Archive for maio \25\UTC 2008

Hulk esmaga na SET de aniversário!

domingo, 25 maio, 2008

Chegou aquele momento do mês em que eu digo “a SET está pronta” e dou um aperitivo para vocês. Pois bem, depois de um feriadão trabalhando, a edição de junho está pronta – e é uma edição especial, com 100 páginas, para marcar os 21 anos da revista. Nós investigamos os bastidores de O Incrível Hulk para revelar o que a Marvel pretende com o novo filme do verdão no cinema – e como ele se encaixa no “grande plano” da editora. Fomos para Londres entrevistar os criadores de Sex and the City – O Filme. Entrevistamos Steve Carell direto do set de Agente 86. Renato Aragão, o maior astro que o cinema brasileiro já teve, fala sobre passado e futuro de sua carreira. E Wall-E está espalhado por toda a SET. Deu um trabalhão, mas o resultado você confere nas bancas no começo de junho (e eu espero que, desta vez, ninguém roube nossos textos…).

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Indiana bacana!

quarta-feira, 21 maio, 2008

Acabei de voltar de minha segunda dose de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Em uma palavra? É sensacional. Vá ao cinema, leve seu amigo, leve seu amor, vá em turma e divirta-se. A nova aventura do maior herói do cinema é diversão pura. Diversão nostálgica, que não sucumbiu ao (bem-vindo) avanço na tecnologia de fazer filmes. Por que, falando francamente, a tecnologia do cinema evoluiu para perto da perfeição. Não existe nada que os cineastas sonhem que não possa ser traduzido em celulóide (ou melhor, em imagem digital). E, nas mãos de sujeitos talentosos, temos hoje filmes como a série Bourne, o novo James Bond, Batman Begins e uma outra boa dúzia que se aproveita de efeitos de ponta, edição acelerada e muito cérebro. É a ilusão do realismo em prol de uma experiência única. E isso é muito bom.

Ainda bem que também é muito bom que Steven Spielberg seja teimoso como uma mula. Ele não abre mão da moviola, não abre mão do artesanato cinematográfico. E seria impossível contar uma história de Indiana Jones de outras maneira. Afinal, O Reino da Caveira de Cristal traz praticamente a mesma carpintaria dos outros três filmes da série. Sendo mais específico, Os Caçadores da Arca Perdida criou um padrão seguido pelo próprio Spielberg em O Templo da Perdição e em A Última Cruzada – e por uma dezena de imitadores logo depois. Com Caçadores, porém, a criatura superou seus criadores, e Indy tornou-se artigo inimitável. A boa notícia é que não existe nenhuma insinuação de atualização no novo filme. A má… bom, estamos mal acostumados com a velocidade do cinema, e nesse sentido Indiana Jones é uma máquina que só segue seu próprio ritmo.

E O Reino da Caveira de Cristal até que começa dinâmico, em um certo depósito numa certa base militar em um certo deserto americano, com Indy e seu parceiro, Mac, sendo coagidos por uma tropa russa inflitrada nos EUA – sob o comando da glacial Irina Spalko (Cate Blanchett, yummy) – para encontrar um certo artefato em meio aos milhares de caixotes (não, não é o que você está pensando, mas isso que você está pensando também está lá). É o estopim de uma aventura em que Indiana é obrigado a deixar seu trabalho como professor na universidade; encontra o impetuoso Mutt Williams (Shia LaBeouf, ótimo para o trabalho assombroso que recebeu de Spielberg e Lucas, que só paga mico em uma cena ao lado de… micos); reencontra Marion Ravenwood, seu amor de Caçadores (Karen Allen, quando abre o sorriso ao ouvir de Indiana que ele nunca ficou com ninguém porque “nenhuma dela era você”, mostra onde está a alma da nova aventura); enfrenta bichos nojentos (formigas, eca); e desvenda o mistério do artefato do título – o momento em que a gente percebe que Spielberg e Lucas não estavam brincando quando afirmaram que, ao contrário de ser “um seriado da Republic dos anos 30”, o novo Indiana é mesmo “uma ficção científica B dos anos 50”.

Harrison Ford. Quando o filme acaba, dá vontade de cumprimentar o sujeito e dar uma bronca, tipo “onde diabos você esteve na última década?”. Ford é o maior astro do cinema e sabe disso. O problema é que, nos últimos anos, ele não achou nenhum desafio, nada que o tirasse da letargia. Pensa bem. Você viveu Han Solo. Deu corpo a Indiana Jones. Encabeçou Blade Runner. Tirou de letra dramas complicados como A Testemunha e A Costa do Mosquito. Deve ser dose só encontrar trabalho em coisas como Seis Dias e Sete Noites, Destinos Cruzados e (argh!) Divisão de Homicídios. Todo o ranço da última década vai embora no segundo em que ele coloca o chapéu e se vira para a câmera – Ford sabe que é seu chapa Spielberg no comando do show, provavelmente o diretor que melhor conhece sua força e suas limitações. Em troca, o astro dá o melhor de si – o que não é pouco! As emoções que ele transmite em poucos segundos quando revê Marion não é trabalho para qualquer um – sem falar que, aos 65 anos, ele parece ter saído do set de A Última Cruzada anteontem.

Claro que O Reino da Caveira de Cristal tem sua dose de exageros – assim como os outros filmes da série. O estranho é notar como Lucas, o dono da bola, não se arrisca. O novo filme é o mais “limpinho” da série, com violência quase zero e sangue restrito a alguns respingos. Sua obsessão por controle também fez do roteiro um Frankenstein que só engata porque, ora, é Indiana Jones, com a turma toda (inclusive a trilha magistral de John Williams, tão importante para a narrativa quanto o chicote). Talvez – um grande talvez – se todos decidirem fazer mais um, e é bem possível que isso de fato aconteça, Lucas deixe o trabalho de escrever o filme para um bom roteirista sem o peso de duas décadas de idéias ancorando seu texto. Soluços assim nem arranham o brilho de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que é nostálgico sem ser acorrentado por isso, e é divertido como o bom cinema-pipoca deve ser. Mais do que ser visto, é um filme para ser sentido. E a sensação é boa!

Acelera, Speed!

segunda-feira, 12 maio, 2008

Às vezes se ganha, às vezes se perde. Speed Racer estreou mundialmente na última sexta-feira, 9 de maio, para resultados, segundos “analistas” e, claro, o próprio estúdio que o bancou, “decepcionantes”. Na bilheteria ianque, estava cabeça a cabeça com Jogo de Amor em Vegas, comédia com Cameron Diaz. Voaldo alto e na frente de ambos, Homem de Ferro, que caminha para se tornar um dos dez filmes de super-heróis de maior bilheteria da história (e abre as portas para Thor, Capitão América e Vingadores…. e também para Power Pack, Starlord, Werewolf by Night e é melhor parar antes que eu fale demais…). Que lição tiramos disso? Uma só: a que esse jogo é imprevisível.

E só.

A bilheteria de Speed Racer – ou “o primeiro grande perdedor do verão”, como alardearam muitos sites por aí -, só indica que o filme falhou em encontrar o público disposto a imergir num mundo fantástico, irreal e absolutamente apaixonante. Sim, porque Speed Racer é um triunfo. É um espetáculo visual que usa da tecnologia mais avançada que o cinema dispõe para contar uma história. No fim das contas, é a história de uma família que os irmãos Wachowski desfilam em pouco mais de duas horas de filme. E é a história de um garoto que vive pela velocidade.

Na verdade, não só um garoto. No universo paralelo em que vive Speed Racer, existe uma devoção quase religiosa de todo o planeta para acompanhar as corridas mais surreais que o cinema já criou. É um mundo que não obedece nossas leias da física, um mundo colorido e vibrante que, quando se estabelece em nosso cérebro, nunca pára de surpreender. Speed Racer aponta para o futuro sem nunca esquecer que, por trás de todo o verniz e de toda a arte tecnológica, existe uma história.

E os Wachowski contam essa história. Simples, até, que pode ser acompanhada sem problemas pela petizada – público-alvo do filme, embora um monte de marmanjos insista que o cinema é só deles e ponto final. É sobre um corredor talentoso, que vive à sombra do irmão morto, disposto a enfrentar, atrás do volante de seu carro fantástico, um mundo feito de corrupção, intriga, traição e dinheiro (talvez a única semelhança do mundo de Speed Racer com o nosso). São motivos puros, que é possível, tenham encontrado resistência na platéia cínica de hoje. É possível, mas azar de quem gosta de cinema e deixa de ser um espetáculo como Speed Racer na tela grande.

O mais surpreendente, no entanto, foi a campanha pesada contra o filme empreendida antes mesmo de sua trama ser conhecida. Desde que o primeiro teaser ganhou a internet, o filme dos Wachowski tornou-se sinônimo de artificialismo, de tudo que pode estar errado com o cinema hoje – quando a realidade não poderia ser mais oposta! Mas é impressionante como os “fãs” – principalmente a geração atrás de um mouse – “analisam” um filme antes de ele estar pronto. Escarafuncham cada vírgula de um “roteiro” sem fazer idéia de como é a mecânica de um roteiro. Hostilizam a tecnologia e a criação de um mundo colorido e decididamente artificial como se isso determinasse o fracasso de um filme. E, o mais absurdo, desdenham de Speed Racer porque “ele parece um desenho animado”. Ora, é um desenho animado! Com gente de verdade! E com um par de mentes criativas em seu leme que o cinema só cria de vez em quando.

A bilheteria ruim de Speed Racer? Quem dá a mínima, a não ser as pessoas contando as moedinhas? O que importa é o filme, é o espetáculo. Que, se você ainda hesita em conhecer no cinema, não sabe o que está perdendo. A temporada de verão ianque começou a mil, com dois “produtos” – Homem de Ferro e Speed Racer – que representam o melhor que o dinheiro pode pagar. E é só o começo – em uma semana volto aqui para falar de um certo Dr. Jones.