errr… Melhores HQs de 2007, parte 1

O que posso dizer? Obrigações se atropelaram, mudanças ocorreram e a rotina mordeu um naco generoso de meus neurônios pop – como conseqüência, a lista de melhores gibis de 2007, finalizada pós-Carnaval, ficou guardadinha, esperando seu lugar ao Sol. Como boa parte das histórias a seguir sequer foi publicada no Brasil, o Top Ten 2007 Kapow! de HQs (pomposo, não?), permanece atual. Ah, vale explicar alguns critérios: basicamente, não entram republicações no bolo e, com uma única (e explicável) exceção, todas as histórias a seguir viram a luz ano passado – também não dividi entre “nacionais” e “gringos” porque, afinal, uma boa história é uma boa história, e ao inferno com sua origem. É, desculpas, desculpas… Sem mais delongas, vamos ao listão – a primeira parte vai hoje; a segunda, amanhã.

10. ALL-STAR SUPERMAN #9

(Texto: Grant Morrisson; Arte: Frank Quitely)


Grant Morrisson faz tudo parecer muito simples. A cada mês, All-Star Superman desfila as melhores histórias do Homem de Aço em décadas sem que elas precisem de um mega-crossover para funcionar, sem edições especiais, sem tomos de capa dura. No confinamento de um gibi comum, Morrisson desvenda o que faz o Superman ser o maior de todos os heróis, com uma reverência à sua história que nunca resvala na estupidez e no revisionismo. A cada edição, o escritor esmiuça uma parte da personalidade do herói, e no processo o torna mais humano – o que é uma contradição, já que na série o Superman está morrendo por overdose de poder e encontra-se mais forte do que nunca. Aqui, ele confronta dois Kriptonianos que tentam reerguer a “glória de Krypton” na Terra” à força, até serem derrotados por sua própria mortalidade. Alguém tem dúvida que All-Star Superman estará nessa lista novamente ano que vem?

9. THE UMBRELLA ACADEMY

(Texto: Gerard Way; Arte: Gabriel Bá)


Não é que eu tinha um pé atrás com uma série assinada pelo vocalista da banda emo My Chemical Romance: eu tinha certeza de que não passava de egotrip do astro do rock. Mas aí li a primeira edição. E havia algo muito peculiar neste grupo/família de super-heróis – uma mistura mais psicodélica de Quarteto Fantástico com X-Men – que se reúne em circunstâncias bizarras. Encarei a segunda edição e já era tarde: Gerard Way deixou de ser “o sujeito do My Chemical Romance” para se tornar um dos escritores mais promissores a aterrisar nas HQs, misturando a sensibilidade grotesca de Grant Morrisson em Patrulha do Destino com a dinâmica de anti-heróis que Chris Claremont imprimiu nos X-Men em seus tempos áureos. A arte, então, é um capítulo à parte. O brasileiro Gabriel Bá (que eu sempre confundo com seu irmão, Fábio Moon, foi mal, Bá) aperfeiçoa em seu estilo ecos de Mike Mignola sem nunca perder a identidade que o destacou ainda no quadrinho independente brasileiro. Ele abraça o “gênero super-heróis” com voracidade, ainda que seja tão distoante do mainstream: é arte de fato.

8. ASTONISHING X-MEN #23

(Texto: John Whedon; Arte: John Cassaday)


Habitando um universo compacto dentro dos próprios meandros editoriais da Marvel, a série bancada por Whedon e Cassaday é a melhor tradução dos heroi mutantes desde que Grant Morrisson os reinventou com os trajes de couro negro. Mas, nas mãos do criador de Buffy, X-Men é uma equipe de super-heróis sem entrelinhas, e Whedon sabe exatamente como nos enamoramos dos mutantes em primeiro lugar. Nesta edição em particular, recentemente publicada no Brasil, ele engloba tudo que faz dos X-Men os melhores: o melodrama, a ação hipercinética, a personalidade bem definida de cada um e um “flashback” espetacular, que me fez voltar a duas, três edições atrás com um “ah, fala sério!” gigante estampado no rosto. “A mim, meus X-Men”, entoado por um Ciclope mostrando porque afinal é o líder da equipe, é de arrepiar – assim como a conclusão desta saga.

7. SHORTCOMINGS

(Texto e arte: Adrian Tomine)


Criador da espetacular série Optic Nerve, Adrian Tomine é um historiador do homem comum. Como poucos autores – em qualquer mídia – ele entende que o mundo contemporâneo vive mergulhado em sarcasmo, mesmice, correção política e outras doenças modernas que parecem travar nossa evolução como espécie. Caso em questão, o gerente de cinema Ben Tanaka, protagonista de sua primeira graphic novel. De origem nipônica, ele namora com Miko, uma descendente de japoneses (que vive para “reafirmar” sua herança) e sua melhor amiga é outra nissei, lésbica, que não dura muito em nenhum de seus relacionamentos. Quando Miko dá um break e vai morar em Nova York, Ben aproveita para fazer um balanço de sua vida – o que não significa nenhuma introspecção, ou o menor esforço para ele lidar com sua total inabilidade em se relacionar com pessoas, e sim sexo com mulheres diversas (e não-asiáticas, de preferência) e a demolição de cada bobagem erguida pela juventude “correta” contemporânea – “artistas” e “malditos” muito parecidos com os indies brasileiros. De traços econômicos, Tomine faz seu discurso sobre intolerância e preconceito disfarçado de dramédia romântica moderna. Mas sua intenção não é doutrinar ou tomar partido: é mostrar como as pequenas coisas mudam o rumo de nossa vida. E ser um cronista das pequenas coisas é o que faz dele – e de Shortcomings – grande.

6. A MORTE DO CAPITÃO AMÉRICA

(Texto: Ed Brubaker; Arte: Steve Epting)


Matar um personagem de relevância, na esmagadora maioria das vezes, é recurso de roteirista capenga ou desespero da editora por baixas vendas. Bom, Brubaker está longe de ser “capenga” e nem a Marvel ou o título do Capitão América estavam mal das pernas. Ainda assim, sobrou a terceira alternativa para tirar Steve Rogers de cena: contar uma boa história. Desde que Brubaker (e o incomparável Steve Epting) relançaram o título do Capitão há mais de dois anos, ele tornou-se menos um “super-herói” e mais uma trama de ação e espionagem, um James Bond com mascara. Veio a Guerra Civil, heróis tomaram lados e Steve Rogers foi preso – no epílogo, terminou assassinado justamente por Sharon Carter, sua amante, que tinha a mente controlada pelas maquinações do Caveira Vermelha. O mais impressionante é que, depois da morte de Rogers, o título manteve-se com o mesmo ritmo e o mesmo senso de urgência, com o plot politico de Brubaker desenvolvendo-se ao mesmo tempo em que aumentavam as apostas de quem seria o próximo a empunhar o escudo do herói. Um ano se passou. Steve Rogers continua morto. As conseqüências são sentidas com força no atual blockbuster Secret Invasion. E Capitão América continua sendo um dos títulos mais sólidos da Marvel.

Tags: , , , , , , , , , , ,

6 Respostas to “errr… Melhores HQs de 2007, parte 1”

  1. Edgard Says:

    É pra rir?
    Boa lista, mas peraí!!!! Melhores de 2007 em pleno mês de Agosto?
    Tava na hora de fazer um “Melhores do 1° Semestre”…..
    Enrolado….
    E ainda segurou a segunda parte da lista…. era melhor divulgar logo o Top 10 na íntegra, não acha?
    Espero q os melhores de 2008 sejam divulgados ainda nesta década…

  2. Luis Felipe Says:

    Poxa Sadovski, a segunda parte da lista não ia sair hoje? Será que vai ficar pro ano que vem? HAUHAAHAUHAUU!”

  3. Lucas Ravazzano Says:

    muito boa a lista sadboy
    alguma chance do resto dela sair ainda esse ano?

  4. Magno Says:

    Muito boa lista sim! X-men, Superman,… heróis em alta sim, mas cadê a capa da SET de setembro? Já estamos até acostumados com esses atrasos! —

  5. junior ribas Says:

    Veja só magno…falta uma semana pro mes que vem…e nada…
    vou repetir algo que ja disse…se set nao fosse tao boa,eu juro que…ah esquece…eu nao faria nada…
    vou dar uma passadinha amanhã pra ver se a capa ja esta “disponível”
    abração pessoal…

  6. ANTI-EMO Says:

    My Chemical Romance NÃO É EMOOOOOOO!!!!!!!!!!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: