Afinal, qual é a de Fim dos Tempos?

Amanhã estréia o novo filme de M. Night Shyamalan, Fim dos Tempos. Eu estava em um avião a caminho de casa, mas o editor-chefe de SET, Rodrigo Salem, assistiu ao filme em São Paulo. O que ele achou? Bom, descubra nas linhas a seguir.

FIM DOS TEMPOS
(The Happening, EUA/Índia, 2008 ) De M. Night Shyamalan Com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Ashlyn Sanchez. 91 min. http://www.thehappeningmovie.com Fox. Suspense
NOTA: 6

Num determinado episódio de South Park, os militares pedem a ajuda para três cineastas de Hollywood (Mel Gibson, Michael Bay e M. Night Shyamalan) para bolarem um plano para impedir que terroristas assassinem todas as criaturas de fantasia imaginadas pela humanidade. Em vez de elaborar tramas para acabar com os vilões, Shyamalan fica soltando diversas reviroltas sem nexo. A caricatura (errônea) de um diretor truqueiro, mais preocupado em bolar finais inesperados para enganar os trouxas parece ter convencido a própria vítima. Se A Dama na Água foi uma ousada mudança de ambiente, Fim dos Tempos teria tudo para um dos cineastas mais originais da atualidade provar que suas histórias sempre possuem uma carga de subtexto e técnica além das surpresas no fim.

O problema é que Fim dos Tempos é a obra de um sujeito atingido pela insegurança ocasionada por toda a confusão envolvendo a saída da Disney, o fracasso na Warner e as críticas à Dama na Água. O que poderia ser um passo além numa filmografia invejável vira um pastiche de todos os elementos que Shyamalan usou nos longas anteriores – para efeito de comparação, imagine Brian DePalma depois de Fogueira das Vaidades, filmando o indulgente Síndrome de Cain. Temos o herói médio de Sinais, agora na figura do professor de ciências de Mark Wahlberg. Há o homem em busca da felicidade da família de Corpo Fechado. De A Vila, a paranóia invisível e o isolamento. As (boas) imagens fortes (é o primeiro filme dele desaconselhável para menores de 17 anos) são amplificadas de O Sexto Sentido. E até temos o roteiro linear de A Dama na Água. Tudo isso resulta num suspense bem acabado, porém óbvio e sem…err.. suspense. As metáforas sobre a praga ecológica que consome o leste dos Estados Unidos (levando as pessoas a cometerem suicídio) conseguem ser mais risíveis que as de Guerra dos Mundos, de Spielberg, e os atores parecem todos meio desnorteados, principalmente Zooey Deschanel, mais pirada que sua personagem no lisérgico Weeds. Não chega a ser o fim do mundo, mas Shyamalan precisa recuperar a confiança urgentemente em The Last Airbender, do contrário não teremos nem finais surpresa ou surpresa alguma vinda de suas obras.

Rodrigo Salem

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25 Respostas to “Afinal, qual é a de Fim dos Tempos?”

  1. Márcia Dantas dos Santos Says:

    Pena que, ao que parece, M. Night Shyamalan e sua promissora carreira não andam bem das pernas. Afinal, depois dos ótimos “Sexto Sentido” e “Corpo fechado”, seu “Sinais” foi chato (claro, na minha opinião), e os filmes que vieram a seguir não tiveram o mesmo impacto!! Tomara que ele consiga se recuperar e colocar (merecidamente) seu nome entre os grandes cineastas de todos os tempos!!

  2. joão paulo da silva Says:

    Talvez ele precise que a série Avatar devolva sua confiança e quem sabe ele consiga fazer um novo épico.Fim dos Tempos parece bem intrigante antes de falar mal eu vou assistir.Depois eu volto com a resposta.

  3. fabio Says:

    Eu ainda não vi o filme por motivo de tempo,mas até agora não vi nenhuma critica positiva do filme,mesmo assim estou ancioso para ver,sou um grande fã do cineasta apesar dele ter dado uma derrapada em ”A dama na água” mas tudo bem,ninguém é perfeito mas continuo acreditando nele.

  4. Patricia Ponte Says:

    Mesmo sendo daqueles fãs do Shyamalan que gostaram até de A dama na Agua, tenho que reconhecer que, desta vez, ele falhou. Uma pena, pois tinha uma ótima história nas mãos… Apesar de apresentar bons momentos, o filme está muito aquém do talento de M. Night. Vou torcer por ele na próxima!

  5. Alipio Says:

    O problema é q Shyamalan se acha a ‘bala que matou John Lennon’. Ele precisa baixar a bola. Até pq, seus filmes anteriores sao muito bons. Até o massacrado ‘A Dama na água’.
    alipio.silva@infoglobo.com.br

  6. Cara Says:

    Este filme é uma porcaria que provoca risos involuntários, no final a galera do cinema vaiou e com razão! E que atriz é aquela? Ela transa com o diretor ou o quê?

  7. Fujaaaaaa....... Says:

    Fuja. È o “FIM DOS TEMPOS”, é o fim do mundo.Ô filmezinho chato.sem nexo,sem pé nem cabeça.Shyamalan,da proxima vez coloca um vilão ou uma ameaça de verdade,sabe só pra variar,por que aqueve “ventinho” de fim de tarde não assustam ninguem. : (
    E AS ABELHAS? FORAM VER HULK.

  8. Edgard Says:

    Só posso dizer uma coisa: que pena….
    Até aqui o Shyamalan tinha realizado bons trabalhos, mesmo que dividissem opiniões… mas esse creio q seja unanimidade, pois infelizmente é ruim mesmo…. E o pior é que poderia ter sido bom, pois o eixo central – se bem desenvolvido – daria um filmão. E será q o cara esqueceu como dirigir atores? Ficou tão preocupado em fazer “clima” que esqueceu que as atuações são tão importantes quanto?
    Vou ter que repetir… que pena!

  9. Fábio Says:

    Meu ”Deus” o que foi aquilo q eu vi? é… eu acho q foi o fim dos tempos mesmo para Shyamalan q pena mesmo,adoro ir ao cinema sou um grande fã do cara mas nunca sai tão decepicionado em um filme(não sei se é por que sou fã dele).Não é possivel ele deve estar com algum problema emocional , desde seu desentendimento com os executivos da ”Disney”,isso deve ter afetado muito ele.Como vocês estão sabendo o seu proximo longa será “Avatar”,não sei vcs mas prefiro vindo de Shyamalan não uma adaptaçao mas sim algo “origianal” q ele só sabe fazer…ou sabia.

  10. Luis Carlos Pretto Says:

    Sou um fã deste cineasta, que gostou de todos os seus filmes anteriores (alguns mais, outros menos). Não estou decepcionado. Vejo esse filme como qualquer outro de sua trajetória cinematográfica, com os seus erros, acertos, com cenas muito boas e situações interessantes.Só alguém que FAZ pode errar ou acertar, se ele quer agradar a todos, então faça uma adaptação de livros e quadrinhos. Ele continua livre, independente e isso dói em muita gente. É que geralmente os filmes deles fazem as pessoas pensarem (o que a maioria não quer por que atrapalha na mastigação das pipocas!) Espero anciosamente o próximo…

  11. Edgard Says:

    Esse realmente é um filme que faz pensar….. pois qualquer pensamento é melhor do que ficar prestando atenção naquilo… meu pensamento sempre ficava fixo na máquina de pipocas do lado de fora… uma mancha negra na filmografia de um dos mais interessantes cineastas da nova geração… fica devendo a qualidade de sempre para Avatar, se é que esse filme vai sair mesmo….

  12. Efraim Fernandes Says:

    Poderia ser bem melhor este filme. O diretor deu ênfase neste filme, assim como em Sinais, o drama familiar.

  13. Fábio Says:

    Estou aqui mais uma vez para fazer um comentario sobre ”Fim dos tempos”,estranho mas eu li em uma revista outro dia antes da estreia do filme que o longa se tratava mais uma vez de ”ETS”,o pessoal da SET deve saber de qual revista estou falando,e é claro q não é da SET. Por um momento até acreditei, quando olhei para o ”poster” que enquadra bastante o céu mas não vi nada de ”ETS” no filme,para finalizar ainda acho Shyamalan muito ousado e corajoso em arriscar fazer algo original, esse um ponto forte para um diretor,o filme pode ter seus bons momentos mas no final deixa à desejar mesmo assim se tornou polêmico.

  14. Patricia Ponte Says:

    Tenho que concordar com o Luis Carlos: ao inves de ficarmso so falando que o filme é ruim, devemos lembrar do grande diretor e roteirista que é M. Night Shyamalan e dos seus trabalhos anteriores; sua originalidade e coragem renovaram o cinema americano, e isso está sempre presente em todos os seus filmes.

  15. Patricia Ponte Says:

    Tenho que concordar com o Luis Carlos: ao inves de ficarmos so falando que o filme é ruim, devemos lembrar do grande diretor e roteirista que é M. Night Shyamalan e dos seus trabalhos anteriores; sua originalidade e coragem renovaram o cinema americano, e isso está sempre presente em todos os seus filmes.

  16. othons Says:

    filme fim do tempo é porcaria. nota é zero…

  17. Edgard Says:

    Peraí.. se o filme é bom, elogiamos… se é ruim, temos que criticar mesmo… não posso falar bem de um filme ruim só por q é do Shyamalan… que o cara é bom, isso não discordo… que O Fim dos Tempos merece uma olhadinha, também nõ discordo… agora daí a querer colocar panos quentes só porque os filmes anteriores são bons, ou pelo histórico do cara…. ah, fala sério….

    O filme é ruim de doer… e a Zooey, que muito embora não precise “dormir” com diretor nenhum pra fazer um filme, está ruim pra caraca….

  18. Rafael M. Says:

    Olha, vi o filme só ontem, e discordo da crítica. Não é o melhor, nem de longe o mais brilhante filme dele, realmente todos os elementos citados dos anteriores estão lá, mas não acho que não haja suspense. O timing dele pro suspense é ótimo, apesar dele se utilizar de uma série de recursos de filmes trash, o que pra mim acaba sendo interessante. No fim das contas o final do filme não é surpreendente porque acho que a proposta é quebrar esse paradigma. Ele conta em meia hora de filme qual é a origem do grande mistério e no fim das contas dá um final para se refletir: o que salvou a vida dos protagonistas no fim? Seria o mero acaso ou existe algo além? Quem assistiu talvez entenda do que eu estou falando…

  19. MaX Says:

    O filme é estático e nada mais ,um pena.

  20. Nilson Luiz Rosa Lopes Says:

    Um dos mais lamentáveis equívocos do cinema recente! Lamentável mesmo. Afinal, porque um diretor talentoso, com um histórico de excelentes serviços prestados ao cinema, de repente comete uma barbaridade como Fim dos Tempos? Qual a explicação? Parece haver somente uma: megalomania. Já aconteceu antes, de maneira ainda mais espetacular. Achando que tinha sido tocado por luz divina após dirigir com grande sucesso o oscarizado “Dança com Lobos”, Kevin Costner achou que dominava completamente os segredos da profissão. Assim, não deu ouvidos a ninguém e naufragou (literalmente) com a mega bomba “Waterworld”, em que ele atuou, além de co-dirigir e produzir. Parece que M. Night Shyamalan foi acometido da mesma ilusão. Depois do estouro inicial de “Sexto Sentido” encarreirou filmes que, ora agradavam mais à crítica (Corpo Fechado) ora mais ao público (Sinais), mas sempre dando mostras de que tinha algo mais a dizer em meio à mesmice que grassa em Hollywood há algumas décadas. Enfim, aparecia um diretor com estilo e, o que é mais importante, com conteúdo. O primeiro tropeço veio com A Dama da Água. Neste projeto totalmente pessoal todos ficaram com a pulga atrás da orelha: a crítica e o público. Para realizá-lo, inclusive, o diretor rompeu com o estúdio no qual fizera todos os seus filmes anteriores, a Disney(!) alegando “diferenças criativas”. Mas o que era apenas uma suspeita acabou se transformando em certeza. De diretor inspirado cuja marca maior era surpreender o espectador com roteiros inventivos e bem humorados não se poderia esperar uma trama tão esquemática e previsível. Será que é esta a surpresa que ele preparou desta vez? Que raios aconteceu com Shyamalan? Se você já assistiu a Fim dos Tempos sabe do que estou falando. Se não assistiu ainda, não se dê ao trabalho. A menos que queira “ver para crer”. Saiba que sou fã deste diretor desde o início de sua carreira e fiquei absolutamente constrangido pela estultice demonstrada por ele neste filme. O roteiro, vergonhosamente oportunista, apresenta uma “revolta da natureza” contra o “homem predador” na forma de toxinas liberadas por plantas que induzem as pessoas ao suicídio. Parece esdrúxulo? E é mesmo. Acrescente aí um ventinho sob encomenda que a natureza mãe sopra sempre que as plantas aprontam uma nova remessa de toxinas para jogar sobre os humanos incautos. Com um detalhe: inicialmente a conspiração plantas/vento só atinge grandes concentrações humanas (não era o caso do diretor…) Mas, perfidamente, depois de um tempo, a rebelião da natureza começa a atingir também pequenos grupos. Some a tudo isso um Mark Wahlberg que engata uma cara-de-professor-preocupado durante todo o filme, no auge da canastrice, acompanhado por uma coadjuvante inexpressiva (Zooey Deschanel) com cara de doida -bonitinha-perdida- em-meio-ao-apocalipse-querendo-discutir-a-relação. Parece muito? Não é tudo. É preciso acrescentar a essa mixórdia a pieguice dos diálogos inacreditavelmente bobos. E tome gente se matando “enquanto o vento sopra”(esse deveria ser o título!): com revolver, com prendedor de cabelo (?), por atropelamento, com cortador de grama, pulando de prédios ou do que mais estiver à mão. Fim dos Tempos?! Sei não…Tá mais prá fim de carreira…

  21. Ed RM Says:

    Não é a oitava maravilha do mundo, com certeza. É um Shyamalan menor, como bem disse uma crítica norte americana. Mas, no fundo, o filme é um drama (draminha, ok) com o “fim dos tempos” como pano de fundo.

    Leiam as análises dos sites contracampo, revista cinética e a do Luis Carlos Merten (no Estadão, se não me engano) sobre o filme. Análises de pessoas que entendem de verdade de cinema, que não se deixam levar apenas por primeiras impressões, e não de nerds que adoram pegadinhas pop como o Salem e se acham mto entendidos.

  22. Davi Says:

    O problema de alguns críticos profissionais, caro Ed, é que eles se habituam tanto a usar toda sua massa encefálica quando assistem a um filme, que se esquecem de assisti-lo. Sendo inteligente e sabendo escrever, pode-se argumentar o que quiser sobre qualquer filme. Porém, no frigir dos ovos, nossa relação com ele é um tete-a-tete, é o que a gente sente na hora mesmo… podem-se escrever um milhão de páginas de eruditismo para se salvar um filme, mas o que importa é o que você vê, ouve e sente enquanto isso. E Fim dos Tempos é, simplesmente, um filme ruim.

  23. Breno Says:

    Chamar o último filme de Shyamalan de pastiche que é o verdadeiro fim dos tempos.

  24. ricardo costa Says:

    o filme ruim. deus me livre. parece q sexto sentido foi uma inspiraçao unica.

  25. Jota Jota Says:

    O filme mostra de maneira sutil a superficialidade humana em relação a tudo que está a sua volta. Um bom exemplo está na cena dentro da sala de aula em que o rapaz ficou mais preocupado com a possibilidade de deixar de ser bonito do que com a questão do desaparecimento das abelhas. Talvez o público não tenha percebido que o filme é uma metáfora para o ‘fim de nossas introspecções comportamentais’, o ‘fim da auto análise’. A raça humana precisa urgentemente conhecer a si próprio para depois perceber que o que está ao nosso redor (principalmente ‘futilidades’ como as abelhas) está tudo interconectado, como numa teia. Uma pena mesmo que a maioria não percebeu isso. Mas, como Millôr Fernandes havia dito: Toda unanimidade é medíocre. E mais uma vez esta frase se tornou profética. Mais até do que o filme.

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