Archive for the ‘cinema’ Category

De olho em Watchmen

quarta-feira, 25 fevereiro, 2009

Agora que a correria do Oscar ficou para trás (alguém consegue se lembrar de alguma cerimônia mais chata, óbvia e sonolenta?) e o Carnaval é uma lembrança (ainda me espanto com os gritalhões reclamando que a Globo não transmitiu a cerimônia, sendo que foi a decisão mais inteligente da emissora em anos), começamos a olhar para o futuro. Com capricho. Watchmen é, claro, a capa da edição de março de SET. E como é tradição, você vai encontrar a cobertura mais completa da adaptação da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, com estrevistas com o elenco, nossa visita ao set do filme, o começo de sua jornada há duas décadas, as tentativas anteriores de adaptar a obra, Watchmen na visão de Paul Greengrass – tudo e mais ainda numa matéria caprichada como a gente gosta de fazer. Ah, e também o veredicto: SET assistiu ao filme antes da folia momesca, mas vou segurar meus comentários em Kapow! para a semana de estréia (a crítica da SET é deste que vos escreve). Uma dica: se você leu Watchmen, esqueça a série. Se você nunca leu, a hora de começar é depois de ver o filme. De qualquer forma, não é Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Este mês SET também traz uma entrevista exclusiva com Joaquin Phoenix, que estréia seu último filme, Two Lovers, para se dedicar à carreira de rapper. É, rapper. Ele agora é JP. Pirado no programa do David Letterman, Phoenix conversou com SET sem mascar chiclete e menos alucinado – mas a conclusão sobre essa guinada eu deixo em suas mãos, caro leitor.

Também conferimos o remake de O Menino da Porteira, assinado pelo mesmo diretor do filme de 1977, agora com Daniel no lugar de Sérgio Reis. Ei, antes de você reclamar, eu só tenho quatro palavrinhas: 2 Filhos de Francisco. Embora eu ache que não seja o caso…

Semana que vem parto para Los Angeles, começando nossa cobertura dos filmões do verão ianque com T4 e Star Trek. Em seguida, coloco aqui minha lista dos 10 melhores filmes de 2008 (10 mesmo, e não 11 como foi ano passado). Logo depois, melhores gibis e melhores CDs.

Enjoy!

Os Watchmen enfeitam a capa de SET

Os Watchmen enfeitam a capa de SET

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E o Oscar vai para…

quinta-feira, 22 janeiro, 2009

… Deus sabe. Mas os indicados, revelados hoje, mostram uma Academia careta e presa aos mesmos valores que se repetem a cada ano. Ou seja, previsível até o talo. Com poucas surpresas e muitas esnobadas, a Academia perdeu a chance de fazer sua festa mais pop – o que poderia ser traduzido em audiência –, ignorando Batman – O Cavaleiro das Trevas nas categorias principais (embora tenha fechado com oito indicações), insistindo em alguns autores que não merecem o incenso (Stephen Daldry, que dirigiu o bom Billy Elliot e o atroz As Horas, dá as caras com O Leitor) e seguindo a manada em outros casos (o “romance” da vez é Quem Quer Ser um Milionário?). A lista segue abaixo, faça suas apostas e aproveite o domingo de Carnaval para cair na folia. Os resultados do Oscar, eu garanto, serão os mesmos na manhã da segunda-feira.

FILME
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk – A Voz da Igualdade
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário?

DIRETOR
David Fincher, por O Curioso Caso de Benjamin Button
Ron Howard, por Frost/Nixon
Gus Van Sant, por Milk – A Voz da Igualdade
Stephen Daldry, por O Leitor
Danny Boyle, por Quem Quer Ser um Milionário?

ATOR
Richard Jenkins (Aprendendo a Viver)
Frank Langella (Frost/Nixon)
Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (O Lutador)

ATRIZ
Anne Hathaway in (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Melissa Leo in (Rio Congelado)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet (O Leitor)

ATOR COADJUVANTE
Josh Brolin (Milk – A Voz da Igualdade)
Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)
Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)
Michael Shannon (Foi Apenas Um Sonho)

ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Dúvida)
Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Dúvida)
Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Marisa Tomei (O Lutador)

ROTEIRO ADAPTADO
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Eric Roth e Robin Swicord
Dúvida, por John Patrick Shanley
Frost/Nixon, por Peter Morgan
O Leitor, por David Hare
Quem Quer Ser um Milionário?, por Simon Beaufoy

ROTEIRO ORIGINAL
Rio Congelado, por Courtney Hunt
Simplesmente Feliz, por Mike Leigh
Na Mira do Chefe, por Martin McDonagh
Milk – A Voz da Igualdade, por Dustin Lance Black
WALL-E, por Andrew Stanton, Jim Reardon e Pete Docter

FILME ESTRANGEIRO
Der Baader Meinhof Komplex, de Uli Edel (Alemanha)
Entre Les Murs (The Class), de Laurent Cantet (França)
Okuribito (Departures), de Yojiro Takita (Japão)
Revanche, de Götz Spielmann (Áustria)
Valsa com Bashir, de Ari Folman (Israel)

ANIMAÇÃO
Bolt – Supercão
Kung Fu Panda
WALL-E

FOTOGRAFIA
A Troca, por Tom Stern
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Claudio Miranda
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Wally Pfister
O Leitor, por Chris Menges e Roger Deakins
Quem Quer Ser um Milionário?, por Anthony Dod Mantle

MONTAGEM
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Kirk Baxter e Angus Wall
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Lee Smith
Frost/Nixon, por Mike Hill e Dan Hanley
Milk – A Voz da Igualdade, por Elliot Graham
Quem Quer Ser um Milionário?, por Chris Dickens

DIREÇÃO DE ARTE
A Troca, por James J. Murakami e Gary Fettis
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Donald Graham Burt e Victor J. Zolfo
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Nathan Crowley e Peter Lando
A Duquesa, por Michael Carlin e Rebecca Alleway
Foi Apenas Um Sonho, por Kristi Zea e Debra Schutt

FIGURINO
Austrália, por Catherine Martin
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Jacqueline West
A Duquesa, por Michael O’Connor
Milk – A Voz da Igualdade, por Danny Glicker
Foi Apenas Um Sonho, por Albert Wolsky

TRILHA SONORA
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Alexandre Desplat
Um Ato de Liberdade, por James Newton Howard
Milk – A Voz da Igualdade, por Danny Elfman
Quem Quer Ser um Milionário?, de A.R. Rahman
WALL-E, por Thomas Newman

CANÇÃO
“Down to Earth”, de Peter Gabriel e Thomas Newman (WALL-E)
“Jai Ho”, de A.R. Rahman e Gulzar (Quem Quer Ser um Milionário?)
“O Saya”, de A.R. Rahman and Maya Arulpragasam (Quem Quer Ser um Milionário?)

MAQUIAGEM
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Greg Cannom
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por John Caglione, Jr. e Conor O’Sullivan
Hellboy II: O Exército Dourado, por Mike Elizalde e Thom Floutz

EDIÇÃO DE SOM
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Richard King
Homem de Ferro, por Frank Eulner e Christopher Boyes
Quem Quer Ser um Milionário?, por Tom Sayers
WALL-E, por Ben Burtt e Matthew Wood
O Procurado, por Wylie Stateman

MIXAGEM DE SOM
O Curioso Caso de Benjamin Button, por David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Mark Weingarten
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Lora Hirschberg, Gary Rizzo e Ed Novick
Quem Quer Ser um Milionário?, por Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty
WALL-E, por Tom Myers, Michael Semanick e Ben Burtt
O Procurado, por Chris Jenkins, Frank A. Montaño e Petr Forejt

EFEITOS VISUAIS
O Curioso Caso de Benjamin Button, por Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton e Craig Barron
Batman – O Cavaleiro das Trevas, por Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber e Paul Franklin
Homem de Ferro, por John Nelson, Ben Snow, Dan Sudick e Shane Mahan

DOCUMENTÁRIO
The Betrayal (Nerakhoon) de Ellen Kuras and Thavisouk Phrasavath
Encounters at the End of the World, de Werner Herzog e Henry Kaiser
The Garden, de Scott Hamilton Kennedy
Man on Wire, de James Marsh e Simon Chinn
Trouble the Water, de Tia Lessin e Carl Deal

DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM
The Conscience of Nhem En, de Steven Okazaki
The Final Inch, de Irene Taylor Brodsky e Tom Grant
Smile Pinki, de Megan Mylan
The Witness – From the Balcony of Room 306, de Adam Pertofsky e Margaret Hyde

CURTA-METRAGEM
Auf der Strecke (On the Line), de Reto Caffi
Manon on the Asphalt, de Elizabeth Marre e Olivier Pont
New Boy, de Steph Green e Tamara Anghie
The Pig, de Tivi Magnusson e Dorte Høgh
Spielzeugland (Toyland), de Jochen Alexander Freydank

CURTA DE ANIMAÇÃO
La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato
Lavatory – Lovestory, de Konstantin Bronzit
Oktapodi, de Emud Mokhberi e Thierry Marchand
Presto, de Doug Sweetland
This Way Up, de Alan Smith e Adam Foulkes

Coisas que chegaram, coisas que estão por vir…

sábado, 27 dezembro, 2008

O ano está fechando os olhos, o novo já dobra a esquina. Nos próximos dias, provavelmente antes de 2009 chegar, vou dividir com vocês os pensamentos sobre alguns filmes que estão para chegar aos cinemas e eu já vi, como The Spirit, O Dia Em Que a Terra Parou, Frost/Nixon e O Curioso Caso de Benjamin Button. E sobre Watchmen. E sobre o futuro.

Enquanto isso, deixo a capa da edição de janeiro de SET, nosso já tradicional preview, em que damos uma geral em mais de 150 filmes que estréiam em 2009, com entrevistas, visitas a sets de filmagem e um listão sério do que vai prender nossa atenção já a partir de janeiro (e, não, você não vai encontrar uma linha sobre um novo Superman porque, bem, este filme não existe…). Além do preview, em janeiro você vai ler uma entrevista exclusiva com Will Smith, o maior astro do planeta; um papo com Jim Carrey na comédia Sim Senhor; e tudo sobre Benjamin Button – que, eu já adianto, é brilhante!

Em breve, volto por aqui. Estamos trocando o papel de parede, mexendo nos móveis da sala, para SET ganhar nova cara – nas bancas e na internet. Você não perde por esperar!

Wolverine com cara de mau na edição de janeiro de SET

Wolverine com cara de mau na edição de janeiro de SET

Trek na capa!

sábado, 25 outubro, 2008

Sabadão preguiçoso, cá estou eu aproveitando merecidas férias, mas correndo para colocar no ar mais um Kapow! tardio. O motivo do atraso? Estamos trabalhando fervorosamente aqui em SET nas mudanças radicais e sensacionais que a melhor revista de cinema do Brasil vai encarar em 2009. Acredite, você não perde por esperar – em breve, muito breve, elas começam a dar as caras aqui mesmo no site da revista.

As últimas semanas também foram uma correria ímpar para a rapaziada da redação. Ricardo Matsumoto foi parar em Las Vegas – não para jogar, mas para acompanhar os bastidores de um filme que estréia ano que vem (ainda é segredo). Menos secreta é a viagem que o Rodrigo Salem fez. Ou melhor, as viagens: primeiro para a Patagônia, já adiantando novidade de Era do Gelo 3; depois, para o Egito, onde ele acompanhou as filmagens do segundo Transformers e bateu longos papos com Michael Bay.

Já eu continuo na ponte aérea São Paulo-Los Angeles para trazer com exclusividade mais novidades do mundão do cinema. Da última edição de Kapow! para cá, cobri os bastidores de Bolt (em breve entrevista exclusiva com John Lasseter), conversei com Ridley Scott, Russell Crowe e Leonardo DiCaprio sobre Rede de Mentiras e passei dois dias grudado em Zack Snyder para continuar nossa cobertura de Watchmen – que, você sabe, é a mais completa do Brasil.

Agora deixa eu voltar para a praia – férias são um barato! Ah, não antes de revelar a capa da edição de novembro! Como já disse ali em cima, trazemos a cobertura completa dos bastidores de Rede de Mentiras, uma homenagem ao grande Paul Newman, as novas investidas de Hollywood com adaptações de video games para o cinema, um papo revelador com o grande Selton Mello e, mostrando quem faz a melhor revista de ficção científica do Brasil, começamos nossa cobertura do novo Star Trek, com entrevistas exclusivas com J.J. Abrams, Chris Pine e Zachary Quinto. É para quem pode, e você acompanha só em SET. Enjoy!

Zachary Quinto todo pimpão na pele de Spock no novo Star Trek

Zachary Quinto todo pimpão na pele de Spock no novo Star Trek

Flagg!, Aranha, capa, etc…

quarta-feira, 24 setembro, 2008

Quase um mês sem Kapow!, mas por uma boa causa: em breve, SET estará experimentando grandes mudanças… GRANDES mudanças! Revista, site – tudo está prestes a ganhar um terno novo. “Três botões é meio anos 90, sr. Wayne”, diria Lucius Fox. Nossa resposta seria a mesma do velho Bruce.

Mas isso é o futuro.

Por enquanto vou dar uma geral no presente.

COMEDIANTE CHAMA

com uma arma assim, você diria não a um pedido do sujeito?

Jeffre Dean Morgan como o Comediante: com uma arma assim, você diria não a um pedido do sujeito?

Quando divulguei as capas da edição de setembro aqui em Kapow!, não esperava uma reação tão absurda dos fãs! Algum de vocês mandou as quatro capas com os personagens de Watchmen para o Superhero Hype, e a coisa espalhou como fogo em palha. Logo, todos os sites e blogs bacanas de cinema do mundo – e os mais legais do Brasil também – estavam divulgando a SET de setembro (devo um almoço a vocês, rapazes). E um dos “watchmen” também estava de olho: Jeffrey Dean Morgan, o Comediante, viu a SET na internet, entrou em contato com a redação e pediu alguns exemplares. Pedido feito, pedido resolvido. Tá no correio! Por falar em nova capa… bom, amanhã embarco pra Los Angeles, sexta coloco a de outubro no ar. Pra variar, matéria exclusivo de SET (e, não, a gente não “descobriu” que 2009 tem Superman novo… hehehehe…)

O PESO DE FLAGG!

American Flagg! pesou na mala, mas não vejo nenhuma editora no Brasil se prontificando a lançar...

American Flagg! pesou na mala, mas não vejo nenhuma editora no Brasil se prontificando a lançar...

Comprei o mega encadernado da série American Flagg!, de Howard Chaykin, em San Diego durante a Comic Con. Mas, como tempo não é grátis, só consegui ler quando estava na Califórnia semana passada (SET cobriu com exclusividade o que rola na Disney pós-John Lasseter, em breve você lê na revista). Claro, American Flagg! já havia sido lançado (porcamente) no Brasil – duas vezes e incompleta. A série inteira, ou melhor, as doze primeiras edições, representa o melhor das mentes criativas dos anos 80, não devendo nadinha a clássicos seminais. Na série traçada por Chaykin, ambientada em 2032, os EUA estão em frangalhos como potência (a sede do governo é em Marte), e o que restou é administrado por grandes corporações – na verdade, um colosso chamado Plex, dividido em shopping centers pelo país. É no Plex de Chicago que conhecemos Reuben Flagg, ex-ator (substituído por uma animação digital, o futuro é isso aí) transformado em agente da lei – ou ranger – que enfrenta violência, corrupção e o poder da mídia, não necessariamente nessa ordem. Com arte primorosa e sexy feito o diabo, American Flagg! trouxe um retrato exagerado (mas nem por isso menos realista) do mundo de hoje, criado por Chaykin há mais de vinte anos. A arte imita a vida, etc. Se algum produtor esperto abrir os olhos, American Flagg! é filme pronto!

ARANHA DE PRIMEIRA

Não é uma bobagem para seguir a trama de Homem-Aranha 3 - é uma história sensacional do Cabeça de Teia!

Não é uma bobagem para seguir a trama de Homem-Aranha 3 - é uma história sensacional do Cabeça de Teia!

Ok, “Um Dia a Mais”, que está saindo no Brasil sem muito alarde pela Panini, foi uma solução ridícula para um não-problema – num passe de mágica (magia negra, claro, já que foi pelas mãos de Mefisto), o Homem-Aranha deixou de ser casado, Tia May deixou de estar às portas da morte, o mundo deixou de saber que Peter Parker é o herói, Harry Osborne deixou de adubar algum cemitério… e todo o resto ficou mais ou menos como sempre. Amazing Spider-Man, único título (e semanal) do Cabeça de Teia passou a se ajustar a essa nova realidade, e aos poucos a solução porca parou de azedar a boca, já que as histórias com o novo status quo estavam, bizarramente, muito boas. Claro, parecia também que toda a evolução que o Aranha experimentou em duas décadas tinha virado pó, já que a série, sob a bandeira Brand New Day, tinha um feeling setentista. O que é bom (é a melhor época do herói) e péssimo (se eu quero aquele feeling, releio os clássicos, oras) ao mesmo tempo. Mas parecia um sopro de criatividade, ainda que irregular.

Nada como ter paciência, não?

Há pouco mais de um mês, já abandonando a bandeira Brand New Day, Amazing Spider-Man começou uma nova saga, “New Ways to Die”. É a volta de Eddie Brock – agora como um bizarro Anti-Venom! É Dan Slott escrevendo como gente grande! É Normal Osborne (e seus Thunderbolts) de volta à vida do Aranha! E, principalmente, é o melhor desenhista do Teioso em todos os tempos – John Romita Jr., claro – assumindo o lápis. Aparentemente somente durante essa saga, mas a gente pode sonhar, não? De repente, ler Homem-Aranha se tornou um prazer novamente, com um equilíbrio absurdo de humor, ação, drama e ganchos matadores no fim de cada parte. Em mais ou menos um ano chega no Brasil. Acredite, vale a pena mil vezes!

O Anti-Venom pode parecer um conceito estúpido... mas quem se importa? É desenhado por John Romita Jr.!

O Anti-Venom pode parecer um conceito estúpido... mas quem se importa? É desenhado por John Romita Jr.!

SET, REVISTA SET…

Volte sexta para ver a capa da SET de outubro em toda sua glória!

Volte sexta para ver a capa da SET de outubro... mas não é tão difícil assim adivinhar quem está nela, certo?

Sexta-feira, logo depois de bater papo com Ridley Scott, Russell Crowe e Leonardo DiCaprio, dou um pulo em Kapow! para mostrar a nova capa. Caríssimo, você que espalhou a edição de setembro pela net, um doce se fizer de novo. Ah, e se eu ver alguma celebridade andando pelas ruas de Los Angeles, pode deixar que eu não sou caipira e não vou contar a vocês. Fala sério, né.

Holy shit, Batman!

quarta-feira, 9 julho, 2008
The Dark Knight poster 1

The Dark Knight poster 1

2008 acaba de ficar mais triste.

Não, minto. 2008 nos cinemas tornou-se menos interessante. Sério. Batman – O Cavaleiro das Trevas é, sim, tudo aquilo que a gente andou lendo por aí nas últimas semanas. Peraí, correção de novo: é mais. É um filme que merece as hipérboles que andou colecionando, as comparações com O Poderoso Chefão II, Fogo Contra Fogo, À Beira do Abismo. Merece também adjetivos como “maravilhoso, espetacular, perfeito”. É uma expectativa quase impossível para qualquer filme seguir e/ou superar, mas o novo torpedo de Christopher Nolan acerta. Em todos os alvos.

E o principal motivo para tanto foi justamente não ser um “filme de super-heróis”.

Batman

Batman

Então, caríssimos, não é em Kapow! que você vai ler que O Cavaleiro das Trevas é “o melhor filme de super-heróis da história” ou “a melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos”, simplesmente por ele não estar nessa categoria. Na falta de um “gênero” mais abrangente, o filme é um drama policial, pontuado por mortes, violência, investigação criminal, corrupção, drogas e vigilantismo – embalado numa estética moderna e nunca menos que espetacular (é notório o salto da qualidade da fotografia de Wally Pfister), que deixaria Howard Hawks ou John Huston orgulhosos. É o filme que Martin Scorsese não teria problemas em colocar ao lado de pérolas como Táxi Driver, é o amadurecimento do filme policial moderno, que teve seu pontapé inicial pop com Fogo Contra Fogo, de Michael Mann. E é, em seu cerne, a jornada de um homem incorruptível que cede ante a loucura de uma cidade.

Seu nome é Harvey Dent.

Aaron Eckhart é Harvey Dent

Aaron Eckhart é Harvey Dent

Desde que Batman – O Cavaleiro das Trevas deixou de ser apenas uma idéia, Christopher Nolan deixou claro que o filme não só seguiria o gancho do final de Batman Begins, com o tenente Gordon entregando uma carta de baralho do Coringa para o Batman, como também ele não tinha o menor interesse em explorar a gênese do Palhaço do Crime. “Anarquia” é a palavra-síntese do personagem interpretado por Heath Ledger (encontrado morto em 22 de janeiro), que encontra uma Gotham City com seu submundo apavorado com a presença do Batman e propõe, sem muito rodeio, matar o herói. Ao mesmo tempo, Bruce Wayne (Christian Bale) começa a questionar seu papel como símbolo da esperança numa cidade apodrecida e passa a enxergar esse papel em Dent (Aaron Eckhart), recém-eleito promotor público e força incorruptível na caçada aos mafiosos de Gotham, que aos poucos percebem que seu tempo é coisa do passado. É a jornada de Harvey, sua cruzada moral e o modo como o Batman e o Coringa o empurram ou para a luz ou para a escuridão que se desenvolve a trama do filme. Mas não fica por aí – isso na verdade é resvalar na superfície!

Heath Ledger é o Coringa

Heath Ledger é o Coringa

Batman – O Cavaleiro das Trevas traz tantas tramas paralelas que é preciso atenção redobrada para perceber quais engrenagens estão em movimento. Sem falar que é um filme em que todos os personagens recebem atenção especial do roteiro (escrito por Chris Nolan e seu irmão, Johnathan, a partir de uma idéia do diretor e de David S. Goyer, que trabalhou no texto de Batman Begins). Jim Gordon ganha um arco que desenvolve sua relação com a família e seu papel no intrincado jogo arquitetado por Batman. Lucius Fox (Morgan Freeman) vê-se, a certa altura, ante um dilema moral que pode comprometer seu futuro ao lado de Bruce Wayne. Rachael Dawes (Maggie Gyllenhaal, no lugar que fora de Katie Holmes em Begins) coloca-se entre os dois homens que representam a esperança da cidade. Os mafiosos de Gotham ganham face, especialmente a de Salvatore Maroni (Eric Roberts), que tenta reorganizar o crime com a ausência de Carmine Falcone (que Tom Wilkinson interpretou em Begins). É em torno da prisão dos criminosos que gira parte de trama de O Cavaleiro das Trevas, que leva o Cruzado de Capa até Hong Kong em busca de um empresário peça-chave para colocar os bandidos atrás das grades – sua abdução é uma das seqüências mais empolgantes do novo filme, que também mostra maior apuro de Nolan no comando de cenas de ação. O Batman, desta vez, mostra como dar conta de dezenas de criminosos de uma vez só quase em um plano único, como em sua primeira cena, uma ponta-relâmpago do Espantalho (Cillian Murphy), que também revela a necessidade de um novo traje para o herói.

Este é, por sinal, um dos aspectos mais fascinantes deste mundo criado por Nolan para o Batman no cinema: tudo tem um motivo para existir, cada mudança é uma conseqüência orgânica da trama. Como o fantástico Batpod, que surge em uma das cenas que deve arrancar mais aplausos da platéia. Ou o mergulho nas trevas de Harvey Dent, que é absorvido por sua cruzada contra o crime e torna-se um dos personagens mais ambíguos e fascinantes do universo do Morcego, o Duas Caras. Sua desgraça nunca é gratuita, e é empurrada por ações caóticas de um homem que testa não só os limites de Dent ou do Batman, mas também da cidade inteira. Ambivalência moral e os limites da sanidade num candidato a blockbuster do verão ianque é só uma das evidências de que, com O Cavaleiro das Trevas, Nolan mirou em criar um filme que transcende gêneros.

Gary Oldman é James Gordon

Gary Oldman é James Gordon

E que traz um ator no auge de sua habilidade, o que dimensiona ainda mais sua tragédia. Os fãs de Jack Nicholson podem começar a chorar, já que Heath Ledger criou o Coringa perfeito em qualquer mídia. Ele não é um palhaço, não é um sujeito que chama a atenção com gritos e caretas e risadas. Nas mãos de Ledger, o Coringa é um masoquista que pouco se preocupa com seu passado (ele inventa pelo menos duas versões durante o filme), um louco que provavelmente despertou de sua letargia quando Gotham foi tomada pelo Batman – e ele enxergou, finalmente, alguém digno de sua atenção. Os planos do Coringa vão além de dinheiro, além do sadismo sem propósito, além da ultraviolência que marca suas aparições. Como ele se define, é um cachorro que corre atrás do carro, mas não faz idéia o que fazer se o alcançar. Em sua loucura, porém, ele levanta um espelho que mostra quem nós somos e quem podemos nos tornar – e para onde a balança pende quando desespero e medo da morte entram na mistura. Ledger fez dele o anarquisra perfeito, e sua imprevisibilidade dá o tom e carrega o filme. Ao contrário de outros (ótimos) blockbusters como Homem de Ferro ou Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, jornadas que trafegam em terreno familiar, o desfecho de Batman – O Cavaleiro das Trevas é uma incógnita a partir do primeiro segundo. Mas é um caminho que revela arquitetos da arte de fazer cinema travestido de entertainers. Estejam eles atrás das câmeras, sob o manto do Morcego ou em algum lugar inatingível, talvez observando seu legado e seu talento materializados num sorriso aberto com uma navalha.

O Cavaleiro das Trevas na SET de julho!

sexta-feira, 27 junho, 2008

Ok, ok, junho foi um mês devagar em atualizações em Kapow!. Mas, entre aeroportos e dois continentes, foi difícil manter as idéias no lugar. Já comentei que passei um dia no set de GI Joe em Praga, outro no set de The Wolf Man em Londres, descansei dois dias em São Paulo e parti para Los Angeles para o lançamento de O Procurado – o Ricardo Matsumoto também caiu na estrada para conferir as filmagens de O Elo Perdido, enquanto André Gordirro colocou um par de óculos polarizados em Nova York para assistir a Viagem ao Centro da Terra em 3D. Para você ver que cinema acontece no mundo todo, e não só em “Hollywood”… Mas garanto que trocaria qualquer uma delas para estar na pele do Salem, que encontra-se em LA para o lançamento de Batman – O Cavaleiro das Trevas (é, ele vai conferir no melhor cinema iMax da Califórnia…). O melhor filme de 2008 até agora? Leia o que SET achou na edição de julho, que chega às bancas semana que vem (e com um tiquinho de atraso) com uma reportagem completa sobre o novo filme do Homem-Morcego, em que Christopher Nolan transforma o Coringa em agente do caos eleva o “filme de super-heróis” a outro patamar. Matéria completa, com entrevistas com Nolan, Christian Bale, Aaron Eckhart e cia., mais a crítica do filme, perfil do Coringa e outras surpresas.

Como julho não é feita só de Batman, SET também traz matéria sobre Hancock, e como o novo filme com Will Smith passou de aventura subversiva a um filme bacana mas sem seu edge – pode esperar sem medo uma versão do diretor com a famigerada “cena do trailer”. No mesmo dia de Hancock, também chega aos cinemas Kung Fu Panda, que SET acompanha com matéria completa sobre o “anti-Shrek” da DreamWorks. A revolução do cinema 3D é representada justamente por Viagem ao Centro da Terra, que conferimos em Nova York (viajar, viajar…) em reportagem exclusiva, investigando uma das alternativas para salvar da pirataria a experiência de ver um filme na sala escura e numa telona. Para completar, entrevista exclusiva com o criador da série Arquivo X – e diretor do novo longa, Eu Quero Acreditar -, Chris Carter (que está louco para surfar no Rio de Janeiro e em breve aporta num país aqui ao lado…).

SET de julho está quase nas bancas. Para quem gosta de cinema, por quem gosta de cinema.

Christian Bale como Batman em O Cavaleiro das Trevas

Incrível, é o Hulk!

quinta-feira, 12 junho, 2008

Semana passada, entre Praga (no set de GI Joe) e de volta a Londres (dando um pulo nas filmagens de The Wolfman), peguei uma sessão de O Incrível Hulk. Ainda bem que a agonia do “eu vi primeiro, eu vi primeiro!!!” ainda não me contaminou. Nada como dar um tempo para digerir o filme com cuidado, prestando atenção em detalhes e, na hora de compartilhar a experiência com vocês, a coisa não sair destrambelhada. Vamos ao verdão. O filme de Louis Leterrier é, afinal, bom? A resposta, com certo alívio, é sim. Seguindo o caminho aberto por Homem de Ferro no começo da temporada, o segundo filme da Marvel é uma aventura acelerada, bem resolvida e contida em pouco menos de duas horas, mas com uma enxurrada de referências que deixa os fãs salivando para 2010, quando o estúdio libera mais dois filmes. Ainda assim, O Incrível Hulk não é uma aventura tão satisfatória e completa como Homem de Ferro. Para resumir o problema, o filme não é cool o bastante.

Como eu mesmo já comentei na reportagem de capa da edição de junho de SET, O Incrível Hulk é um restart da série, e em nada se relaciona com o filme que Ang Lee dirigiu em 2003 – diga-se, um filme nunca menos que espetacular. Mas aparentemente os fãs queriam o bom e velho “Hulk esmaga!”, e não o épico introspectivo e cerebral de Lee, com direito a um clímax psicodélico que Frank Brunner não conseguiu tecer nem nas tramas mais alucinadas do Dr. Estranho. Além disso, com O Incrível Hulk a Marvel buscou um filme que se encaixasse na concepção de seu “universo cinematográfico”, mais coeso e interrelacionado, em que personagens de filmes diferentes habitassem o mesmo mundo. Assim, o filme de Louis Leterrier chega coalhado de referências ao mundo Marvel dos gibis – ainda mais que Homem de Ferro. Além de óbvias referências às Indústrias Stark, são mencionados a SHIELD (e seu diretor, Nick Fury), Jack McGee e Jim Wilson (personagem da série de TV e dos gibis, respectivamente) e, de forma onipresente, o Capitão América. Muito mais do que possa se imaginar…

O filme começa com um rápido flashback da origem do verdão – mais uma vez longe dos gibis, agora próxima à da série de TV – e logo nos coloca na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Bruce Banner (Edward Norton) está escondido, trabalhando numa fábrica de refrigerante, e procurando não só controlar a fera que habita seu corpo, mas também um modo de eliminá-la de vez. Ele é descoberto pelo exército e logo o General Ross (William Hurt) arma uma tropa para trazê-lo de volta. Até então, o caos trazido pelo Hulk é discreto, fica restrito às sombras – mas sua presença incomoda o soldado Emil Blonsky, que logo torna-se obcecado em capturar a fera. Ou, como fica lentamente claro, em conseguir seu poder. Para tanto, ele submete-se a uma experiência conduzida por trás das cortinas pelo General Ross, que coloca as mãos no Soro do Supersoldado, desenvolvido na Segunda Guerra Mundial, para aplicá-lo em Blonsky. Assim, o soro que criou o Capitão América é usado, e o Hulk, agora acuado no campus de uma universidade, quando Banner reaproximou-se de Betty Ross (Liv Tyler), enfrenta Blonsky versão Supersoldado. Com o fracasso, é questão de tempo até Emil ter seu sangue contaminado por radiação gama, e o resultado é a criação do Abominável e um impressionante quebra-pau nas ruas de Nova York.

O bacana em O Incrível Hulk é que todas essas seqüências são amarradas com velocidade, mas a mudança de atitude de Banner em relação a seu alter-ego nunca parece apressada ou sem motivação. Aos poucos ele percebe que seu destino pode, sim, estar ligado à criatura de maneira positiva, mesmo que ainda incontrolável. Ao contrário do Hulk mostrado no filme de Ang Lee, desta vez o monstro verde parece desenvolver mais inteligência a cada transformação, como uma criança que aprende com os erros e raciocina soluções, ainda que num nível muito primário. É claro que os fãs vão adorar quando ele finalmente berrar seu “Hulk esmaga!” tradicional! Além disso, claro, os fãs vão adorar o modo como O Incrível Hulk encaixa-se no mundo sugerido em Homem de Ferro e o expande. Um exemplo de que esse é definitivamente um mundo hiper-realista são as armas sônicas que o exército utiliza contra o verdão – mais gibi, impossível. Embora a participação de Leonard Samson (Ty Burrell) seja tímida, o cientista Samuel Sterns (Tim Blake Nelson) tem papel decisivo na trama, mostra óbvia fascinação pelas implicações biológicas abertas pelo Hulk e despede-se de cena com uma introdução nada sutil a seu alter-ego, o Líder (talvez num próximo filme…).

Uma cena que ficou de fora, no entanto, foi um prólogo no Ártico, em que Banner possivelmente encontraria o corpo congelado do Capitão América – cena confirmada para este que vos escreve por Leterrier e pelo produtor Kevin Feige. Um rápido telefonema e Feige me conta que eles decidiram não incluir a cena por destoar do resto do filme, por ser uma cena mais pesada – mas ela não só estará disponível online em breve como será disponibilizada no DVD do filme. Mais uma cortina de fumaça? Para garantir, é bom ficar até o fim dos créditos mais uma vez… (Ah, essa não é informação “exclusiva” porque isso é o conceito mais estúpido do planeta…).

O que nos traz de volta ao fator “O Incrível Hulk é bacana, mas não é cool”. Existem coisas que são intangíveis, reações que terminam sendo particulares com a bagagem e a expectativa de cada pessoa na sala escura. Homem de Ferro trazia uma energia dinâmica, representada pelo imprevisível Tony Star de Robert Downey Jr (que aparece em O Incrível Hulk com mais ecos do que pode ser tornar Vingadores em celulóide). O filme de Jon Favreau é elétrico, é uma experiência narrativa e também sensorial. Sob esse prisma, não existe absolutamente nada de errado em O Incrível Hulk. Apesar de algumas soluções apressadas no roteiro – e a geografia por vezes implausível -, o filme é dirigido com firmeza, mesmo em suas porções mais dramáticas. Não deixa a desejar como filme de ação – em especial o clímax, que mostra o encontro de duas criaturas de poder inimaginável. O elenco funciona à perfeição, especialmente Ed Norton. É bem humorado na medida certa e traz mimos para os fãs repetirem a dose.

Mas, inexplicavelmente, não agarra pelo estômago, não é eufórico e não traz impressões duradouras como, mais uma vez, Homem de Ferro. Pode ser que o cuidado extremo, causado pela lembrança ainda firme do Hulk de Ang Lee, tenha arrancado um pouco da espontaneidade do filme. Talvez o personagem se preste mais à introspecção que o colorido vingador dourado. Homem de Ferro é definitivamente cool. O Incrível Hulk é um filme jóia. Se isso é pouco, o veredito está em suas mãos.

Afinal, qual é a de Fim dos Tempos?

quinta-feira, 12 junho, 2008

Amanhã estréia o novo filme de M. Night Shyamalan, Fim dos Tempos. Eu estava em um avião a caminho de casa, mas o editor-chefe de SET, Rodrigo Salem, assistiu ao filme em São Paulo. O que ele achou? Bom, descubra nas linhas a seguir.

FIM DOS TEMPOS
(The Happening, EUA/Índia, 2008 ) De M. Night Shyamalan Com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Ashlyn Sanchez. 91 min. http://www.thehappeningmovie.com Fox. Suspense
NOTA: 6

Num determinado episódio de South Park, os militares pedem a ajuda para três cineastas de Hollywood (Mel Gibson, Michael Bay e M. Night Shyamalan) para bolarem um plano para impedir que terroristas assassinem todas as criaturas de fantasia imaginadas pela humanidade. Em vez de elaborar tramas para acabar com os vilões, Shyamalan fica soltando diversas reviroltas sem nexo. A caricatura (errônea) de um diretor truqueiro, mais preocupado em bolar finais inesperados para enganar os trouxas parece ter convencido a própria vítima. Se A Dama na Água foi uma ousada mudança de ambiente, Fim dos Tempos teria tudo para um dos cineastas mais originais da atualidade provar que suas histórias sempre possuem uma carga de subtexto e técnica além das surpresas no fim.

O problema é que Fim dos Tempos é a obra de um sujeito atingido pela insegurança ocasionada por toda a confusão envolvendo a saída da Disney, o fracasso na Warner e as críticas à Dama na Água. O que poderia ser um passo além numa filmografia invejável vira um pastiche de todos os elementos que Shyamalan usou nos longas anteriores – para efeito de comparação, imagine Brian DePalma depois de Fogueira das Vaidades, filmando o indulgente Síndrome de Cain. Temos o herói médio de Sinais, agora na figura do professor de ciências de Mark Wahlberg. Há o homem em busca da felicidade da família de Corpo Fechado. De A Vila, a paranóia invisível e o isolamento. As (boas) imagens fortes (é o primeiro filme dele desaconselhável para menores de 17 anos) são amplificadas de O Sexto Sentido. E até temos o roteiro linear de A Dama na Água. Tudo isso resulta num suspense bem acabado, porém óbvio e sem…err.. suspense. As metáforas sobre a praga ecológica que consome o leste dos Estados Unidos (levando as pessoas a cometerem suicídio) conseguem ser mais risíveis que as de Guerra dos Mundos, de Spielberg, e os atores parecem todos meio desnorteados, principalmente Zooey Deschanel, mais pirada que sua personagem no lisérgico Weeds. Não chega a ser o fim do mundo, mas Shyamalan precisa recuperar a confiança urgentemente em The Last Airbender, do contrário não teremos nem finais surpresa ou surpresa alguma vinda de suas obras.

Rodrigo Salem

Yo, Joe!

domingo, 8 junho, 2008

Deixa eu explicar como funcionam as coisas. Há dois dias eu passei o dia no set de GI Joe em Praga (escrevo essas linhas de Londres, onde vou em outro set daqui a pouco…). Mas não vou falar como foi esse dia. Nem o que vi. Nem as surpresas que o filme, que estréia em agosto de 2009, reserva. Por que? Ainda é cedo. Muito cedo. Mas foi interessante descobrir que pelo menos 90 por cento da boataria que você encontra pela internet não passa disso: boato. Fazer um filme é um processo longo, e é extremamente injusto julgar por uma foto fora de contexto, uma informação desencontrada, um achismo de algum blogueiro “genial”. Isso que é o bacana em cinema, é ver o produto completinho, na sala escura, sem que um fanzineiro da vida estrague sua experiência. Por isso que, por mais que eu queira compartilhar algumas coisas… Ainda é cedo. E ninguém da SET – por sinal, o único veículo brasileiro no set – tem o hábito de ferrar a diversão alheia. Ah, o diretor Stephen Sommers tem o entusiasmo de um garoto de 12 anos, Sienna Miller é um absurdo de fantástica, e a química entre Channing Tatum e Marlon Wayans é perfeita, mesmo fora de cena. Não acredite em NADA que você leu sobre GI Joe por aí. Na verdade, não acredite em seus olhos também. Tenha paciência – é mais bacana assim – e espere matéria completinha sobre GI Joe na SET!

Sienna Miller é a Baronesa

Said Taghmaoui é Breaker

Christopher Eccleston é Destro

Channing Tatum é Duke

Dennis Quaid é General Hawk

Adewale Akinnouye-Agbage é Heavy Duty

Marolon Wayans é Ripcord

Rachel Nichols é Scarlett

Ray Park é Snake Eyes

Byung-Hun Lee é Storm Shadow