O Cavaleiro das Trevas na SET de julho!

Sexta-Feira, 27 Junho, 2008 by sadovski

Ok, ok, junho foi um mês devagar em atualizações em Kapow!. Mas, entre aeroportos e dois continentes, foi difícil manter as idéias no lugar. Já comentei que passei um dia no set de GI Joe em Praga, outro no set de The Wolf Man em Londres, descansei dois dias em São Paulo e parti para Los Angeles para o lançamento de O Procurado - o Ricardo Matsumoto também caiu na estrada para conferir as filmagens de O Elo Perdido, enquanto André Gordirro colocou um par de óculos polarizados em Nova York para assistir a Viagem ao Centro da Terra em 3D. Para você ver que cinema acontece no mundo todo, e não só em “Hollywood”… Mas garanto que trocaria qualquer uma delas para estar na pele do Salem, que encontra-se em LA para o lançamento de Batman - O Cavaleiro das Trevas (é, ele vai conferir no melhor cinema iMax da Califórnia…). O melhor filme de 2008 até agora? Leia o que SET achou na edição de julho, que chega às bancas semana que vem (e com um tiquinho de atraso) com uma reportagem completa sobre o novo filme do Homem-Morcego, em que Christopher Nolan transforma o Coringa em agente do caos eleva o “filme de super-heróis” a outro patamar. Matéria completa, com entrevistas com Nolan, Christian Bale, Aaron Eckhart e cia., mais a crítica do filme, perfil do Coringa e outras surpresas.

Como julho não é feita só de Batman, SET também traz matéria sobre Hancock, e como o novo filme com Will Smith passou de aventura subversiva a um filme bacana mas sem seu edge - pode esperar sem medo uma versão do diretor com a famigerada “cena do trailer”. No mesmo dia de Hancock, também chega aos cinemas Kung Fu Panda, que SET acompanha com matéria completa sobre o “anti-Shrek” da DreamWorks. A revolução do cinema 3D é representada justamente por Viagem ao Centro da Terra, que conferimos em Nova York (viajar, viajar…) em reportagem exclusiva, investigando uma das alternativas para salvar da pirataria a experiência de ver um filme na sala escura e numa telona. Para completar, entrevista exclusiva com o criador da série Arquivo X - e diretor do novo longa, Eu Quero Acreditar -, Chris Carter (que está louco para surfar no Rio de Janeiro e em breve aporta num país aqui ao lado…).

SET de julho está quase nas bancas. Para quem gosta de cinema, por quem gosta de cinema.

Christian Bale como Batman em O Cavaleiro das Trevas

Incrível, é o Hulk!

Quinta-feira, 12 Junho, 2008 by sadovski

Semana passada, entre Praga (no set de GI Joe) e de volta a Londres (dando um pulo nas filmagens de The Wolfman), peguei uma sessão de O Incrível Hulk. Ainda bem que a agonia do “eu vi primeiro, eu vi primeiro!!!” ainda não me contaminou. Nada como dar um tempo para digerir o filme com cuidado, prestando atenção em detalhes e, na hora de compartilhar a experiência com vocês, a coisa não sair destrambelhada. Vamos ao verdão. O filme de Louis Leterrier é, afinal, bom? A resposta, com certo alívio, é sim. Seguindo o caminho aberto por Homem de Ferro no começo da temporada, o segundo filme da Marvel é uma aventura acelerada, bem resolvida e contida em pouco menos de duas horas, mas com uma enxurrada de referências que deixa os fãs salivando para 2010, quando o estúdio libera mais dois filmes. Ainda assim, O Incrível Hulk não é uma aventura tão satisfatória e completa como Homem de Ferro. Para resumir o problema, o filme não é cool o bastante.

Como eu mesmo já comentei na reportagem de capa da edição de junho de SET, O Incrível Hulk é um restart da série, e em nada se relaciona com o filme que Ang Lee dirigiu em 2003 - diga-se, um filme nunca menos que espetacular. Mas aparentemente os fãs queriam o bom e velho “Hulk esmaga!”, e não o épico introspectivo e cerebral de Lee, com direito a um clímax psicodélico que Frank Brunner não conseguiu tecer nem nas tramas mais alucinadas do Dr. Estranho. Além disso, com O Incrível Hulk a Marvel buscou um filme que se encaixasse na concepção de seu “universo cinematográfico”, mais coeso e interrelacionado, em que personagens de filmes diferentes habitassem o mesmo mundo. Assim, o filme de Louis Leterrier chega coalhado de referências ao mundo Marvel dos gibis - ainda mais que Homem de Ferro. Além de óbvias referências às Indústrias Stark, são mencionados a SHIELD (e seu diretor, Nick Fury), Jack McGee e Jim Wilson (personagem da série de TV e dos gibis, respectivamente) e, de forma onipresente, o Capitão América. Muito mais do que possa se imaginar…

O filme começa com um rápido flashback da origem do verdão - mais uma vez longe dos gibis, agora próxima à da série de TV - e logo nos coloca na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Bruce Banner (Edward Norton) está escondido, trabalhando numa fábrica de refrigerante, e procurando não só controlar a fera que habita seu corpo, mas também um modo de eliminá-la de vez. Ele é descoberto pelo exército e logo o General Ross (William Hurt) arma uma tropa para trazê-lo de volta. Até então, o caos trazido pelo Hulk é discreto, fica restrito às sombras - mas sua presença incomoda o soldado Emil Blonsky, que logo torna-se obcecado em capturar a fera. Ou, como fica lentamente claro, em conseguir seu poder. Para tanto, ele submete-se a uma experiência conduzida por trás das cortinas pelo General Ross, que coloca as mãos no Soro do Supersoldado, desenvolvido na Segunda Guerra Mundial, para aplicá-lo em Blonsky. Assim, o soro que criou o Capitão América é usado, e o Hulk, agora acuado no campus de uma universidade, quando Banner reaproximou-se de Betty Ross (Liv Tyler), enfrenta Blonsky versão Supersoldado. Com o fracasso, é questão de tempo até Emil ter seu sangue contaminado por radiação gama, e o resultado é a criação do Abominável e um impressionante quebra-pau nas ruas de Nova York.

O bacana em O Incrível Hulk é que todas essas seqüências são amarradas com velocidade, mas a mudança de atitude de Banner em relação a seu alter-ego nunca parece apressada ou sem motivação. Aos poucos ele percebe que seu destino pode, sim, estar ligado à criatura de maneira positiva, mesmo que ainda incontrolável. Ao contrário do Hulk mostrado no filme de Ang Lee, desta vez o monstro verde parece desenvolver mais inteligência a cada transformação, como uma criança que aprende com os erros e raciocina soluções, ainda que num nível muito primário. É claro que os fãs vão adorar quando ele finalmente berrar seu “Hulk esmaga!” tradicional! Além disso, claro, os fãs vão adorar o modo como O Incrível Hulk encaixa-se no mundo sugerido em Homem de Ferro e o expande. Um exemplo de que esse é definitivamente um mundo hiper-realista são as armas sônicas que o exército utiliza contra o verdão - mais gibi, impossível. Embora a participação de Leonard Samson (Ty Burrell) seja tímida, o cientista Samuel Sterns (Tim Blake Nelson) tem papel decisivo na trama, mostra óbvia fascinação pelas implicações biológicas abertas pelo Hulk e despede-se de cena com uma introdução nada sutil a seu alter-ego, o Líder (talvez num próximo filme…).

Uma cena que ficou de fora, no entanto, foi um prólogo no Ártico, em que Banner possivelmente encontraria o corpo congelado do Capitão América - cena confirmada para este que vos escreve por Leterrier e pelo produtor Kevin Feige. Um rápido telefonema e Feige me conta que eles decidiram não incluir a cena por destoar do resto do filme, por ser uma cena mais pesada - mas ela não só estará disponível online em breve como será disponibilizada no DVD do filme. Mais uma cortina de fumaça? Para garantir, é bom ficar até o fim dos créditos mais uma vez… (Ah, essa não é informação “exclusiva” porque isso é o conceito mais estúpido do planeta…).

O que nos traz de volta ao fator “O Incrível Hulk é bacana, mas não é cool”. Existem coisas que são intangíveis, reações que terminam sendo particulares com a bagagem e a expectativa de cada pessoa na sala escura. Homem de Ferro trazia uma energia dinâmica, representada pelo imprevisível Tony Star de Robert Downey Jr (que aparece em O Incrível Hulk com mais ecos do que pode ser tornar Vingadores em celulóide). O filme de Jon Favreau é elétrico, é uma experiência narrativa e também sensorial. Sob esse prisma, não existe absolutamente nada de errado em O Incrível Hulk. Apesar de algumas soluções apressadas no roteiro - e a geografia por vezes implausível -, o filme é dirigido com firmeza, mesmo em suas porções mais dramáticas. Não deixa a desejar como filme de ação - em especial o clímax, que mostra o encontro de duas criaturas de poder inimaginável. O elenco funciona à perfeição, especialmente Ed Norton. É bem humorado na medida certa e traz mimos para os fãs repetirem a dose.

Mas, inexplicavelmente, não agarra pelo estômago, não é eufórico e não traz impressões duradouras como, mais uma vez, Homem de Ferro. Pode ser que o cuidado extremo, causado pela lembrança ainda firme do Hulk de Ang Lee, tenha arrancado um pouco da espontaneidade do filme. Talvez o personagem se preste mais à introspecção que o colorido vingador dourado. Homem de Ferro é definitivamente cool. O Incrível Hulk é um filme jóia. Se isso é pouco, o veredito está em suas mãos.

Afinal, qual é a de Fim dos Tempos?

Quinta-feira, 12 Junho, 2008 by sadovski

Amanhã estréia o novo filme de M. Night Shyamalan, Fim dos Tempos. Eu estava em um avião a caminho de casa, mas o editor-chefe de SET, Rodrigo Salem, assistiu ao filme em São Paulo. O que ele achou? Bom, descubra nas linhas a seguir.

FIM DOS TEMPOS
(The Happening, EUA/Índia, 2008 ) De M. Night Shyamalan Com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Ashlyn Sanchez. 91 min. www.thehappeningmovie.com Fox. Suspense
NOTA: 6

Num determinado episódio de South Park, os militares pedem a ajuda para três cineastas de Hollywood (Mel Gibson, Michael Bay e M. Night Shyamalan) para bolarem um plano para impedir que terroristas assassinem todas as criaturas de fantasia imaginadas pela humanidade. Em vez de elaborar tramas para acabar com os vilões, Shyamalan fica soltando diversas reviroltas sem nexo. A caricatura (errônea) de um diretor truqueiro, mais preocupado em bolar finais inesperados para enganar os trouxas parece ter convencido a própria vítima. Se A Dama na Água foi uma ousada mudança de ambiente, Fim dos Tempos teria tudo para um dos cineastas mais originais da atualidade provar que suas histórias sempre possuem uma carga de subtexto e técnica além das surpresas no fim.

O problema é que Fim dos Tempos é a obra de um sujeito atingido pela insegurança ocasionada por toda a confusão envolvendo a saída da Disney, o fracasso na Warner e as críticas à Dama na Água. O que poderia ser um passo além numa filmografia invejável vira um pastiche de todos os elementos que Shyamalan usou nos longas anteriores – para efeito de comparação, imagine Brian DePalma depois de Fogueira das Vaidades, filmando o indulgente Síndrome de Cain. Temos o herói médio de Sinais, agora na figura do professor de ciências de Mark Wahlberg. Há o homem em busca da felicidade da família de Corpo Fechado. De A Vila, a paranóia invisível e o isolamento. As (boas) imagens fortes (é o primeiro filme dele desaconselhável para menores de 17 anos) são amplificadas de O Sexto Sentido. E até temos o roteiro linear de A Dama na Água. Tudo isso resulta num suspense bem acabado, porém óbvio e sem…err.. suspense. As metáforas sobre a praga ecológica que consome o leste dos Estados Unidos (levando as pessoas a cometerem suicídio) conseguem ser mais risíveis que as de Guerra dos Mundos, de Spielberg, e os atores parecem todos meio desnorteados, principalmente Zooey Deschanel, mais pirada que sua personagem no lisérgico Weeds. Não chega a ser o fim do mundo, mas Shyamalan precisa recuperar a confiança urgentemente em The Last Airbender, do contrário não teremos nem finais surpresa ou surpresa alguma vinda de suas obras.

Rodrigo Salem

Yo, Joe!

Domingo, 8 Junho, 2008 by sadovski

Deixa eu explicar como funcionam as coisas. Há dois dias eu passei o dia no set de GI Joe em Praga (escrevo essas linhas de Londres, onde vou em outro set daqui a pouco…). Mas não vou falar como foi esse dia. Nem o que vi. Nem as surpresas que o filme, que estréia em agosto de 2009, reserva. Por que? Ainda é cedo. Muito cedo. Mas foi interessante descobrir que pelo menos 90 por cento da boataria que você encontra pela internet não passa disso: boato. Fazer um filme é um processo longo, e é extremamente injusto julgar por uma foto fora de contexto, uma informação desencontrada, um achismo de algum blogueiro “genial”. Isso que é o bacana em cinema, é ver o produto completinho, na sala escura, sem que um fanzineiro da vida estrague sua experiência. Por isso que, por mais que eu queira compartilhar algumas coisas… Ainda é cedo. E ninguém da SET - por sinal, o único veículo brasileiro no set - tem o hábito de ferrar a diversão alheia. Ah, o diretor Stephen Sommers tem o entusiasmo de um garoto de 12 anos, Sienna Miller é um absurdo de fantástica, e a química entre Channing Tatum e Marlon Wayans é perfeita, mesmo fora de cena. Não acredite em NADA que você leu sobre GI Joe por aí. Na verdade, não acredite em seus olhos também. Tenha paciência - é mais bacana assim - e espere matéria completinha sobre GI Joe na SET!

Sienna Miller é a Baronesa

Said Taghmaoui é Breaker

Christopher Eccleston é Destro

Channing Tatum é Duke

Dennis Quaid é General Hawk

Adewale Akinnouye-Agbage é Heavy Duty

Marolon Wayans é Ripcord

Rachel Nichols é Scarlett

Ray Park é Snake Eyes

Byung-Hun Lee é Storm Shadow

Hulk esmaga na SET de aniversário!

Domingo, 25 Maio, 2008 by sadovski

Chegou aquele momento do mês em que eu digo “a SET está pronta” e dou um aperitivo para vocês. Pois bem, depois de um feriadão trabalhando, a edição de junho está pronta - e é uma edição especial, com 100 páginas, para marcar os 21 anos da revista. Nós investigamos os bastidores de O Incrível Hulk para revelar o que a Marvel pretende com o novo filme do verdão no cinema - e como ele se encaixa no “grande plano” da editora. Fomos para Londres entrevistar os criadores de Sex and the City - O Filme. Entrevistamos Steve Carell direto do set de Agente 86. Renato Aragão, o maior astro que o cinema brasileiro já teve, fala sobre passado e futuro de sua carreira. E Wall-E está espalhado por toda a SET. Deu um trabalhão, mas o resultado você confere nas bancas no começo de junho (e eu espero que, desta vez, ninguém roube nossos textos…).

Indiana bacana!

Quarta-feira, 21 Maio, 2008 by sadovski

Acabei de voltar de minha segunda dose de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Em uma palavra? É sensacional. Vá ao cinema, leve seu amigo, leve seu amor, vá em turma e divirta-se. A nova aventura do maior herói do cinema é diversão pura. Diversão nostálgica, que não sucumbiu ao (bem-vindo) avanço na tecnologia de fazer filmes. Por que, falando francamente, a tecnologia do cinema evoluiu para perto da perfeição. Não existe nada que os cineastas sonhem que não possa ser traduzido em celulóide (ou melhor, em imagem digital). E, nas mãos de sujeitos talentosos, temos hoje filmes como a série Bourne, o novo James Bond, Batman Begins e uma outra boa dúzia que se aproveita de efeitos de ponta, edição acelerada e muito cérebro. É a ilusão do realismo em prol de uma experiência única. E isso é muito bom.

Ainda bem que também é muito bom que Steven Spielberg seja teimoso como uma mula. Ele não abre mão da moviola, não abre mão do artesanato cinematográfico. E seria impossível contar uma história de Indiana Jones de outras maneira. Afinal, O Reino da Caveira de Cristal traz praticamente a mesma carpintaria dos outros três filmes da série. Sendo mais específico, Os Caçadores da Arca Perdida criou um padrão seguido pelo próprio Spielberg em O Templo da Perdição e em A Última Cruzada - e por uma dezena de imitadores logo depois. Com Caçadores, porém, a criatura superou seus criadores, e Indy tornou-se artigo inimitável. A boa notícia é que não existe nenhuma insinuação de atualização no novo filme. A má… bom, estamos mal acostumados com a velocidade do cinema, e nesse sentido Indiana Jones é uma máquina que só segue seu próprio ritmo.

E O Reino da Caveira de Cristal até que começa dinâmico, em um certo depósito numa certa base militar em um certo deserto americano, com Indy e seu parceiro, Mac, sendo coagidos por uma tropa russa inflitrada nos EUA - sob o comando da glacial Irina Spalko (Cate Blanchett, yummy) - para encontrar um certo artefato em meio aos milhares de caixotes (não, não é o que você está pensando, mas isso que você está pensando também está lá). É o estopim de uma aventura em que Indiana é obrigado a deixar seu trabalho como professor na universidade; encontra o impetuoso Mutt Williams (Shia LaBeouf, ótimo para o trabalho assombroso que recebeu de Spielberg e Lucas, que só paga mico em uma cena ao lado de… micos); reencontra Marion Ravenwood, seu amor de Caçadores (Karen Allen, quando abre o sorriso ao ouvir de Indiana que ele nunca ficou com ninguém porque “nenhuma dela era você”, mostra onde está a alma da nova aventura); enfrenta bichos nojentos (formigas, eca); e desvenda o mistério do artefato do título - o momento em que a gente percebe que Spielberg e Lucas não estavam brincando quando afirmaram que, ao contrário de ser “um seriado da Republic dos anos 30″, o novo Indiana é mesmo “uma ficção científica B dos anos 50″.

Harrison Ford. Quando o filme acaba, dá vontade de cumprimentar o sujeito e dar uma bronca, tipo “onde diabos você esteve na última década?”. Ford é o maior astro do cinema e sabe disso. O problema é que, nos últimos anos, ele não achou nenhum desafio, nada que o tirasse da letargia. Pensa bem. Você viveu Han Solo. Deu corpo a Indiana Jones. Encabeçou Blade Runner. Tirou de letra dramas complicados como A Testemunha e A Costa do Mosquito. Deve ser dose só encontrar trabalho em coisas como Seis Dias e Sete Noites, Destinos Cruzados e (argh!) Divisão de Homicídios. Todo o ranço da última década vai embora no segundo em que ele coloca o chapéu e se vira para a câmera - Ford sabe que é seu chapa Spielberg no comando do show, provavelmente o diretor que melhor conhece sua força e suas limitações. Em troca, o astro dá o melhor de si - o que não é pouco! As emoções que ele transmite em poucos segundos quando revê Marion não é trabalho para qualquer um - sem falar que, aos 65 anos, ele parece ter saído do set de A Última Cruzada anteontem.

Claro que O Reino da Caveira de Cristal tem sua dose de exageros - assim como os outros filmes da série. O estranho é notar como Lucas, o dono da bola, não se arrisca. O novo filme é o mais “limpinho” da série, com violência quase zero e sangue restrito a alguns respingos. Sua obsessão por controle também fez do roteiro um Frankenstein que só engata porque, ora, é Indiana Jones, com a turma toda (inclusive a trilha magistral de John Williams, tão importante para a narrativa quanto o chicote). Talvez - um grande talvez - se todos decidirem fazer mais um, e é bem possível que isso de fato aconteça, Lucas deixe o trabalho de escrever o filme para um bom roteirista sem o peso de duas décadas de idéias ancorando seu texto. Soluços assim nem arranham o brilho de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que é nostálgico sem ser acorrentado por isso, e é divertido como o bom cinema-pipoca deve ser. Mais do que ser visto, é um filme para ser sentido. E a sensação é boa!

Acelera, Speed!

Segunda-feira, 12 Maio, 2008 by sadovski

Às vezes se ganha, às vezes se perde. Speed Racer estreou mundialmente na última sexta-feira, 9 de maio, para resultados, segundos “analistas” e, claro, o próprio estúdio que o bancou, “decepcionantes”. Na bilheteria ianque, estava cabeça a cabeça com Jogo de Amor em Vegas, comédia com Cameron Diaz. Voaldo alto e na frente de ambos, Homem de Ferro, que caminha para se tornar um dos dez filmes de super-heróis de maior bilheteria da história (e abre as portas para Thor, Capitão América e Vingadores…. e também para Power Pack, Starlord, Werewolf by Night e é melhor parar antes que eu fale demais…). Que lição tiramos disso? Uma só: a que esse jogo é imprevisível.

E só.

A bilheteria de Speed Racer - ou “o primeiro grande perdedor do verão”, como alardearam muitos sites por aí -, só indica que o filme falhou em encontrar o público disposto a imergir num mundo fantástico, irreal e absolutamente apaixonante. Sim, porque Speed Racer é um triunfo. É um espetáculo visual que usa da tecnologia mais avançada que o cinema dispõe para contar uma história. No fim das contas, é a história de uma família que os irmãos Wachowski desfilam em pouco mais de duas horas de filme. E é a história de um garoto que vive pela velocidade.

Na verdade, não só um garoto. No universo paralelo em que vive Speed Racer, existe uma devoção quase religiosa de todo o planeta para acompanhar as corridas mais surreais que o cinema já criou. É um mundo que não obedece nossas leias da física, um mundo colorido e vibrante que, quando se estabelece em nosso cérebro, nunca pára de surpreender. Speed Racer aponta para o futuro sem nunca esquecer que, por trás de todo o verniz e de toda a arte tecnológica, existe uma história.

E os Wachowski contam essa história. Simples, até, que pode ser acompanhada sem problemas pela petizada - público-alvo do filme, embora um monte de marmanjos insista que o cinema é só deles e ponto final. É sobre um corredor talentoso, que vive à sombra do irmão morto, disposto a enfrentar, atrás do volante de seu carro fantástico, um mundo feito de corrupção, intriga, traição e dinheiro (talvez a única semelhança do mundo de Speed Racer com o nosso). São motivos puros, que é possível, tenham encontrado resistência na platéia cínica de hoje. É possível, mas azar de quem gosta de cinema e deixa de ser um espetáculo como Speed Racer na tela grande.

O mais surpreendente, no entanto, foi a campanha pesada contra o filme empreendida antes mesmo de sua trama ser conhecida. Desde que o primeiro teaser ganhou a internet, o filme dos Wachowski tornou-se sinônimo de artificialismo, de tudo que pode estar errado com o cinema hoje - quando a realidade não poderia ser mais oposta! Mas é impressionante como os “fãs” - principalmente a geração atrás de um mouse - “analisam” um filme antes de ele estar pronto. Escarafuncham cada vírgula de um “roteiro” sem fazer idéia de como é a mecânica de um roteiro. Hostilizam a tecnologia e a criação de um mundo colorido e decididamente artificial como se isso determinasse o fracasso de um filme. E, o mais absurdo, desdenham de Speed Racer porque “ele parece um desenho animado”. Ora, é um desenho animado! Com gente de verdade! E com um par de mentes criativas em seu leme que o cinema só cria de vez em quando.

A bilheteria ruim de Speed Racer? Quem dá a mínima, a não ser as pessoas contando as moedinhas? O que importa é o filme, é o espetáculo. Que, se você ainda hesita em conhecer no cinema, não sabe o que está perdendo. A temporada de verão ianque começou a mil, com dois “produtos” - Homem de Ferro e Speed Racer - que representam o melhor que o dinheiro pode pagar. E é só o começo - em uma semana volto aqui para falar de um certo Dr. Jones.

Indiana Jones na SET de maio!

Terça-feira, 29 Abril, 2008 by sadovski

O maior herói do cinema está de volta em maio, e SET traz a cobertura mais completa de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, com entrevistas exclusivas com Harrison Ford, Karen Allen, David Koepp e Frank Marshall, além de um salto ao passado com as outras aventuras do arqueólogo que o transformaram em um ícone moderno. A edição de maio também traz tudo sobre Speed Racer, que conferimos em primeira mão em Las Vegas e em Los Angeles; os filmes baseados na obra de Stephen King (inclusive o ainda inédito The Mist) e uma entrevista com George Clooney. Depois do feriado (contando a sexta-feira enforcada), nas bancas de todo o país. Vejo vocês na fila de Homem de Ferro!

Harrison Ford é Indiana Jones na capa de SET

Atualizado! Homem de Ferro é jóia!

Quarta-feira, 23 Abril, 2008 by sadovski

Homem de Ferro

Atualizado: rapazes e moças, não saiam da sala até o fim dos créditos! Vocês terão uma surpresa….

Ok, spoiler-free: Homem de Ferro é jóia, é um pipocão redondo, com atuações bacanas e efeitos incríveis. Mostra que a Marvel não está brincando e promete colocar nos cinemas as melhores transições do papel para celulóide de seus personagens. Tudo é feito com respeito, cuidado e bom humor. O filme abre com Stark sendo atacado no Afeganistão, salta para um breve flashback no qual a gente entende um pouco melhor seu espírito “o mundo que se exploda, eu quero me divertir” e, depois que ele constrói sua primeira armadura, engata uma segunda e não pára mais.

Tony trabalhando

Robert Downey Jr., que deve experimentar um upgrade em sua carreira como o de Johnny Depp pós-Piratas do Caribe, constrói um Tony Stark genial, em que pequenos detalhes em sua atuação detalham bem sua mudança de filosofia. A trama bebe um pouco da história do Monge de Ferro nos quadrinhos (Obadiah Stane, a tentativa de controle das Indústrias Stark, a criação de uma armadura mais hardcore), com uma pitada de “Guerra das Armaduras” (Tony percebe que suas criações só trazem dor e sofrimento e coloca a destruição de sua tecnologia quando usada para o mal como missão). Nenhuma ponta é deixada solta, nenhum elemento surge ao acaso. Os efeitos especiais são um caso à parte: a integração de protótipos reais com personagens digitais faz com que o herói surja fantástico no “mundo real” - em especial o vôo ao lado dos F-22s e a batalha com o Monge de Ferro. Homem de Ferro está lá no topo, ao lado de Homem-Aranha 2 e Batman Begins, como um dos grandes filmes contemporâneos que são baseados em personagens de gibis.

Obadiah Stane

Agora, momento “eu sou fã e quero saber o que acontece”. A cena com Sam Jackson no papel de Nick Fury, que foi rodada ano passado, ficou no chão da sala de montagem (aguarde o DVD). “Espere por O Incrível Hulk e você vai entender” foi a dica passada por Kevin Feige, presidente da Marvel. Mas isso não significa que a SHIELD está fora de Homem de Ferro – muito pelo contrário. Os oficiais da agência governamental secreta são fundamentais para amarrar a trama em seu terceiro ato, deixando claro que sua relação com Stark - e com quem ele se tornou - está longe de terminar. Existe, também, uma “força oculta” atuando nos bastidores, embora Jon Favreu e a Marvel tenham optado por não seguir um caminho sobrenatural - ou seja, não fazendo com que o grande vilão do filme fosse o Mandarim - neste primeiro filme. O grupo terrorista que seqüestra Stark, porém, é chamado de 10 Anéis. A certa altura, James Rhodes (Terrence Howard) olha para a armadura Mark 2 na oficina de Stark e dispara um “Fica para a próxima” que não esconde o caminho que um segundo filme pode seguir. Ah, preste atenção no ringtone do celular de Stark… “Tony Stark tira onda, que é cientista espacial…”

Tony e Pepper

Quer mais pistas do futuro da Marvel no cinema? Paciência, meu caro. Logo depois da estréia de Homem de Ferro, e pouco antes de O Incrível Hulk reencarnar em celulóide, a editora/produtora vai jogar mais alguns ossos. Como, por exemplo, o fato de Emil Blonsky, antes de ser tornar o Abominável, ser anabolizado com um certo soro do supersoldado para enfrentar o Verdão. Sem falar que Tony Stark também está no novo Hulk, sugerindo que os Vingadores podem não estar tão longe assim…

Tony Stark

Monge de Ferro

Batalha nas ruas

Tony e Pepper

O diretor Jon Favreau

Homem de Ferro

Primeiro Snake Eyes… Agora Scarlett em G.I. Joe!

Quarta-feira, 16 Abril, 2008 by sadovski

Apesar de ser difícil ficar empolgado com um filme do Stephen Sommers ultimamente, G.I. Joe está acertando todos os alvos - pelo menos visualmente. Depois de revelar o visual de Snake Eyes, agora o site JoBlo divulgou em primeira mão a estonteante Scarlett (Rachel Nichols), que muito moleque usou para outras coisas além de combater o Comandante Cobra… Bom, o cabelo ruivo, o rabo-de-cavalo e a besta (ou arco-balestra) estão no lugar. E o filme? Só em agosto do ano que vem…

Scarlett em G.I.Joe!