Cloverfield? Yeah! Rambo? Nhé…

Nas últimas semanas, enquanto fechava a lojinha na Sexy e terminava a edição de fevereiro de SET, assisti a dois filmes que eu estava deveras curioso para ver qual era. Entre um texto e outro (e broncas da Márcia, editora de arte, por entregar tudo atrasado…), escapuli para ver Cloverfield – Monstro e Rambo IV. O veredito? Vamos a ele…

CLOVERFIELD – MONSTRO

Cloverfield

Cloverfied é um filme de monstro. Bom, a essa altura nem precisava dizer, já que o título nacional meio que deixa isso escancarado… Mas o fato é que, a exemplo de O Hospedeiro, que saiu por aqui ano passado, é um filme de monstro sensacional! O motivo? Não é exatamente um “filme de monstro”. É um filme sobre gente comum, como eu e você, que se vêem numa situação impossível e absurda. No caso, é a história de Rob Hawkins, de partida para o Japão, que ganha uma festa-surpresa. Registrando tudo está seu melhor amigo, Hud. Birita, cigarro, uma cantada aqui, uma confissão ali, tudo muito mundano. Até que uma explosão marca o início do ataque: alguma coisa já arrancou a cabeça da Estátua da Liberdade, entrou em Manhattan e está deixando um rastro de corpos e escombros.

Lady Liberty perde a cabeça…

O bacana de Cloverfield não é inovar. Todos os truques que o diretor Matt Reeves usa são manjados. Mas a diferença é que ele os usa como ferramenta narrativa. A câmera que registra toda a ação do filme, a que Hud carrega, é um registro da fuga – logo no começo a gente sabe que faz parte do material recolhido pelo exército no que restou de NY. Justamente por isso, a gente só vê o que eles vêem. Não acompanhamos a ação militar. Nem a ação da criatura demolindo a cidade. O filme é o que Rob e seus amigos vivenciam – a tensão, o medo e o horror quando eles se deparam com uma besta saída de pesadelos que, nem em nossas fantasias mais insanas, imaginaríamos saindo do mar para destruir a cidade em que vivemos.

Perdendo a cabeça!

Tecnicamente, Cloverfield é um primor. A edição, que mantém a ação dentro da câmera digital sem nunca parecer enfadonha, é genial. Não existe trilha sonora, o que aumenta cada som que a gente ouve vindo da escuridão e dos becos vazios de NY. A opção por não escancarar a criatura também faz com que cada vez que ela aparece tenha grande impacto. Não é importante ver o monstro, e sim saber que ele está lá. Na verdade, o mais assustador de Cloverfield é justamente o que acontece em nossa imaginação que junta os pedacinhos de informação mostrados em menos de uma hora e meia de filme. Para os fãs de filmes de monstro – e, diabos, do bom cinema – 2008 começa bem.

Último adeus?

RAMBO IV

Rambo IV

Rambo IV comete um crime que deixa as qualidades do filme na poeira: transforma John Rambo em coadjuvante. Talvez a volta do herói-ícone dos anos 80 não tenha tanto peso quanto o retorno de Rocky Balboa há exatamente um ano. Mas Stallone usou os pontos que conseguiu com os fãs para trazê-lo de volta. O que ele precisava, no entanto, era de um roteiro digno de Rambo, oras! O que ganhamos, no entanto, é uma história curta até demais que bebe goles generosos do segundo (a ambientação na selva) e do terceiro (a missão de resgate) filme da série. Ao que parece, depois de resgatar o coronel Trautman no emblemático Rambo III (enquanto… errr… treinava Bin Laden), nosso herói virou pescador na Tailândia. A expressão de Stallone como Rambo é a de um homem que olha para trás e quer cada vez mais distância do passado.

Aqui dói?

É quando um grupo de missionários lhe pede para transportá-los até a Birmânia, que amarga uma guerra civil violenta, para que eles façam seu “trabalho humanitário”. Depois de relutar – com um incisivo “Fuck the world” -, Rambo aceita o trampo. Como é óbvio, o grupo é sequestrado por guerrilheiros que não parecem ter outra motivação a não ser imitar os vietcongs de Rambo II – A Missão, e Sly vai resgatá-los. Ou quase – e é aí que o caldo desanda.

rambo.jpg

É óbvio que Stallone, agora com62 anos, não tem mais a energia para encarar um personagem tão físico. E Rambo não tem aquela ternura de Rocky: ele é uma máquina de matar, ponto. É este, por sinal, o único conflito apresentado em Rambo IV, os últimos demônios que o veterano tem de encarar antes de sua última missão. É quando, também, o filme ganha vida, já que vemos ecos das aventuras anteriores e lembramos de quem ele é. Mas para por aí. Para compensar a falta de vigor do herói, Stallone colocou um grupo de mercenários na história, e cabe a eles fazer o trabalho pesado. Talvez até por receio de perder o holofote, Sly também os torna personagens sem o menor carisma, sem a menor empolgação. O que resta é um longo clímax em que a violência impera – se você é fã de gore, amigo, prepare-se para uma viagem pornograficamente divertida. Membros são decepados, cabeças explodem, troncos são dilacerados – um sujeito na mira de Rambo vira carne moída. Os efeitos são excelentes, e provavelmente é para eles que todo o orçamento do filme foi dirigido. Curto, que nem dá tempo de a gente achar o filme ruim de verdade, Rambo IV é um epílogo triste, ainda que inofensivo, para o herói que deu origem a um verdadeiro gênero: o exército-de-um-homem-só.

O Homem trabalhando…

Sly, e que tal um Rambo Begins, escrito e dirigido por você, contando o treinamento e as batalhas de Rambo durante a Guerra do Vietnã, com um ator jovem abraçando o personagem? É só uma idéia…

Ele só queria pescar…

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18 Respostas to “Cloverfield? Yeah! Rambo? Nhé…”

  1. Jefferson Says:

    Pablo, bom dia.
    Por uma cagada do depto de assinaturas, recebi ontem (!!!) a edição de janeiro da SET e ao começar minha leitura, vejo na TV a notícia da morte do “Joker”. Que coisa sinistra !!

  2. Fernando Marley Says:

    Estou aguardando ansiosamente Rambo IV, com certeza ele não terá a “ternura” do 1º, onde vemos a grande decepção de matar e morrer pelo país e não ser reconhecidos por seus pares.

  3. Raphael Says:

    Agora estou mais afim ainda de ver Cloverfield, e com mais medo ainda de Rambo…

  4. SEXI GIRL Says:

    😉

  5. Sasquash Says:

    Porra Sadboy o Rambo não se salva? Vou conferir com o pé atras agora…

  6. flávio henrique Says:

    Rambo é filme de verdade!!!
    Hoje em dia os filmes são apenas efeitos “defeitos” pós-matrix! Só baboseira de harry porter, e senhor dos anéis, que so tem efeitos CGI, essa critica não me afeta em nada, foi a unica que vi malhando o filme, todas as outras extrangeiras estão botando a maior fé no filme! Não perco esse filme no cinema por nada no mundo!!!!

  7. Luciano Spinola Says:

    olá Sadovski. Desde que vi o trailer fiquei ansioso para ver logo “Clovefield”, que deve ser mesmo um filmço. Mas também quero ver “Rambo”, para ver como Stallone se saiu, já que em “Rocky Balboa” ele mandou bem.
    Abraços!!!

  8. Saitou Says:

    Depois de Rocky Balboa o Sly pode até fazer outro Pequenos Espiões, ou Pare! Senão mamãe atira (era isso mesmo??? ehehehe). Rocky foi um dos melhores fimes da década, com certeza…
    Será que Cloverfield tem alguma coisa a ver com Lost??? Claro que é 99% improvável, mas seria um golpe de gênio de J.J. Abrams!!!
    Esperando pelas considerações sobre a morte prematura e estúpida de Heath Ledger…
    Abraço, Saitou.

  9. Roberto Says:

    Oi, gente.

    O lance é o seguinte. Desde que vi os primeiros comentários sobre Cloverfield, fiquei louco de vontade de ver o filme. Sou fã de filmes de suspense e horror e há muito tempo me decepciono com as safras. Mas então assisti ao trailer do filme no cinema e me decepcionei. Justamente o trunfo desses filmes (Bruxa de Blair e afins, o lance da câmera amadora – que podia ser a minha ou a sua – que registra tudo) é o que me impossibilita de vê-los. Não sei se tenho alguma doença, mas simplesmente não consigo acompanhar dois minutos de exibição de filmagens deste tipo. O treme-treme, o corre-corre, as sacudidas, a falta de instabilidade da câmera me deixam simplesmente e irremediavelmente TONTO, com a cabeça girando, com vontade de vomitar e tudo. Não consigo evitar e me frusto, e por isso, acabo sentindo raiva de filmes assim.

    Quando fui assistir à Bruxa de Blair nos cinemas, estava empolgadíssimo. Resultado: saí do cinema com um enjôo insuportável que durou umas duas horas.

    Ou seja: por mais que eu esteja louco pra ver Cloverfield, simplesmente não poderei ir assistir. Alguém aqui se sente como eu? Alguém sabe se tem alguma coisa que posso fazer para encarar uma filmagem desse tipo e não passar mal?

  10. Roberto Says:

    Foi mal. No meu comentário acima, onde se lê “instabilidade” (linha 10), leia-se “estabilidade”.

  11. Josemar Says:

    “Sly, e que tal um Rambo Begins, escrito e dirigido por você, contando o treinamento e as batalhas de Rambo durante a Guerra do Vietnã, com um ator jovem abraçando o personagem? É só uma idéia…”

    Isso seria um sonho.

  12. TeKiLa Says:

    Ja ouvi e vi tanto material sobre, Cloverfield, que ja estou enjoado do filme antes mesmo de assistilo.
    Mas mesmo assim não posso ficar julgando um filme antes da hora, só que eu ainda acho um erro não só, Cloverfield mas, todos os filmes de monstro gigante eles se focam demais nas pessoas e não nos monstros.
    Que são pra mim as coisas mais legais de um filme.

  13. p1r4t4 Says:

    Roberto, e verdade q a camera nervosa da tonteira, meu amigo e a namorada dele queriam sair da sala p beber uma cerveja p tentar assistir o resto do filme. Mas de longe o filme e muito bom, adorei fiquei um pouco tonto mais consegui aguentar, afinal estava esperando esse filme desde q o trailer saiu.

    Abraco a todos

  14. B0zoraMA Says:

    Maromba(amigo meu)me falou que Cloverfield é ruim,sendo que ele entende bem de filmes. Com esse resumo do filme fiquei com menos vontade de ver,pô!!! Ninguem quer saber da vida do cara que tenta se salvar da catastrofe com uma camera na mão direita e a mão de uma gostosa na outra enquanto correm que nem loucos.mas sim do monstro que esmaga os infelizes sem dó nem piedade,como comentou TeKiLa(odeio tekila -.-). Esse filme tá parecendo mais uma novela colombiana do que um bom filme de monstro…..sei não! o.0?

  15. Cristhiano Says:

    Cloverfield foi divertido, assim como A Bruxa de Blair, agora é só esperar a sequência, mas tomara que não utilizem a mesma fórmula da fonte qno segundo filme, onde surgiu um tal Livro das Sombras, que ninguém viu e uma história totalmente diferente do original, sem pé nem cabeça, que não respondeu nenhuma dúvida, nem mostrou a verdadeira face da bruxa do primeiro filme… Imaginem o CloverMonstro saindo pelo mundo pra destruir outras cidades, destruir a Europa seria muito legal.
    Sobre o Stallone, gostaria de ver algo novo como Cobra 2, ele aposentado voltando a ativa pra ajudar a polícia, ou envolvido em alguma vingança ” os criminosos são uma doença, eu sou a cura “…

  16. p1r4t4 Says:

    Falando um pouco do Rambo, li num site q sly esta penssando no quinto filme da franquia. Sera q o cara aguenta?
    Axo q o filme pode ser sobre como ele ajuda um grupo de senhores idosos a escapar d um asilo….uuhuhuhuh

  17. Cristhiano Says:

    Assisti o Rambo IV e foi bem divertido, como foi dito na matéria realmente o John Rambo passa a atuar como coadjuvante na história, No começo do filme aparecem imagens reais de alguns massacres na região do filme, com várias pessoas mortas. As cenas de ação estão bem legais, muito sangue e pedaços de corpos voando na tela, mutilações, tiros na cabeça, um massacre sem dó, capricharam nas cenas de morte dos inocentes, sendo assim quando vc vê o Rambo exterminando o exército vc torce pra que ele detone todo mundo sem dó mesmo, detalhe no facão de Jason que o Rambo forja pra usar.

  18. p1r4t4 Says:

    o facao do Jason chama mesmo a atencao do filme, bem notado, linda a cena final do filme qnd ele usa o facao pela ultima vez, axo q ele tem q abandonar a franquia Rambo e partir p refilmagens dos filmes Sexta-Feira 13

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