Archive for fevereiro \27\UTC 2008

Março e a volta de um velho amigo…

quarta-feira, 27 fevereiro, 2008

Enquanto eu não termino a lista dos melhores filmes e HQs de 2007, e me recupero de um bate-e-volta para Los Angeles, onde eu conversei com Frank Marshall (sim, teremos Bourne 4) e Harrison Ford (sim, ele topa Indy 5), deixo vocês com a capa da edição de março de SET, que traz uma reportagem sobre o que pode ser o maior filme de todos os tempos…. Será? Enjoy!

Capa SET Março

Os Melhores de 2007 – Parte 1

sexta-feira, 22 fevereiro, 2008

Demorou, mas aqui está o listão. Ou melhor, o começo dele. Foi difícil separar uma lista dos dez melhores filmes de 2007 e também dos 10 melhores gibis do ano passado, mas agora tá na mão. Para não ficar um calhamaço sem fim de texto, dividi os melhores em quatro partes: primeiro cinco filmes, depois os outros cinco, e do mesmo modo com os gibis. Minha prioridade foi colocar o que de melhor foi produzido em 2007 – e não o que foi lançado no Brasil em 2007. Assim eu acho que a lista fica mais justa, e mais enxuta. Então, sem maiores delongas – e em ordem decrescente – os melhores do ano que passou.

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10. THE MIST

De Frank Darabont. Com Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden.

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Adaptar os livros de Stephen King requer cojones. Frank Darabont ganhou suas credenciais para o trampo quando fez a obra-prima Um Sonho de Liberdade e, depois, À Espera de Um Milagre – ambos adaptados da obra de King. Mas ambos (assim como Conta Comigo, de Rob Reiner) não são exemplos do que tornou o autor famoso: seus contos de terror mais hardcore, levados ao cinema dezenas de vezes e só foram memoráveis em O Iluminado e Carrie – A Estranha. O motivo? Eles foram além das palavras. Stanley Kubrick e Brian De Palma enxergaram que o terror, na concepção de Stephen King, não é uma coleção de sustos fáceis ou de criaturas abomináveis. Somos nós. Frank Darabont escancara esse terror à perfeição em The Mist e, assim como Kubrick e De Palma, vai além. Na história da cidade tomada por uma neblina misteriosa (seria sobrenatural? Algum fenômeno atmosférico?), Darabont segue o texto de King à risca, aprisionando um grupo heterogêneo num supermercado enquanto algo espreita do lado de fora, na neblina. Mas é com habilidade que ele revela que, não importa o que esteja na névoa, o perigo reside em quem está preso, e em como o medo torna o ser humano irracional. Dosando com precisão momentos de terror explícito com aquilo que a gente imagina ser verdade, Darabont prova que é um dos grandes cineastas contemporâneos. Sem falar que o final de The Mist nasce clássico, em um retrato do desespero que poucas – pouquíssimas! – vezes o cinema teve coragem de retratar. É uma experiência única. E requer cojones.

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9. RATATOUILLE

De Brad Bird.

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E já se vão doze anos desde que a Pixar reinventou a animação com Toy Story. Mas o motivo não é a descoberta de uma ferramenta fabulosa na tecnologia digital, e sim redescobrir o prazer de apresentar uma boa história. Em oito filmes, o estúdio comandado por John Lasseter apresentou histórias saborosas, emolduradas por personagens memoráveis que fugiam de moldes morais rasos, para apresentar uma complexidade que não só era assimilada pelos pequenos, mas compreendida e aproveitada por adultos. Sua maior “realização”, no entanto, foi dar liberdade a Brad Bird. Na Warner ele fez o fantástico O Gigante de Ferro, e sua primeira empreitada com a Pixar foi o filmaço de ação Os Incríveis. Ratatouille, no entanto, surge não só como sua obra prima, mas também como o filme mais perfeito já realizado pela Pixar. Na história do rato que quer ser chef em Paris, Bird imprimiu uma humanidade ausente na esmagadora maioria das produções que entopem os cinemas – humanidade que nos permite sonhar, que mostra que podemos ser tão gigantes quanto nossas aspirações nos libertam. Remy, o rato, é o sujeito que sonha grande, e que não deixa um contratempo besta – ora, ele é um rato – ficar no caminho de seu sonho. Isso diz um monte não para a petizada que lotou os cinemas porque Ratatouille é lindo, mas para todo mundo com arcada dentária completa que, um dia, sonhou como ele.

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8. GRINDHOUSE

De Quentin Tarantino (À Prova de Morte) e Robert Rodriguez (Planeta Terror). Com Kurt Russell, Josh Brolin, Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Bruce Willis, Rosario Dawson.

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Fora dos EUA, Grindhouse foi lançado como dois filmes, uma decisão comercial acertada. Mas uma decisão artística estúpida! A obra de Tarantino e Rodriguez não foi feita para ser mutilada, e sim aproveitada como uma experiência cinematográfica única, de mais de três horas de duração, intercalada por trailers sebosos de filmes que mal podemos esperar para assistir. Se a idéia era simular a sensação de aturar sessões contínuas de filmes vagabundos em pardieiros de quinta, Grindhouse é um vencedor. Minha sessão foi em um multiplex em Los Angeles, à meia-noite, com meia dúzia de incautos – e não poderia ser mais perfeita! Para mim, uma sessão “grindhouse” autêntica materializou-se repetidas vezes na adolescência, vendo podreiras em VHS com os amigos – indo mais longe, em matinês no extinto Cine Horizonte, de Maringá, que exibia sessões duplas de Conan, O Bárbaro com Mad Max 2 e filmes de kung fu (que eu testemunhei aos 9 anos). Planeta Terror e À Prova de Morte são perfeitos exemplares de cinema pop contemporâneo quando exibidos separadamente. Juntos, porém, são prova da formação de uma geração de cinéfilos à margem (e à prova) de intelectualismos idiotas e de análises que não procuram nada além de justificar o injustificável. Cinema como Grindhouse é uma experiência visceral e sem desculpas. Como o bom cinema deve ser.

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7. TROPA DE ELITE

De José Padilha. Com Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira.

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É caveira! Poucos filmes foram tão falados como Tropa de Elite. Menos ainda tiveram um público tão astronômico – seja do modo legal, no cinema; seja no modo preferido da rapaziada, como uma cópia pirata. Discutir se Tropa teria ou não mais público sem a polêmica que fez a alegria dos camelôs de todo o país é teorizar os Tostines. Mas o fato é que o filme de José Padilha é nervoso, como poucos tem coragem de ser no panorama ainda tão insípido do cinema nacional. Tropa foi visto, revisto e, além disso, foi assimilado. Seus diálogos viraram jargão pop; seus personagens, integrados à cultura nacional contemporânea; e o Capitão Nascimento, criado em uma interpretação brilhante de Wagner Moura, tornou-se uma das pouquíssimas criações cinematográficas brasileiras em todos os tempos a ter sobre vida. Sem falar que Tropa de Elite é um filme espetacular, que demonstra uma clara preocupação em, acima de tudo, ser cinema – e não tese furada, delírio autoral ou outra bobagem que domina o cinema feito por aqui. Tão genial, criou um debate sobre o que ele “é” ou “pretende ser” numa classe intelectual boboca que é incapaz de ver um filme de ação sem insistir em empurrar significados nas entrelinhas. O filme de Padilha, cru, violento e realista sem precisar ser documental, não precisa disso.

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6. SUPERBAD – É HOJE

De Greg Mottola. Com Michal Cera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, Seth Rogen.

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Judd Apatow tornou-se a bola da vez no cinema ianque em 2007. Ele e sua trupe revigoraram a comédia com a força de um furacão. E a fórmula não poderia ser mais simples: faça rir, seja grosseiro e vulgar, mas não perca a ternura. Foi assim na improvável história de amor Ligeiramente Grávidos. E é assim no genial Superbad. A comédia de Greg Mottola segue a mesma tradição de Porky’s em colocar adolescentes na rota das descobertas sexuais. O “plano” do trio Seth, Evan e Fogell (McLovin!!!) é simples: levar birita para a festa na casa de uma gata e, assim, transar com seu objeto do desejo. A jornada, no entanto, é tão recheada de personagens “de verdade”, de insegurança, humor, lealdade, amizade, cumplicidade e camaradagem que o trio nem precisava se esforçar tanto. O roteiro, bolado quando Seth Rogen e seu chapa Evan Goldberg tinham 16 anos, não tem nada de original e inovador – e talvez por isso seja tão fácil se identificar com cada personagem, com cada situação. Afinal, todo mundo já fez besteira quando adolescente. Poucos, no entanto, conseguem transformar as besteiras em ouro. Ponto para Apatow e Cia. E pra gente, claro.

Fique ligado em Kapow! nos próximos dias para os cinco melhores filmes de 2007 – e os dez melhores gibis do ano!

O novo dia do Aranha

segunda-feira, 11 fevereiro, 2008

Ontem eu terminei de ler “One More Day”, a saga que redefiniu o status do seu amigão da vizinhança. Aproveitei e li também “Brand New Day”, primeiro arco de histórias dentro de seu novo status quo.

Em uma palavra? Nhé.

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Joe Quesada, editor-chefe da Marvel, queria de qualquer jeito que o Homem-Aranha não fosse mais um homem casado. Ah, ele também não queria que ele fosse divorciado, viúvo, nada que o fizesse parecer “velho”. Pois duas décadas de histórias foram anuladas com magia. É, magia. Para salvar a vida da tia May, baleada no final da Guerra Civil que chacoalhou o universo Marvel, Peter fez de tudo. No final, apelou: aceitou um pacto com Mefisto e trocou seu amor por Mary Jane – mais as lembranças do casamento, da vida a dois, de tudo – pela sobrevivência de May Parker. Num piscar de olhos, Peter voltou a morar com a tia no Queens, ainda é um duro, voltou a ter lançadores de teia mecânicos, e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe sua identidade. Mas todo o resto no universo Marvel aconteceu. As partes com a participação do Aranha? Sabe-se lá. O negócio é ignorar.

omd capa

Eu adoro quando a vida dos heróis ganha novo fôlego. Reinvenção faz parte do continuum das histórias em quadrinhos. Agora, o que não dá para aguentar é uma trama contada porcamente. Existiam milhares de maneiras de resolver o casamento do Aranha e a questão de sua identidade secreta sem Quesada e cia. ter de apelar para um “é mágica, não precisa explicar”. O que ele conseguiu, afinal, foi uma involução. Fico pensando se não seria mais digno deixar May Parker morrer, MJ desaparecer por não aguentar conviver com essa loucura e Peter, para variar, ficar se sentindo culpado com isso tudo. Mas, desta vez, Joe Q. pisou na bola, choramingou e conseguiu o que queria. Seus desenhos em “One More Day”, se é que serve como consolação, estão espetaculares, lembrando o grande Michael Golden, que me faz lamentar ver Quesada numa posição administrativa.

omd peter mj mefisto

O que nos leva a “Brand New Day”, primeiro arco do “novo” Aranha, com texto de Dan Slott e arte de Steve McNiven. A impressão é estar lendo um gibi do Aranha da virada dos anos 70 para os anos 80, antes da Image Comics, antes da ascenção dos heróis sombrios como Justiceiro e Wolverine. É uma trama leve, que introduz um novo vilão ( o Sr. Negativo) e apresenta parte dos novos coadjuvantes na vida de Peter Parker – alguns, como o “ressuscitado” Harry Osborne (não pergunte como…), não tão novos assim. A história parece remeter a uma época em que o Aranha vivia à parte dos “grandes eventos” da Marvel. Embora ele seja um herói não-registrado, o que lembra que existiu uma Guerra Civil e que este universo ainda é coerente em sua cronologia. Mas não dá para ler “Brand New Day” sem lembrar do que foi necessário para chegar a essa história.

bnd mcniven

Que, por sinal, deve durar até alguém na Marvel ter a brilhante idéia de apagar o apagão!