seus relacionamentos. Quando Miko dá um break e vai morar em Nova York, Ben aproveita para fazer um balanço de sua vida – o que não significa nenhuma introspecção, ou o menor esforço para ele lidar com sua total inabilidade em se relacionar com pessoas, e sim sexo com mulheres diversas (e não-asiáticas, de preferência) e a demolição de cada bobagem erguida pela juventude “correta” contemporânea – “artistas” e “malditos” muito parecidos com os indies brasileiros. De traços econômicos, Tomine faz seu discurso sobre intolerância e preconceito disfarçado de dramédia romântica moderna. Mas sua intenção não é doutrinar ou tomar partido: é mostrar como as pequenas coisas mudam o rumo de nossa vida. E ser um cronista das pequenas coisas é o que faz dele – e de Shortcomings – grande.

6. A MORTE DO CAPITÃO AMÉRICA

(Texto: Ed Brubaker; Arte: Steve Epting)


Matar um personagem de relevância, na esmagadora maioria das vezes, é recurso de roteirista capenga ou desespero da editora por baixas vendas. Bom, Brubaker está longe de ser “capenga” e nem a Marvel ou o título do Capitão América estavam mal das pernas. Ainda assim, sobrou a terceira alternativa para tirar Steve Rogers de cena: contar uma boa história. Desde que Brubaker (e o incomparável Steve Epting) relançaram o título do Capitão há mais de dois anos, ele tornou-se menos um “super-herói” e mais uma trama de ação e espionagem, um James Bond com mascara. Veio a Guerra Civil, heróis tomaram lados e Steve Rogers foi preso – no epílogo, terminou assassinado justamente por Sharon Carter, sua amante, que tinha a mente controlada pelas maquinações do Caveira Vermelha. O mais impressionante é que, depois da morte de Rogers, o título manteve-se com o mesmo ritmo e o mesmo senso de urgência, com o plot politico de Brubaker desenvolvendo-se ao mesmo tempo em que aumentavam as apostas de quem seria o próximo a empunhar o escudo do herói. Um ano se passou. Steve Rogers continua morto. As conseqüências são sentidas com força no atual blockbuster Secret Invasion. E Capitão América continua sendo um dos títulos mais sólidos da Marvel.

Incrível, é o Hulk!

quinta-feira, 12 junho, 2008

Semana passada, entre Praga (no set de GI Joe) e de volta a Londres (dando um pulo nas filmagens de The Wolfman), peguei uma sessão de O Incrível Hulk. Ainda bem que a agonia do “eu vi primeiro, eu vi primeiro!!!” ainda não me contaminou. Nada como dar um tempo para digerir o filme com cuidado, prestando atenção em detalhes e, na hora de compartilhar a experiência com vocês, a coisa não sair destrambelhada. Vamos ao verdão. O filme de Louis Leterrier é, afinal, bom? A resposta, com certo alívio, é sim. Seguindo o caminho aberto por Homem de Ferro no começo da temporada, o segundo filme da Marvel é uma aventura acelerada, bem resolvida e contida em pouco menos de duas horas, mas com uma enxurrada de referências que deixa os fãs salivando para 2010, quando o estúdio libera mais dois filmes. Ainda assim, O Incrível Hulk não é uma aventura tão satisfatória e completa como Homem de Ferro. Para resumir o problema, o filme não é cool o bastante.

Como eu mesmo já comentei na reportagem de capa da edição de junho de SET, O Incrível Hulk é um restart da série, e em nada se relaciona com o filme que Ang Lee dirigiu em 2003 – diga-se, um filme nunca menos que espetacular. Mas aparentemente os fãs queriam o bom e velho “Hulk esmaga!”, e não o épico introspectivo e cerebral de Lee, com direito a um clímax psicodélico que Frank Brunner não conseguiu tecer nem nas tramas mais alucinadas do Dr. Estranho. Além disso, com O Incrível Hulk a Marvel buscou um filme que se encaixasse na concepção de seu “universo cinematográfico”, mais coeso e interrelacionado, em que personagens de filmes diferentes habitassem o mesmo mundo. Assim, o filme de Louis Leterrier chega coalhado de referências ao mundo Marvel dos gibis – ainda mais que Homem de Ferro. Além de óbvias referências às Indústrias Stark, são mencionados a SHIELD (e seu diretor, Nick Fury), Jack McGee e Jim Wilson (personagem da série de TV e dos gibis, respectivamente) e, de forma onipresente, o Capitão América. Muito mais do que possa se imaginar…

O filme começa com um rápido flashback da origem do verdão – mais uma vez longe dos gibis, agora próxima à da série de TV – e logo nos coloca na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Bruce Banner (Edward Norton) está escondido, trabalhando numa fábrica de refrigerante, e procurando não só controlar a fera que habita seu corpo, mas também um modo de eliminá-la de vez. Ele é descoberto pelo exército e logo o General Ross (William Hurt) arma uma tropa para trazê-lo de volta. Até então, o caos trazido pelo Hulk é discreto, fica restrito às sombras – mas sua presença incomoda o soldado Emil Blonsky, que logo torna-se obcecado em capturar a fera. Ou, como fica lentamente claro, em conseguir seu poder. Para tanto, ele submete-se a uma experiência conduzida por trás das cortinas pelo General Ross, que coloca as mãos no Soro do Supersoldado, desenvolvido na Segunda Guerra Mundial, para aplicá-lo em Blonsky. Assim, o soro que criou o Capitão América é usado, e o Hulk, agora acuado no campus de uma universidade, quando Banner reaproximou-se de Betty Ross (Liv Tyler), enfrenta Blonsky versão Supersoldado. Com o fracasso, é questão de tempo até Emil ter seu sangue contaminado por radiação gama, e o resultado é a criação do Abominável e um impressionante quebra-pau nas ruas de Nova York.

O bacana em O Incrível Hulk é que todas essas seqüências são amarradas com velocidade, mas a mudança de atitude de Banner em relação a seu alter-ego nunca parece apressada ou sem motivação. Aos poucos ele percebe que seu destino pode, sim, estar ligado à criatura de maneira positiva, mesmo que ainda incontrolável. Ao contrário do Hulk mostrado no filme de Ang Lee, desta vez o monstro verde parece desenvolver mais inteligência a cada transformação, como uma criança que aprende com os erros e raciocina soluções, ainda que num nível muito primário. É claro que os fãs vão adorar quando ele finalmente berrar seu “Hulk esmaga!” tradicional! Além disso, claro, os fãs vão adorar o modo como O Incrível Hulk encaixa-se no mundo sugerido em Homem de Ferro e o expande. Um exemplo de que esse é definitivamente um mundo hiper-realista são as armas sônicas que o exército utiliza contra o verdão – mais gibi, impossível. Embora a participação de Leonard Samson (Ty Burrell) seja tímida, o cientista Samuel Sterns (Tim Blake Nelson) tem papel decisivo na trama, mostra óbvia fascinação pelas implicações biológicas abertas pelo Hulk e despede-se de cena com uma introdução nada sutil a seu alter-ego, o Líder (talvez num próximo filme…).

Uma cena que ficou de fora, no entanto, foi um prólogo no Ártico, em que Banner possivelmente encontraria o corpo congelado do Capitão América – cena confirmada para este que vos escreve por Leterrier e pelo produtor Kevin Feige. Um rápido telefonema e Feige me conta que eles decidiram não incluir a cena por destoar do resto do filme, por ser uma cena mais pesada – mas ela não só estará disponível online em breve como será disponibilizada no DVD do filme. Mais uma cortina de fumaça? Para garantir, é bom ficar até o fim dos créditos mais uma vez… (Ah, essa não é informação “exclusiva” porque isso é o conceito mais estúpido do planeta…).

O que nos traz de volta ao fator “O Incrível Hulk é bacana, mas não é cool”. Existem coisas que são intangíveis, reações que terminam sendo particulares com a bagagem e a expectativa de cada pessoa na sala escura. Homem de Ferro trazia uma energia dinâmica, representada pelo imprevisível Tony Star de Robert Downey Jr (que aparece em O Incrível Hulk com mais ecos do que pode ser tornar Vingadores em celulóide). O filme de Jon Favreau é elétrico, é uma experiência narrativa e também sensorial. Sob esse prisma, não existe absolutamente nada de errado em O Incrível Hulk. Apesar de algumas soluções apressadas no roteiro – e a geografia por vezes implausível -, o filme é dirigido com firmeza, mesmo em suas porções mais dramáticas. Não deixa a desejar como filme de ação – em especial o clímax, que mostra o encontro de duas criaturas de poder inimaginável. O elenco funciona à perfeição, especialmente Ed Norton. É bem humorado na medida certa e traz mimos para os fãs repetirem a dose.

Mas, inexplicavelmente, não agarra pelo estômago, não é eufórico e não traz impressões duradouras como, mais uma vez, Homem de Ferro. Pode ser que o cuidado extremo, causado pela lembrança ainda firme do Hulk de Ang Lee, tenha arrancado um pouco da espontaneidade do filme. Talvez o personagem se preste mais à introspecção que o colorido vingador dourado. Homem de Ferro é definitivamente cool. O Incrível Hulk é um filme jóia. Se isso é pouco, o veredito está em suas mãos.

Watchmen pra brincar…

quarta-feira, 16 abril, 2008

Alguns anos atrás, quando Watchmen comemorou quinze anos desde sua publicação, a DC planejou não só o relançamento da saga em formato de luxo, como também uma série de brinquedos (ou action figures, pra usar o termo mais cool) para os fãs recriarem as aventuras no chão da sala…. ou algo parecido. Todos estavam felizes e contentes até o tio Alan Moore embarcar em mais uma viagem lisérgica e, usando seu poder de veto, limou a série totalmente – ainda lembro dos protótipos bacanas que a ToyFare mostrou há alguns anos. Mas eis que a justiça tarda mas não falha, e o lançamento de Watchmen nos cinemas ano que vem virá, claro, acompanhado de uma série de brinquedos. A Entertainment Weekly deu o furo, com os protótipos do Coruja e de Rorshchach como aparecem no filme de Zack Snyder, e Kapow! orgulhosamente o copia – já esperando a hora de brincar com a Espectral no tapete da sala… E agora, tio Moore?

A invasão começa!!!

terça-feira, 8 abril, 2008

Rapazes e moças, cá estou eu em Los Angeles (coisas da SET, em breve vocês vão saber o quê…), descansando no hotel com a primeira edição de Secret Invasion em mãos. Para os não-iniciados, a “Invasão Secreta” é uma minissérie em oito edições da Marvel que mostra a Terra sendo invadida (duh) pelos alienígenas transmorfos Skrulls. O grande barato é que a invasão não começa nesta primeira edição – suas sementes foram plantadas na Guerra Kree/Skrull, bolada por Roy Thomas e Neil Adams nos anos 70.

Capa de Secret Invasion 1

Foi assim que o roteirista Brian Michael Bendis espalhou pistas pelos últimos três anos nas revistas da editora, mostrando que alguma coisa não estava certa. O fim e o renascimento dos Vingadores? Está coalhado de pistas. A Guerra Secreta e o sumiço do superespião Nick Fury? Também. Dinastia M, Guerra Civil? Tudo tem o dedo dos Skrulls. A primeira edição da mini (que vai, claro, interligar boa parte dos títulos da Marvel pelos próximos meses) amarra bem algumas pontas, escancara centenas de perguntas e revela, já em suas páginas, alguns dos Skrulls que caminham entre nós. Ou melhor, entre eles. Se você acompanha a cronologia Marvel no Brasil, releia as últimas grandes sagas (em especial a excelente Aniquilação) e fique ligado nas pistas. Esse Bendis é um sujeito esperto…

Yep, mais Skrulls.....

Quer ver os Watchmen?

quinta-feira, 6 março, 2008

Com um ano para a estréia de Watchmen, o diretor Zack Snyder decidiu dar um mimo aos fãs e liberou a fachada de cinco dos personagens da saga super-heroística adaptaga da série de Alan Moore e Dave Gibbons. O visual, uma adaptação para lá de fiel de personagens em 2D, teve o efeito esperado: muito blablablá dos fãs, que agora têm um ano inteiro para chorar por Snyder ter “destruído” o gibi. Para quem não tem tanta frescura, fica a expectativa de um filme bacana adaptado de uma obra igualmente bacana. Ah, as imagens, que você confere aí embaixo, foram postadas em www.watchmenmovie.com.

Coruja    Rorschach    Espectral    Ozymandias    Comediante

Os Melhores de 2007 – Parte 1

sexta-feira, 22 fevereiro, 2008

Demorou, mas aqui está o listão. Ou melhor, o começo dele. Foi difícil separar uma lista dos dez melhores filmes de 2007 e também dos 10 melhores gibis do ano passado, mas agora tá na mão. Para não ficar um calhamaço sem fim de texto, dividi os melhores em quatro partes: primeiro cinco filmes, depois os outros cinco, e do mesmo modo com os gibis. Minha prioridade foi colocar o que de melhor foi produzido em 2007 – e não o que foi lançado no Brasil em 2007. Assim eu acho que a lista fica mais justa, e mais enxuta. Então, sem maiores delongas – e em ordem decrescente – os melhores do ano que passou.

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10. THE MIST

De Frank Darabont. Com Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden.

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Adaptar os livros de Stephen King requer cojones. Frank Darabont ganhou suas credenciais para o trampo quando fez a obra-prima Um Sonho de Liberdade e, depois, À Espera de Um Milagre – ambos adaptados da obra de King. Mas ambos (assim como Conta Comigo, de Rob Reiner) não são exemplos do que tornou o autor famoso: seus contos de terror mais hardcore, levados ao cinema dezenas de vezes e só foram memoráveis em O Iluminado e Carrie – A Estranha. O motivo? Eles foram além das palavras. Stanley Kubrick e Brian De Palma enxergaram que o terror, na concepção de Stephen King, não é uma coleção de sustos fáceis ou de criaturas abomináveis. Somos nós. Frank Darabont escancara esse terror à perfeição em The Mist e, assim como Kubrick e De Palma, vai além. Na história da cidade tomada por uma neblina misteriosa (seria sobrenatural? Algum fenômeno atmosférico?), Darabont segue o texto de King à risca, aprisionando um grupo heterogêneo num supermercado enquanto algo espreita do lado de fora, na neblina. Mas é com habilidade que ele revela que, não importa o que esteja na névoa, o perigo reside em quem está preso, e em como o medo torna o ser humano irracional. Dosando com precisão momentos de terror explícito com aquilo que a gente imagina ser verdade, Darabont prova que é um dos grandes cineastas contemporâneos. Sem falar que o final de The Mist nasce clássico, em um retrato do desespero que poucas – pouquíssimas! – vezes o cinema teve coragem de retratar. É uma experiência única. E requer cojones.

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9. RATATOUILLE

De Brad Bird.

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E já se vão doze anos desde que a Pixar reinventou a animação com Toy Story. Mas o motivo não é a descoberta de uma ferramenta fabulosa na tecnologia digital, e sim redescobrir o prazer de apresentar uma boa história. Em oito filmes, o estúdio comandado por John Lasseter apresentou histórias saborosas, emolduradas por personagens memoráveis que fugiam de moldes morais rasos, para apresentar uma complexidade que não só era assimilada pelos pequenos, mas compreendida e aproveitada por adultos. Sua maior “realização”, no entanto, foi dar liberdade a Brad Bird. Na Warner ele fez o fantástico O Gigante de Ferro, e sua primeira empreitada com a Pixar foi o filmaço de ação Os Incríveis. Ratatouille, no entanto, surge não só como sua obra prima, mas também como o filme mais perfeito já realizado pela Pixar. Na história do rato que quer ser chef em Paris, Bird imprimiu uma humanidade ausente na esmagadora maioria das produções que entopem os cinemas – humanidade que nos permite sonhar, que mostra que podemos ser tão gigantes quanto nossas aspirações nos libertam. Remy, o rato, é o sujeito que sonha grande, e que não deixa um contratempo besta – ora, ele é um rato – ficar no caminho de seu sonho. Isso diz um monte não para a petizada que lotou os cinemas porque Ratatouille é lindo, mas para todo mundo com arcada dentária completa que, um dia, sonhou como ele.

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8. GRINDHOUSE

De Quentin Tarantino (À Prova de Morte) e Robert Rodriguez (Planeta Terror). Com Kurt Russell, Josh Brolin, Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Bruce Willis, Rosario Dawson.

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Fora dos EUA, Grindhouse foi lançado como dois filmes, uma decisão comercial acertada. Mas uma decisão artística estúpida! A obra de Tarantino e Rodriguez não foi feita para ser mutilada, e sim aproveitada como uma experiência cinematográfica única, de mais de três horas de duração, intercalada por trailers sebosos de filmes que mal podemos esperar para assistir. Se a idéia era simular a sensação de aturar sessões contínuas de filmes vagabundos em pardieiros de quinta, Grindhouse é um vencedor. Minha sessão foi em um multiplex em Los Angeles, à meia-noite, com meia dúzia de incautos – e não poderia ser mais perfeita! Para mim, uma sessão “grindhouse” autêntica materializou-se repetidas vezes na adolescência, vendo podreiras em VHS com os amigos – indo mais longe, em matinês no extinto Cine Horizonte, de Maringá, que exibia sessões duplas de Conan, O Bárbaro com Mad Max 2 e filmes de kung fu (que eu testemunhei aos 9 anos). Planeta Terror e À Prova de Morte são perfeitos exemplares de cinema pop contemporâneo quando exibidos separadamente. Juntos, porém, são prova da formação de uma geração de cinéfilos à margem (e à prova) de intelectualismos idiotas e de análises que não procuram nada além de justificar o injustificável. Cinema como Grindhouse é uma experiência visceral e sem desculpas. Como o bom cinema deve ser.

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7. TROPA DE ELITE

De José Padilha. Com Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira.

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É caveira! Poucos filmes foram tão falados como Tropa de Elite. Menos ainda tiveram um público tão astronômico – seja do modo legal, no cinema; seja no modo preferido da rapaziada, como uma cópia pirata. Discutir se Tropa teria ou não mais público sem a polêmica que fez a alegria dos camelôs de todo o país é teorizar os Tostines. Mas o fato é que o filme de José Padilha é nervoso, como poucos tem coragem de ser no panorama ainda tão insípido do cinema nacional. Tropa foi visto, revisto e, além disso, foi assimilado. Seus diálogos viraram jargão pop; seus personagens, integrados à cultura nacional contemporânea; e o Capitão Nascimento, criado em uma interpretação brilhante de Wagner Moura, tornou-se uma das pouquíssimas criações cinematográficas brasileiras em todos os tempos a ter sobre vida. Sem falar que Tropa de Elite é um filme espetacular, que demonstra uma clara preocupação em, acima de tudo, ser cinema – e não tese furada, delírio autoral ou outra bobagem que domina o cinema feito por aqui. Tão genial, criou um debate sobre o que ele “é” ou “pretende ser” numa classe intelectual boboca que é incapaz de ver um filme de ação sem insistir em empurrar significados nas entrelinhas. O filme de Padilha, cru, violento e realista sem precisar ser documental, não precisa disso.

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6. SUPERBAD – É HOJE

De Greg Mottola. Com Michal Cera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, Seth Rogen.

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Judd Apatow tornou-se a bola da vez no cinema ianque em 2007. Ele e sua trupe revigoraram a comédia com a força de um furacão. E a fórmula não poderia ser mais simples: faça rir, seja grosseiro e vulgar, mas não perca a ternura. Foi assim na improvável história de amor Ligeiramente Grávidos. E é assim no genial Superbad. A comédia de Greg Mottola segue a mesma tradição de Porky’s em colocar adolescentes na rota das descobertas sexuais. O “plano” do trio Seth, Evan e Fogell (McLovin!!!) é simples: levar birita para a festa na casa de uma gata e, assim, transar com seu objeto do desejo. A jornada, no entanto, é tão recheada de personagens “de verdade”, de insegurança, humor, lealdade, amizade, cumplicidade e camaradagem que o trio nem precisava se esforçar tanto. O roteiro, bolado quando Seth Rogen e seu chapa Evan Goldberg tinham 16 anos, não tem nada de original e inovador – e talvez por isso seja tão fácil se identificar com cada personagem, com cada situação. Afinal, todo mundo já fez besteira quando adolescente. Poucos, no entanto, conseguem transformar as besteiras em ouro. Ponto para Apatow e Cia. E pra gente, claro.

Fique ligado em Kapow! nos próximos dias para os cinco melhores filmes de 2007 – e os dez melhores gibis do ano!

O novo dia do Aranha

segunda-feira, 11 fevereiro, 2008

Ontem eu terminei de ler “One More Day”, a saga que redefiniu o status do seu amigão da vizinhança. Aproveitei e li também “Brand New Day”, primeiro arco de histórias dentro de seu novo status quo.

Em uma palavra? Nhé.

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Joe Quesada, editor-chefe da Marvel, queria de qualquer jeito que o Homem-Aranha não fosse mais um homem casado. Ah, ele também não queria que ele fosse divorciado, viúvo, nada que o fizesse parecer “velho”. Pois duas décadas de histórias foram anuladas com magia. É, magia. Para salvar a vida da tia May, baleada no final da Guerra Civil que chacoalhou o universo Marvel, Peter fez de tudo. No final, apelou: aceitou um pacto com Mefisto e trocou seu amor por Mary Jane – mais as lembranças do casamento, da vida a dois, de tudo – pela sobrevivência de May Parker. Num piscar de olhos, Peter voltou a morar com a tia no Queens, ainda é um duro, voltou a ter lançadores de teia mecânicos, e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe sua identidade. Mas todo o resto no universo Marvel aconteceu. As partes com a participação do Aranha? Sabe-se lá. O negócio é ignorar.

omd capa

Eu adoro quando a vida dos heróis ganha novo fôlego. Reinvenção faz parte do continuum das histórias em quadrinhos. Agora, o que não dá para aguentar é uma trama contada porcamente. Existiam milhares de maneiras de resolver o casamento do Aranha e a questão de sua identidade secreta sem Quesada e cia. ter de apelar para um “é mágica, não precisa explicar”. O que ele conseguiu, afinal, foi uma involução. Fico pensando se não seria mais digno deixar May Parker morrer, MJ desaparecer por não aguentar conviver com essa loucura e Peter, para variar, ficar se sentindo culpado com isso tudo. Mas, desta vez, Joe Q. pisou na bola, choramingou e conseguiu o que queria. Seus desenhos em “One More Day”, se é que serve como consolação, estão espetaculares, lembrando o grande Michael Golden, que me faz lamentar ver Quesada numa posição administrativa.

omd peter mj mefisto

O que nos leva a “Brand New Day”, primeiro arco do “novo” Aranha, com texto de Dan Slott e arte de Steve McNiven. A impressão é estar lendo um gibi do Aranha da virada dos anos 70 para os anos 80, antes da Image Comics, antes da ascenção dos heróis sombrios como Justiceiro e Wolverine. É uma trama leve, que introduz um novo vilão ( o Sr. Negativo) e apresenta parte dos novos coadjuvantes na vida de Peter Parker – alguns, como o “ressuscitado” Harry Osborne (não pergunte como…), não tão novos assim. A história parece remeter a uma época em que o Aranha vivia à parte dos “grandes eventos” da Marvel. Embora ele seja um herói não-registrado, o que lembra que existiu uma Guerra Civil e que este universo ainda é coerente em sua cronologia. Mas não dá para ler “Brand New Day” sem lembrar do que foi necessário para chegar a essa história.

bnd mcniven

Que, por sinal, deve durar até alguém na Marvel ter a brilhante idéia de apagar o apagão!